30/12/2009

Crise de valores

Não me refiro a um conjunto de regras que nos orientam nas nossas decisões quotidianas, refiro-me mesmo a valores monetários. Segundo o Correio da Manhã, a tal «revista dirigida a um leitor sofisticado, que tanto é homem como mulher» só pode mandar despir celebridades por baixos valores. As netas de moleiro beijosense, Jéssica e Ruth Marlene, parece que estão na mó de baixo e aceitam ser fotografadas com pouca roupa por pouco dinheiro. Não dará para encher o sarrão, mas também não deve dar muito trabalho, pois a Ruth já demonstrou grande à vontade a pousar quase despida para as capas da FHM, da J e... dos seus discos :)

A foto abaixo é da FHM de Agosto de 2008

09/12/2009

Pia fininho

Eis senão quando... Souselas voltou à ribalta e «os centristas querem ouvir a ministra do Ambiente, Dulce Pássaro». Para quê? Todos sabemos que ela pia fininho. Resta à "coligação negativa" da AR co-incenerar o ex-libris da carreira política de Sócrates, absolutamente dispensável, quando, segundo a própria ministra, «a quantidade de resíduos que têm chegado aos CIRVER é menor da que era esperada». Já sobre a quantidade de resíduos que têm chegado às empresas de Manuel Godinho, não piou.

03/12/2009

Arrefecer os ânimos

Segundo a Population Action International, o crescimento populacional terá um papel principal na emissão de gases com efeito de estufa - a PAI declara que o IPCC subestima o impacto do crescimento populacional e da urbanização no crescimento da emissão de GEE's.
Vai daí, a PAI defende que «os EUA e outros governos e organizações» têm obrigação de controlar o crescimento populacional nos países mais férteis.
Bem vistas as coisas, nem é preciso que os biliões que estão para nascer nos próximos 40 anos se tornem grandes consumidores de combustíveis. Cada um de nós é uma poderosa máquina de produção de gases maléficos, com destaque para o terrível CO2.
A bem do arrefecimento global, deixo aqui uma homenagem aos percursores malthusianos que criaram esta bela peça de lingerie metálica (fotografada num museu de Salzburgo). Estes artefactos foram de enorme préstimo para evitar uma catástrofe climática no Período Quente Medieval, quiçá de proporções tão terríficas como as que se avizinham. Além de evitarem o fabrico de novas máquinas de emissão de CO2, evitavam também actividades libertadoras de grandes quantidades do nefasto gás. A sua mera utilização significava que o marido da utilizadora partira em Cruzada e, por cada pescoço de mouro que cortava, fazia quatro viúvas - era a contribuição dos "governos e organizações" europeus da época para o controlo populacional em terras mais quentes.

01/12/2009

Cat on a Hot Tin Roof

Um Inverno temporão chegou a Beijós, tornando um telhado de zinco amornado pelo sol apetecível para qualquer gato beijosense.

28/11/2009

7.º Dia

Não tenho tido muito tempo para escrever, há sete dias que não publico nenhum post neste blogue.
No meu Index na barra lateral há um blogue, que eu seguia e consultava quase diariamente, cuja feed deixou de ser alimentada também "Há 1 semana". Por uma razão muito diferente - o autor deixou-nos para sempre, faz hoje sete dias. Sabendo que estava perto do fim, nunca abdicou da frontalidade que lhe reconhecem. O penúltimo post é um bom exemplo, uma crítica frontal aos pantomineiros que nos desgovernam, perante as falinhas mansas de muita gente com tempo de antena.

20/11/2009

Sanfonia dos Derrotados

A Sónia que safou o posto de trabalho do Governador do Banco de Portugal beneficia agora das políticas sociais do MAI, que lhe arranjou um emprego. Vários notáveis derrotados nas eleições autárquicas cumprirão agora um serviço de representação do Governo, enquanto beneficiam do RSI - Rendimento Socialista de Inserção.

18/11/2009

O rank a que temos direito

O apuramento para a fase final da Copa do Mundo 2010 e os resultados dos últimos quatro jogos, permitem à Selecção recuperar o lugar no ranking FIFA, anulando o efeito Queiroz.
Se no ranking FIFA houve uma acentuada descida, seguida de recuperação, já no ranking Transparency International tem sido sempre "a subir" desde 2006. Já "subimos" 10 degraus, mas ainda estamos muito longe da Bósnia que, ao contrário do que diz o Público, é o 2.º país mais corrupto da Europa (contando a Rússia).

17/11/2009

Faroleiros de terra*

Como escrevi no dia 1 de Novembro, um comentário de Paulo Batista, dizendo que «o meu nome se encontra mal escrito» num artigo de Acácio Santos, resultou num pedido de desculpas do Farol pelo "descuido" do Acácio. Foi esse comentário assinado por "Farol da Nossa Terra" que me levou a escrever o post de 1 de Novembro, fazendo notar que havia outros "descuidos" mais importantes no artigo e que também Lino Dias se descuidara num outro.
Imediatamente após a publicação do meu post, fiz um comentário no Farol e enviei um email ao Acácio Santos. Como se vê na figura abaixo, o comentário continua, passadas duas semanas, a aguardar aprovação. O Acácio nunca respondeu ao email.



No entanto, o mesmo Acácio Santos fez questão de publicar, no DB de 6 de Novembro, uma «Correcção» à notícia, repondo o verdadeiro Paulo Jorge, em vez do errado João Paulo. Tal leva-me a supor que o Acácio ainda não percebeu os "descuidos" mais importantes da notícia. Aqui fica uma ajuda.

O que Acácio Santos escreveu O que se passou
Faltou à chamada o cidadão do PSD senhor Nuno Machado, mas este cidadão deixou escrito que se ia ausentar durante um mês e que depois regressava. Nuno Henrique Pais Machado apresentou um pedido de substituição nos termos do artigo 78.º da Lei n.º 169/99 ["Os membros dos órgãos das autarquias locais podem fazer-se substituir nos casos de ausências por períodos até 30 dias."]
(...) senhor Victor Manuel Coelho Peixeira Marques, votado com cinco votos sim e quatro não. A votação para o vogal em causa resultou em cinco votos a favor, três votos contra e um voto nulo.
Seguidamente foi chamado mais um cidadão do PSD para ocupar o lugar de Tesoureiro, o felizardo foi João Campos Moura. João Campos Moura foi chamado para ocupar, na Assembleia de Freguesia, o lugar de Victor Peixeira, que acabara de ser eleito Secretário da Junta.
(...) foi eleita a lista A com cinco votos sim e a lista B recebeu três votos não e um voto nulo. O resultado foi: A cinco votos; B três votos; um voto nulo.

*Esta designação resultou de uma 'conversa' com Alexandre Borges.

Procura-se!

15/11/2009

As minhas escolhas

A Causa das Coisas

Assírio & Alvim, 14,4€

Crónicas escritas por MEC há um quarto de século, mas que se mantêm actuais. Lei abaixo o extracto da "causa" Arranjar.


«Enquanto tudo se continuar a arranjar nada se há-se conseguir em Portugal. O mercado dos arranjos, dominado por uma multidão imensa de arranjistas e arranjões, é maior e está mais bem implantado que qualquer mercado negro. Para sair da mentalidade viciosa do arranjismo nacional, é preciso que cada português comece a distinguir entre arranjar e conseguir. Arranjar é obter algo por razões alheias ao mérito próprio e à justiça das circunstâncias - e logo representa tudo o que Conseguir, leal e esforçado, não é. O arranjismo pode ser um reflexo do subdesenvolvimento, mas também é ao mesmo tempo, o principal motor dele. Assim como não se arranjou chegar à Índia, ou acabar com a pena de morte, ou escrever Os Lusíadas ou a Mensagem, ou qualquer outras das coisas boas que os portugueses conseguiram fazer, sem truques ou manigâncias ou espertezas saloias, também não se há-de arranjar sair deste poço cultural em que caímos. Arranjar é próprio de um país miseravelmente possível («Desculpem, mas não foi possível arranjar mais...»). É preciso começar a conseguir as coisas, seja com que dificuldade for. Senão, Portugal chegará a um ponto em que nem arranjo há-de ter».

13/11/2009

Barrar Portugal



Esta peça da SIC mostra como o Governo faz o papel de apresentador do grande embuste que é o Programa Nacional de Barragens: «Este país não pode viver sem barragens e ninguém nos pode impedir de as construir». Ninguém! Ouviram? Nem os ambientalistas, nem as populações locais, nem os bota-abaixistas do costume, nem, muito menos, as espécies ameaçadas das áreas Natura 2000 afectadas pelas barragens: há um Perdigoto que não sabe de nada, desvia o assunto para um Pássaro sem pio.

O documento de que se fala «argumenta ainda que poucas barragens terão viabilidade económica». Santa ingenuidade! E desde quando a viabilidade económica é critério para aprovar os GRANDES INVESTIMENTOS que fazem Avançar Portugal? O argumento final é o benefício ambiental da produção de energia limpa. A qualidade da água vai piorar? Isso não é problema para o Perdigoto e não preocupa nenhum Pássaro.

O modelo de negócio é mais do que conhecido. Como já escrevi em 27 de Março, «os autarcas abrem as pernas à EDP, a qual paga ao Governo, dando este depois uma "parte das contrapartidas" aos autarcas.» Bem entendido que, como todos os negócios do género que os Governos de Sócrates têm feito, o Estado assume os riscos: «o modelo de concessão em vigor prevê que o Estado reduza o preço da concessão ou devolva parte dos mais de mil milhões de euros já recebidos, caso o impacte ambiental de cada projecto obrigue a uma redução da cota ou impeça mesmo a sua construção.» Só falta saber qual será a empresa que ganhará o negócio de desmantelar as barragens que não possam ser utilizadas...

09/11/2009

Coisas que realmente interessam


«Esta manhã foi também ouvido Adelino Caldeira, administrador da SAD do FC Porto que veio comprovar o amor que Pinto da Costa tem aos animais».

06/11/2009

A Vara e o pântano

Tendo em conta isto (também aqui), espero que o «salto à vara sobre o pantâno» proposto por Ana Gomes inclua o homem que segura a Vara.
Foto do Público postada por Ademar Santos em 23-3-2008

Actualização 7-11-2009 17:00
"Confirmou o i junto de fonte da investigação" que «As escutas às conversa telefónicas mantidas entre Armando Vara e José Sócrates (...) foram consideradas "criminalmente relevantes"». Ainda segundo o i, o simples facto de as escutas terem sido transcritas implica que os investigadores tenham considerado os indícios de «crime grave com uma moldura penal aplicável acima de cinco anos de prisão».
Diz a mesma notícia que «Os investigadores suspeitam que o negócio das sucatas de Godinho e a alegada corrupção de gestores e funcionários de empresas do sector empresarial do Estado, está relacionado um esquema de financiamento ilegal de estruturas partidárias, a nível nacional e local. E as suspeitas não se reduzem ao Partido Socialista

Enquanto o tema de conversas com o amigo Vara, divulgado ontem, se limitava à TVI, hoje surge em cena o amigo Joaquim, patrão do moço de recados Marcelino e de mais uns amigalhaços que costumam ser convidados da Mosca Morta na Edição da Noite.

04/11/2009

Suplementos alimentares

"Um médico urologista" afirma que, após a toma do Viagra, «alguns homens ficam com a visão azulada», o que é uma fundamental contribuição para esclarecer o chamado "caso da fruta". Estas pílulas seriam, com forte probabilidade, servidas aos árbitros para facilitar a digestão. No dia seguinte, eles viam tudo azulado.
Eu desconfio que alguns bloggers, quando escrevem sobre o (FC)Porto, também padecem de "alterações cromáticas da visão".

Dinheiro da reciclagem é mau para o ambiente

Enquanto a Galp e a EDP se multiplicam em campanhas publicitárias pró-ambiente, os seus quadros divertem-se conduzindo automóveis com uma emissão do malfadado CO2 estimada, no mínimo, em 350g por cada quilómetro percorrido. O facto de os ditos automóveis terem origem na reciclagem não serve de desculpa para este "crime ambiental".

01/11/2009

As minhas escolhas

Apesar de alguns concorrentes bastante fortes, a minha escolha para o
Prémio Lambe Botas 2009 foi feita sem hesitação. Será um prémio merecido para juntar à sua colecção de Prémios Lemniscata. Afinal, este Professor de Economia / Analista de Política Internacional, não obstante a dificuldade que revela em matéria de números, é um dos maiores bloguistas nacionais, destacando-se na produtividade lambebotística.

Descuido: a morte do artista

«Conferimos os nomes e verificámos que, realmente, houve descuido do Sr. Acácio. Pedimos desculpa em seu nome» (sublinhado meu).
É deste modo que "Farol da Nossa Terra" responde a um reparo de Paulo Batista relativamente ao facto de Acácio Santos ter errado o nome deste membro da Assembleia de Freguesia de Beijós, num artigo sobre a instalação dos órgãos autárquicos da dita freguesia. Em primeiro lugar, em abono da verdade, é preciso dizer que Acácio Santos foi muito "descuidado" nesse artigo(*), já que há diversos erros na forma como noticia (?) as votações realizadas. Mas há também falta de informação e de vontade ou disponibilidade para a obter, caso contrário o repórter teria compreendido que o cidadão João Moura não foi felizardo nem foi chamado para ocupar o lugar de tesoureiro, foi chamado para ocupar o lugar deixado vago na Assembleia pelo membro que acabara de ser eleito para vogal da Junta. E saberia o que é a suspensão de mandato. A "ansiedade e tristeza" não deveriam ser impeditivas da objectividade mínima que se exige a uma reportagem.

Em segundo lugar, o "descuido" não foi exclusivo de Acácio Santos, foi mesmo a imagem de marca do Farol na cobertura dos actos de instalação dos órgão autárquicos. O artigo sobre os órgãos do município manteve, durante dois dias, a informação de um suposto discurso de um elemento do CDS, o qual só teve lugar na imaginação do repórter. Manteve também a omissão de um deputado na lista de empossados. Mantém ainda a informação errada sobre a lista mais votada (A), embora isso seja um pormenor irrelevante.

O que já não é descuido é a quarta pergunta que "FNT" fez ao Presidente da Câmara. Lino Dias, um farol da ética e da deontologia jornalísticas, questiona se não será falta de ética o facto de ter sido eleito para Presidente da Mesa um membro de um partido que não foi o partido mais votado nas eleições de 11 de Outubro. Não acredito que o faça de moto próprio, pois tal seria evidência de ignorância ou má fé. Deve ter sido em nome dos tais comentários que vai ouvindo nos corredores. Então, a esses comentadores, é devido um esclarecimento:
O PS foi o partido mais votado para a AM, mas não foi o partido votado pela maioria dos eleitores. Foi votado por 'apenas' 44%. É sempre possível especular que as pessoas que votaram PSD e CDS (em conjunto, perfazem 52% dos votos expressos) não gostassem de ver empossado na presidência da mesa o cabeça de lista do PS. No entanto, tal especulação é perfeitamente dispensável, já que a mesa da Assembleia não é eleita directamente, é eleita, com toda a "ética e dignidade", pelos seus membros, incluindo os que não são eleitos para o órgão, mas aí têm assento por terem sido eleitos para outro órgão - Junta de Freguesia. É possível um partido ter a maioria de votos e não ter, sequer, a maioria de deputados municipais - foi o que aconteceu em Lisboa em 2009, o PS ganhou as eleições na AM por uma pequena margem, mas a coligação PSD-CDS-MPT-PPM tem mais deputados, graças ao maior número de Presidentes de Junta. O PS precisa de um acordo com a CDU para eleger a mesa e para aprovar os planos e orçamentos - isto é falta de "ética e dignidade"?

(*) Adenda 19:45 1-11-2009 Depois desta postagem, saiu no blogue Pardieiros Online uma versão melhorada do artigo de Acácio Santos. Apesar disso, mantém-se incorrecta a notícia da votação do vogal que foi eleito, bem como da votação para a mesa da AF.

26/10/2009

As minhas escolhas

Estaline: A corte do Czar Vermelho
Alêtheia, 26€

- Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas?
- Não sou capaz de lhe responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso.

A pergunta é do CM e a resposta é de uma deputada do PCP que conta no currículo uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais. Esta anedota tem servido, entre outras coisas, para atestar a má qualidade de ensino que supostamente se pratica no "quartel" de onde saí há duas décadas... bastante mais preparado para analisar as deficiências do sistema capitalista do que para analisar o que quer que fosse dos regimes comunistas, é um facto. Ainda assim, prefiro acreditar que é mesmo uma anedota, i.e. a ilustre deputada está simplesmente a fugir à pergunta.

No entanto, não vá dar-se o caso de não ter mesmo "abordado isso", como também não abordou nenhuma "questão concreta dos direitos humanos" na China, aqui fica uma sugestão de 668 páginas que enriquecerá o seu conhecimento sobre os "manuais de maus costumes" da URSS.

22/10/2009

Homofonias

Junca de Morais está preocupado porque os petizes de Lisboa não distinguem "nós" de "noz".
Eu posso fornecer-lhe vários documentos que não distinguem Beijós de Beijoz. :p

Diagnóstico das sondagens

Na sequência do «fracasso das sondagens para as eleições europeias», a ERC nomeou três peritos para estudar o desempenho das sondagens eleitorais e propor medidas «que contribuam para o seu conhecimento público e para a sua credibilização». O estudo, que ainda não conheço, entitula-se «Sondagens e inquéritos de opinião. Diagnóstico e sugestões de medidas a adoptar», e foi apresentado ontem na III Conferência da ERC. Uma notícia divulgada no sítio da ERC apresenta, no entanto, algumas das conclusões e sugestões que me suscitam um comentário.
Em primeiro lugar, a constatação de que o CDS-PP foi «subavaliado em todas sondagens e projecções». Na mesma linha, diz-se que o PCP foi «ligeiramente subavaliado em todas as projecções». Não foram apresentadas as razões para esta "subavaliação" sistemática. Já em 30 de Maio, quando vi sondagens com taxas de resposta fantasiosas, eu apresentei aqui hipóteses sobre enviesamento nas bases de sondagem e deficiente tratamento de não-respondentes e de indecisos. Acredito que haja sobrerrepresentação de votantes CDS entre estes três públicos - não seleccionados, não respondentes e falsos indecisos.
Entre as recomendações, a notícia da ERC destaca «que as empresas de sondagens façam sempre perguntas para estimar a abstenção». Concordo, mas... «António Salvador assume: «não sei medir a abstenção».
Mas a declaração que mais me surpreendeu foi de Jorge de Sá, que «aproveitou, ainda, para apelar à possibilidade de se avançar para as amostras aleatórias com base no recenseamento eleitoral». Estará a pensar em chipar os recenseados?
Foto de Ana Figueiras no coffee-break da conferência

20/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal - 2

O trabalho de Lino Dias sobre os resultados eleitorais no concelho do Carregal do Sal, publicado na última edição do Defesa da Beira (e disponível online no Farol da Nossa Terra) suscita-me uma adenda à análise que aqui publiquei no passado dia 13.
Diz Lino Dias: «No tocante à Assembleia Municipal, o demérito do PSD estará na liderança da lista por Artur Jorge Saraiva (...). Sendo o líder da lista do PS à Assembleia Municipal o mesmo de há quatro anos atrás, altura em que José Manuel Canavarro o superou com uma diferença de 1066 votos, Carlos Jorge Gomes (2596 votos) viu a sua ascensão agora mais facilitada com a candidatura de Artur Jorge Saraiva (2403 votos) neste seu regresso ao PSD.»

Caro Lino Dias: como quantificou o efeito negativo da liderança da lista por Artur Jorge Saraiva? Se, repito, se o diferencial de votos no PSD para a Câmara e para a Assembleia pudesse ser atribuído ao cabeça de lista, usando o seu raciocínio na referida notícia, então ele seria responsável pela perda de 74 votos. De 2005 para 2009, o PSD perdeu 661 votos para a Assembleia, mais 74 do que os 587 que perdeu para a Câmara.
Desde que Atílio Nunes é candidato pelo PSD, a lista para a Câmara teve sempre mais votos do que a lista para a Assembleia. Este ano foram 230, mais do que os 156 de há quatro anos, mas ao mesmo nível do que ocorreu em 2001 (238) e abaixo do que se tinha verificado em 1997 (361). Como vê, parece-me uma grande injustiça afirmar que, se a lista tivesse sido encabeçada por outrém «o descalabro não teria acontecido ou, pelo menos, não teria sido tão frustrante».

Do ponto de vista do PSD, a mim parece-me muito mais "frustrante" o resultado nas Assembleias de Freguesia. Se eu quisesse utilizar o mesmo tipo de lógica que usou na sua análise, poderia dizer que Artur Jorge Saraiva "conseguiu" mais 205 votos do que os candidatos às Assembleias de Freguesia! Na análise que publiquei na semana passada, é bem evidente que a grande derrota do PSD é nas Freguesias. Na votação para a Assembleia Municipal, enquanto o PSD "recupera" 205, o CDS perde 172 e o PS perde 159.

Para além de Currelos e Papízios, o PS foi o partido mais votado para a AF nas secções de Vila Meã, Alvarelhos, Travanca e Pardieiros (ver gráfico abaixo). O CDS foi mais votado em Fiais e Parada, secções onde o partido mais votado para a AM foi o PSD. A "recuperação" de votos para a AM, relativamente às AF (eixo vertical), foi, obviamente, mais expressiva nas secções onde a % obtida na AF (eixo horizontal) foi menor (à excepção de Papízios). Mas foi também assinalável em secções com votações mais equilibradas, designadamente Travanca e Pardieiros, e até naquelas onde o PSD ganhou a AF, à excepção de Cabanas-1 (Sobral não conta, porque não houve lista do CDS para a AF).


Adenda 21-10-2009 10:30: Para clarificar o que escrevi no 2.º parágrafo, acrescento este gráfico com a votação nos três órgãos autárquicos nas cinco eleições em que Atílio Nunes encabeçou a lista do PSD. Visualizando a evolução negativa da votação nas duas últimas eleições, não me parece que tenha fundamento a ideia de que o decréscimo foi particularmente acentuado na votação para a Assembleia Municipal.

19/10/2009

Pouca linha, pouca linha

Diz-se hoje no Público: «A Refer tem vindo a encerrar linhas para efectuar obras, contrariando uma prática centenária em que os trabalhos se realizavam sem interrupção do tráfego ferroviário.
As linhas do Tâmega, do Corgo e do Tua, e os troços Guarda-Covilhã e Figueira da Foz-Pampilhosa, estão fechados e não se sabe ao certo quando reabrirão. Isto porque, em alguns casos, nem sequer há projecto para avançar com as obras.»
A mesma notícia baseia-se numa fonte (da REFER? da CP? da Secretaria de Estado dos Transportes?) para dizer que «Para o Corgo e Tâmega há uma vaga referência ao "início de 2011" para a sua reabertura, mas entre Figueira da Foz, Cantanhede e Pampilhosa não se sabe quando ali voltará o comboio a apitar.»
Em Março e Abril deste ano, postei aqui várias "previsões" sobre a reabertura destas linhas. O Governador Civil de Vila Real começou por dizer que as obras estariam concluídas ainda durante o ano de 2009. Na semana seguinte, a Secretária de Estado dos Transportes adiou a previsão para Setembro de 2010. No entanto, como refere Carlos Cipriano, «para as populações locais subsistem dúvidas sobre se alguma vez o comboio voltará, apesar das promessas em contrário da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, reforçadas durante as eleições num périplo pelo Norte».
É que o povo já não vai em promessas...

16/10/2009

Mudam-se os tempos, mudam-se os peritos

No post anterior sugeri um top 20 de bens, todos eles muito mais adequados à sujeição a IEC do que o café. Para quem não sabe, um grupo de peritos em fiscalidade contratados pelo Governo, sob uma evidente influência de substâncias que actualmente são sujeitas a IEC, produziu um relatório onde aconselha a criação de um imposto especial sobre o consumo de café. A surpresa de tal sugestão distrai a nossa atenção de outras doutas propostas com as quais o Governo não se quer comprometer. Ainda assim, eu não resisto a perguntar:
- Onde estavam estes peritos quando o Governo considerava o café um produto de primeira necessidade com preço fixado em Diário da República?

14/10/2009

Fiscalistas & fiscais dos costumes

«O grupo de peritos a quem o Governo encomendou um estudo sobre a política fiscal de lançar impostos especiais sobre o consumo (IEC) propõe o aumento do preço do café, refrigerantes, latas, embalagens e sacos de plástico, noticia o Jornal de Negócios.Os peritos defendem que este aumento pode ser um estímulo de hábitos de consumo ambientalmente mais sustentáveis e a necessidade de compensar a perda de receita fiscal.» (i)

Na senda da moralização do comportamento por via fiscal, proponho um top 20 de bens sobre os quais deve incidir o IEC:
  1. Queijo da Serra
  2. Tripas à moda do Porto
  3. Gamelas
  4. Viagens de Elisa Ferreira com destino ao Porto
  5. Super Bock
  6. Queima das Fitas
  7. Semanas Académicas em geral
  8. Espectáculos de Quim Barreiros (com dupla tributação se concidir com 7. e/ou 6.)
  9. Discos de Quim Barreiros
  10. Karaoke de Quim Barreiros
  11. Karaoke em geral
  12. Revistas sobre TV
  13. Receptores de TV
  14. Romances de Júlio Magalhães, Rodrigues dos Santos ou Sousa Tavares
  15. Qualquer publicação dirigida por João Marcelino
  16. Todos os suportes impressos ou electrónicos que veiculem ideias de Al Gore
  17. Todos os suportes impressos ou electrónicos que veiculem imagens de Rui Santos
  18. Gel para cabelo
  19. Gravatas amarelas
  20. Carros amarelos

13/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal


O gráfico acima apresenta o número de votos na eleição dos três órgãos autárquicos e na eleição para a Assembleia da República (AR), no concelho de Carregal do Sal.
Os resultados mostram que muitos eleitores distinguem as votações para os diferentes órgãos, mesmo quando elas se realizam em simultâneo.
No que respeita aos órgãos autárquicos, o PS e o CDS atingiram as votações máximas nas assembleias de freguesia (AF) e as mínimas na Câmara Municipal (CM). Com o PSD, aconteceu precisamente o inverso.

O PSD conseguiu mais 231 votos na CM, relativamente ao resultado da votação para a Assembleia Municipal (AM). A maior parte desses votos (127) "chegou" do CDS - um em cada cinco eleitores que votou CDS para a AM terá votado PSD para a CM. Esta transferência CDS --> PSD foi mais significativa nas secções de voto de Parada, Fiais, Alvarelhos e Travanca.
Em números relativos, a mais significativa transferência registou-se nos votos brancos - houve 175 votos brancos para a AM e apenas 116 para a CM, o que equivale a uma "perda" de 1/3 dos votos brancos, presumivelmente transferidos para a lista do PSD.
A CDU (não representada no gráfico) obteve menos 29 votos para a CM do que para a AM, correspondendo a uma "perda" de 1 em cada 4.
Finalmente, a "contribuição" dos votantes PS na AM para a vitória do PSD na CM é de apenas 24 votos, o que corresponde a 1%.

06/10/2009

O Político e o Cientista

Na histeria global em torno do alarmismo das alterações climáticas causadas pela acção humana, há cientistas que, por desejo de protagonismo ou para defender ideologias ou interesses económicos, ultrapassam as fronteiras do método científico. Há políticos que, bem secundados por profissionais da comunicação, estabelecem como inabalável crença o que ainda é uma dúvida científica. E, pasme-se! cientistas que assumidamente apresentam conclusões não fundamentadas, para motivar ou agradar aos políticos.
Um extracto de uma entrevista de Delgado Domingos esclarece este fenómeno:

«O último dos relatórios do IPCC é de Novembro de 2007. O relatório fundamental, o do grupo I, tem 996 páginas. Como é muito técnico e complexo tem um resumo designado por sumário para decisores políticos. O sumário foi aprovado linha a linha pelos representantes dos governos e das organizações participantes em Fevereiro de 2007.
O facto extraordinário é que o sumário foi aprovado ainda antes de existir o relatório que era suposto resumir. Sucede mesmo que o relatório científico contradiz conclusões do sumário antecipado, nomeadamente quando este converte em certezas o que no relatório está rodeado de incertezas, hipóteses e precauções.
(...) Porque é que a um sumário, que é politico, se chama científico? Penso que tal se deve ao facto de os políticos quererem beneficiar da credibilidade que ainda existe na comunidade científica. Por outro lado, a comunidade científica permite-o porque o financiamento dos seus trabalhos depende dos políticos...»

Fonte: Mitos Climáticos

05/10/2009

Bora lá empastelá-los?

Francisco José Viegas: «O legado dos ‘pais da República’, de Teófilo Braga a Afonso Costa, passando por Bernardino Machado e António José de Almeida, deve hoje ser reanalisado e subtraído ao discurso do heroísmo patético do breve regime de 1910. Hoje, ouvir-se-ão discursos sublinhando a herança da República e os valores da República. Uma patetice e uma mentira convenientes.»

António de Almeida: «Observando com atenção o golpe de 1910, percebendo quem foram os seus autores, chego à conclusão que entre eles estavam alguns canalhas da pior espécie que este país já viu nascer. »

02/10/2009

Grandes investimentos - II

Mais uma prova de que é preciso ter muito cuidado na análise dos grandes investimentos:

A gamela de Elisa Ferreira foi um investimento de 395 mil euros e só tem um período de vida útil de três meses?

Margens de Erro - versão Marktest

A Marktest.com é um concorrente de peso ao blogue Margens de Erro, apresentando dossiês de clipping sobre as sondagens publicadas (legislativas; autárquicas) e uma boa análise da comparação entre sondagens e resultados eleitorais. Além do mais, a ficha técnica publicada no site tem uma informação bastante esclarecedora.

Dito isto, era escusado que Bárbara Gomes tivesse borrado a pintura: «No caso da última sondagem da Marktest divulgada nessa semana, podemos verificar que os resultados eleitorais alcançados, todos eles sem excepção, estavam compreendidos dentro das margens de erro apresentadas». Em primeiro lugar, as margens de erro estão mal calculadas, apresentando valores iguais para todos os partidos, o que é, obviamente, uma impossibilidade. Em segundo lugar, apresentando intervalos com uma largura de sete pontos percentuais, mal feito fora que os resultados não ficassem lá dentro! :)

Já que, partindo da sondagem, a Marktest produziu uma projecção de resultados, é correcto fazer uma "análise de desvios" e compreender por que o desvio é maior na projecção do que nos resultados brutos da sondagem.

01/10/2009

27 de Setembro Sempre! Neoliberalismo Nunca Mais!

Caros André Freire e Rui Tavares: o PS é de esquerda ou não é de esquerda?
Se é, então o apelo à estabilidade governativa é inútil. Um partido de esquerda esteve os últimos quatro anos e meio no Governo, com todas as condições para não ter conformado as suas políticas à «hegemonia neo-liberal». Maior estabilidade governativa seria difícil.
Se não é, então o apelo à estabilidade governativa "à esquerda" é fantasioso. E os argumentos numéricos sobre a «vontade eleitoral» do «povo português» são fraquíssimos.

Na verdade, a direita (PSD+CDS) terá nesta legislatura mais 16 ou 17 deputados do que na anterior. A única maneira de dizer que o eleitorado "virou à esquerda" é excluindo o PS da esquerda. Note-se que o PS perdeu meio milhão de votos. BE+CDU ganharam 200 mil. Onde foram parar os outros 300 mil?

As dificuldades em compreender a «vontade eleitoral» são bem evidentes neste post de um aventor. Primeiro, soma PS+BE+CDU, o que dá «Uma esmagadora maioria». Depois reconhece que o PS não é todo de esquerda, o próprio Sócrates não dá muito jeito para uma coligação à esquerda... mas isso não impede João Paulo de concluir «sei é que Portugal votou para ter um governo de esquerda».

Eu dou bastante importância aos números e só acredito quando alguém apresentar uma estimativa credível de quantos dos dois milhões de votos no PS traduzem uma «vontade eleitoral» contra os «preconceitos ideológicos do Sr. Van Zeller». Eu já contabilizei um voto no PS a favor de Van Zeller! :)

Acho louvável o apelo para que «as esquerdas se encontrem e sejam capazes de explicitar o contributo que cada um destes partidos está disposto a dar para se encontrar uma solução estável de governo». Se a Constituição é para manter, então é o Parlamento que deve ser a fonte de legitimidade do Governo e seria muito bom que os partidos se habituassem a negociações e compromissos no Parlamento em favor da estabilidade governativa. No caso concreto, seria até bastante interessante dar aos deputados eleitos pelo PS a responsabilidade de se pronunciarem sobre a melhor solução de governo. Nunca esquecendo que, de acordo com a mesma Constituição, cabe ao PR um papel que não caberia a um Rei!!! Repito, acho o apelo louvável. Mas não posso compreender que o queiram fundamentar numa aritmética que soma os votos no Partido de Sócrates para a esquerda, mas subtrai as políticas do Governo de Sócrates para a direita.

29/09/2009

PJ trama Basílio Horta

A PJ deteve dois estrangeiros que tinham uma estratégia de «implementação em Portugal de uma fábrica de construção aeronáutica». Desta vez Horta não terá o Ministro dos Cornos a defendê-lo, gorando-se esta possibilidade de investimento estrangeiro que "safaria" mais uns postos de trabalho :(

Swing

Depois de quatro anos e meio de onanismo, chegou a hora do swing (ou balancé, segundo Louçã).

25/09/2009

Grandes investimentos

Durante o Verão ouviu-se muito a ideia segundo a qual esquerda e direita se distinguem porque uns são a favor de grandes investimentos públicos, outros nem por isso.
O gráfico abaixo reforça esta ideia - é tremendamente nítida a separação entre os partidos da direita (à esquerda no gráfico) e os da esquerda (à direita no gráfico). Separação em quê? No custo de cada deputado eleito para o Parlamento Europeu nas eleições de Junho passado. Enquanto Rangel custou 208.830€ (ou seja, 120 mil embalagens de Maizena), os deputados da CDU custaram quase 510 mil euros cada.
O custo por mandato é representado pelo eixo da direita. O eixo da esquerda representa os valores totais da campanha, reais e orçamentados. Aqui, a grande distinção é entre o PSD, que gastou bastante menos do que o orçamentado, e o PS, que "investiu" 82% mais do que o orçamentado. Isto é, para fazer AVANÇAR VITAL, o PS investiu à grande, investiu 395 mil euros, quando tinha prometido fazer a coisa por 170 mil. Já todos (?) percebemos a grande asneira que foi o investimento neste activo tóxico que Sócrates nos tentou impingir. Espero que tenha servido de lição.


Fontes: valores retirados do Tribunal Constitucional; análise inspirada num post de Pedro Magalhães e numa notícia de Santos Costa.

Eleições intercalares?

Quem não é por nós está contra nós!

Esta é uma interpretação Vital das declarações do rosto da última derrota do Partido Sócrates. Segundo o Público, "o constitucionalista" disse à Rádio Clube «que o PS não deve ceder à oposição e que se tiver dificuldades em aprovar os orçamentos e em conseguir “maiorias de geometria variável” é preferível clarificar a situação com novas eleições para perceber “se deve governar quem ganhou as eleições ou se devem governar as oposições coligadas”».

Portanto, para evitar novas eleições, segue-se já a orientação do "constitucionalista": quem deseja uma coligação entre o Partido de Sócrates e "as esquerdas", só tem de votar PSD. Se este ganhar as eleições, governam as oposições coligadas.

24/09/2009

Os vários números de uma sondagem

João Miranda apresentou no Blasfémias os intervalos de confiança para o barómetro da Marktest divulgado no Margens de Erro.

A minha fonte é a Marktest.
Calculo os intervalos a partir dos 'votos' e não da projecção que "encolhe" os votos brancos e nos pequenos partidos.
Outra diferença importante é que a amostra que conta para estes cálculos é de 487 'votantes'. Parece-me que João Miranda não descontou os respondentes que disseram que não votam.

Não chegamos a ter um verdadeiro efeito Diana Mantra, mas esta ligeira diminuição na amostra alarga um pouco os intervalos. Noutras situações, a má qualidade da informação das fichas técnicas pode induzir a maiores erros.

19/09/2009

Foto da semana

A meio da ponte ferroviária sobre o rio Águeda, um sinal informa-nos de que vamos entrar em ESPAÑA. Portugal quer reabilitar para fins turísticos os 28 Km que distam desta ponte à estação do Pocinho. Para compreender a lógica deste investimento, recorro a um texto de Armando Moreira num convite da Liga dos Amigos Douro Património Mundial para um colóquio intitulado O Património Ferroviário do Vale do Douro:
«Assiste-se sem um queixume ao anúncio do pré-afogamento de uma das Linhas mais emblemáticas do sistema ferroviário do Douro, a Linha do Tua. Nem sequer se reivindica, ao que se sabe, qualquer indemnização pela desapropriação daquela via, como se se tratasse de coisa sem préstimo. Assim como ao encerramento, dito temporário e inopinado, das linhas do Corgo e do Tâmega.

«É preciso dizer basta a esta passividade. É preciso que os naturais, os residentes, os amigos do Caminho de Ferro, os amigos do Património, em particular do Vale do Douro, façam chegar a sua voz junto das entidades que têm a responsabilidade de zelar pela preservação e conservação do Património».

As "estrelas" do colóquio eram dois historiadores falando das ferrovias como património - um como património industrial, outro no caso das ferrovias do Douro como Património da Humanidade - e um vice-presidente da Union des Exploitants de Chemins de Fer Touristiques et de Musées, o que indicia que "o sistema ferroviário do Douro" já é visto pelos lobbies locais como um "sistema" de comboios históricos e turísticos.

Para que o "sistema" funcione, é preciso que se reabilite 70 Km do lado de lá, com elevados custos, por causa dos 20 túneis (o primeiro dos quais já ali, naquele morro em frente) e 13 pontes completamente degradados. É aí que Castela torce o rabo: «Ele próprio [o presidente da CCDRN] percebeu, ontem, em Valladolid, que o Governo espanhol luta com "dificuldades de orçamento em áreas como a Saúde, Educação e Segurança Social". Como tal, suspeita de "um certo risco de contenção que possa atrasar a reabilitação da linha espanhola".»

Perceberam? Se Espanha tiver dificuldades orçamentais, pode atrasar um investimento de umas dezenas de milhões. Já Portugal, para honrar compromissos internacionais, não pode atrasar um investimento de milhares de milhões. Aliás, Espanha está-se nas tintas para a electrificação da linha até Fuentes de Oñoro e também não parece muito apressada na ligação à auto-estrada transmontana. Só o AVE é prioritário. Esta notícia d'El Mundo ajuda a perceber porquê!

18/09/2009

Bola na mão ou mão na bola?

O Tribunal de Tabuaço não deu razão a queixa do PS relativa à candidatura de um agente da PJ a um órgão autárquico, entendendo que a PJ é «um órgão de polícia criminal auxiliar na administração da justiça e não uma força de segurança». O Tribunal Constitucional recusa recurso do PS, por este não ter reclamado antes ao Tribunal de Tabuaço.

O Tribunal de Castelo de Paiva proibiu um inspector da PJ de integrar a lista para a Câmara, por entender que ele está ao serviço de uma "força de segurança". O Tribunal Constitucional confirmou esta decisão.

Qual dos tribunais está a fazer o papel de Pedro Henriques?

17/09/2009

Grande mal... pior remédio

«Jerónimo de Sousa, na apresentação do balanço das candidaturas da CDU às Eleições Autárquicas, sublinhou o êxito político que constitui a apresentação de candidaturas a 301 municípios e, sobretudo, a apresentação de 2275 listas às freguesias, o que constitui a mais expressiva presença de candidaturas desde 1989, aproximadamente 45 mil candidatos sendo cerca de 40% independentes.»



Parabéns ao PCP-PEV pelo sistema de colocação de candidatos nas freguesias. Colocar 45 mil candidatos sem conter «mais de dois candidatos do mesmo sexo colocados, consecutivamente, na ordenação da lista» exige um software mais fiável do que o da colocação de professores do ME. Para mais, nalgumas das freguesias, os candidatos devem ser residentes por lá perto. Não é o caso da minha freguesia (ver lista aqui) - nove nomes, nove desconhecidos. Nenhum reside por cá, tem algum conhecido por cá, algum laço familiar que seja. Nem sequer precisaram de cá vir para dar o nome. Mais um mérito do sistema.

11/09/2009

O TGV não faz cá falta


Canas de Senhorim está directamente ligada com todas as linhas ferreas hespanholas que entram em Portugal por Badajoz, Caceres, Villar Formoso, Barca d'Alva e Tuy.
De 15 de maio a 30 de setembro os comboios sud-express e expresso-Medina param em Cannas de Senhorim.

Não se pode admitir que qualquer castelão, galego ou estremenho se venha queixar de que não pode vir a Canas por falta de comboio!

Quem vamos eleger?

Na mesma linha da citação de André Freire num post de ontem, cito hoje dois blogs:

Tomar Partido - «os cidadãos aprestam-se para votar numa eleição que não existe na lei, a de Primeiro-Ministro e não votar na eleição efectivamente prevista na lei, a dos deputados, cujos nomes nem se dão ao trabalho de ler (...)»
«Ninguém se pode sentir representado por quem nem sequer conhece. Ninguém se pode sentir representado por quem não pode responsabilizar pelos seus actos. Na verdade, os eleitores que conscientemente votam em deputados, nem sequer estão a escolher. Estão a escolher entre escolhidos. É a ilusão da democracia representativa.»

Fliscorno - «Elegem-se os deputados que melhor serviram o Partido - daí terem sido reconduzidos - em vez dos que melhor serviram o eleitor.»

Vergonha

Já não sei se é demasiada incompetência ou se é extrema falta de decoro!
Na tag Ai os media tenho apresentado, predominantemente, problemas do jornalismo português no tratamento e na interpretação de números. Destaco casos em que o jornalista procede a cálculos incorrectos (Ex: Marcelino; Lusa) e, sobretudo, casos em que reproduz buzzwords de press releases sem fundamentação numérica ou estatística (Ex: "Inquérito feito pela SurveyShack a pedido da Microsoft").

A um nível superior está o trabalho (!) de Paulo Chitas na Visão. Diz Paulo Guinote que ele «selecciona e retorce estatísticas como bem entende». A intervencionista ERC, tão preocupada com a comunicação não verbal de pivots, não tem nada a dizer sobre este género de trabalhos?
A seguir neste link.

10/09/2009

As minhas escolhas

O Dossiê Sócrates
Lulu, 21€ ou PDF gratuito

Dada a reacção de Sócrates ao blogue, o autor recomenda «aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...»
Eu já tenho a versão gratuita e comecei a leitura pelo epílogo. Confirmo a ideia que tinha do aluno Sócrates - nunca vi um aluno cujo "processo" académico contivesse tantas rasuras, incoerência de datas, professores a darem notas sem estarem ao serviço da escola... é preciso ser muito azarento!

09/09/2009

Governabilidade

Algumas ideias que tenho defendido. Pela escrita de um politólogo - no caso, o André Freire - têm outra relevância. Aqui fica um "roubo" a um ladrão de bicicletas:

«Portugal poderá vir a ter um problema de governabilidade mas ele não resulta do sistema eleitoral: já é mais desproporcional do que a média dos regimes proporcionais europeus. Nem da fragmentação partidária: a concentração nos dois grandes aproxima-nos dos regimes maioritários. Os problemas de governabilidade são políticos, não institucionais. [...] Mas há outras medidas que poderiam reforçar a governabilidade: a moção de censura construtiva (para se derrubar um governo seria necessário propor um alternativo) e medidas equivalentes (uma espécie de “orçamento construtivo”, etc.); incentivos à cooperação entre os partidos. Além disso, o nosso sistema eleitoral induz os deputados a quase só se preocuparem em agradar às lideranças. Para melhorar a representação é preciso dar aos eleitores o poder de escolher os deputados em cada lista.»

08/09/2009

O argumento do respeito por tratados internacionais

Transcrevo o comentário de Carlos Eduardo da Cruz Luna no post "TGV para Olivença":

«ESTRANHOS ARGUMENTOS EM TORNO DO TGV
Não é intenção deste artigo de opinião emitir juízos sobre a construção, ou não, do TGV (Madrid-Badajoz-Elvas-Lisboa), da sua oportunidade, ou outras considerações. Para isso, muito se tem escrito e escreverá, e será óptimo que a opinião pública esteja o mais esclarecida possível.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de História das relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de dirigentes espanhóis, principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, não podem deixar, no mínimo, de fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar que Portugal desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de um «compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus dirigentes políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o futuro(...)». Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é criticável. No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses e espanhóis (Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel Calle, de Mérida, em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que «os acordos internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade, todos estes dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual Olivença deveria ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita, até hoje, que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em relação à obrigação da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer, houve até quem já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral, portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como soam a falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos? Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o que podem pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal. Não questiono esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez apoie, ou não, alguns deles. Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados internacionais. Não lhes fica bem.»

Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna

06/09/2009

As minhas escolhas

O Paradoxo da Escolha
A Girafa, 54R$

Este livro diz-nos muito sobre o problema da decisão de voto e das 'boas' estratégias para o solucionar (!) que mencionei no meu post anterior.
O principal ponto de Barry Schwartz é que nos sentimos infelizes pelo medo de não tomarmos a melhor decisão. Podemos evitar culpas e arrependimentos simplesmente baixando as expectativas quanto ao resultado das nossas decisões.

Onde está o Norte?

Bússola Eleitoral

Os modelos de comportamento eleitoral que estão "nos bastidores" da produção dos gráficos acima pressupõem que os eleitores formam preferências a partir de "atributos" dos partidos, neste caso, posições sobre aquilo que os autores consideram "domínios políticos".

O posicionamento (gráfico de cima) é calculado a partir de uma versão simples do chamado "modelo do ponto ideal". O eleitor tenderia a identificar-se com o partido mais próximo num determinado número de dimensões (aqui, 2). A ideia é interessante e permite até que, na elaboração do gráfico, o potencial votante decida que "domínios" incluir, mas não admite uma alternativa básica que é considerar uma das dimensões muito mais importante do que a outra - p. ex., a distinção entre esquerda e direita pode ser muito mais importante para influenciar a decisão de voto do que a distinção entre libertário e tradicionalista. Por outro lado, o cálculo da proximidade entre eleitor e partidos pressupõe ortogonalidade das dimensões, o que não se verifica no espaço dos partidos - nitidamente, os partidos nacionalistas e tradicionalistas são de direita. No espaço partidário, é possível criar uma "faceta" que resume a "informação" daquelas duas dimensões:

Quanto ao "score de concordância", é um caso típico de modelo compositivo, i.e. funciona como se a atitude face a um partido dependesse das posições mútuas de partido e eleitor em todas as 28 questões (ou aquelas a que tenha respondido - eu não respondi a todas, porque achei que algumas eram complexas, i.e. misturavam conceitos ou não me pareceram adequadas para responder naquela escala de concordância). Penso que este cálculo de concordância terá pouca utilidade para explicar o voto. Pelas seguintes razões:

  1. A proximidade e/ou identificação com os partidos baseia-se, para grande parte dos eleitores, em impressões vagas e em reacções emocionais que sustentam atitudes gerais face ao partido, as quais tendem a polarizar-se (positivo-negativo; a favor-contra; etc.)
    Quando o eleitor conhece posições do partido sobre um "domínio político", tende a avaliar este domínio segundo a referida polarização. Ex: O eleitor A é favorável ao investimento imediato no TGV porque simpatiza com o PS. Precisamente o inverso da teoria subjacente, que considera que uma das razões para votar PS seria este partido defender o TGV.
  2. Mesmo os eleitores sem filiação partidária mais envolvidos nos "domínios políticos", que usam critérios "racionais" para decidir o voto, fazem-no habitualmente a partir de um único "atributo" ou de um número de atributos muito reduzido. Ex: Para o eleitor B basta saber qual a posição dos partidos (num determinado conjunto de escolha, ele também reduzido) relativamente à avaliação dos professores ou aos despedimentos na função pública.
  3. A forma como o 'mercado' eleitoral evoluiu em Portugal levou a que o peso das impressões, simpatias e antipatias relativamente aos líderes partidários seja mais importante do que a avaliação ponderada das posições partidárias nos diversos "domínios políticos". Ex: por mais próximo que o meu lápis (1.º gráfico em cima) possa estar do PS, eu nunca votarei neste partido numa eleição da AR, enquanto ele for liderado pelo . No way, José.

O meu conselho: no próximo dia 27, vote conforme lhe der na real gana e consulte a bússola depois de ter votado!

02/09/2009

TGV para Olivença

Estive de férias num país que deixou deteriorar a um nível absurdo a rede ferroviária que ligava as regiões mais povoadas. Enquanto se discute (?) o trem-bala, restam umas linhas museológicas/ históricas/ turísticas (foto ao lado) e uma ou outra utilizada no trasporte de mercadorias a velocidades na ordem de 20 Km/h.

Foi ainda em férias que tive conhecimento de uma "medida" do programa eleitoral do PSD, em castelhano (ABC, 29-8-2009): «Suspenderemos inmediatamente los procesos de adjudicación en curso para la alta velocidade». «El partido liderado por Manuele Ferreira Leite considera que es imprescindible la puesta en valor del sector ferroviario portugués, priorizando la rehabilitación y desarrollo de la red ferroviaria convencional (...)» (sublinhado meu). Gostei de ler ;)

A notícia vinha na secção sobre a Extremadura, já que o anúncio de MFL deixa preocupados os estremenhos. «De ganar las elecciones el PSD, la línea AVE que afecta a Extremadura quedaría en suspenso en el tramo Lisboa-Badajoz, no cumpliendo así los pactos internacionales firmados con España (...)» (sublinhado meu). Nesta questão de pactos internacionais, seria bom recordar aos responsáveis estremenhos o Congresso de Viena. Já que se propõem a construir a linha do AVE "independentemente do que fizerem os portugueses", sugiro que a levem até Olivença :)

P.S. lembrei-me dum post que escrevi há dois anos... e disto! :(

31/08/2009

Influenza Lusa

«Portugal é o segundo país europeu com maior incidência de infecções» é o título de uma notícia da Lusa. Razão para alarme? Não, já que «as contas foram feitas pela agência Lusa com base na listagem de casos divulgados hoje no portal do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e no número de habitantes dos respectivos países». Como já demonstrei várias vezes neste blogue, os jornalistas portugueses em geral e os da Lusa em particular não sabem fazer contas, por isso não vale a pena ficar preocupado com os seus cálculos.

A notícia em causa remata com a seguinte conclusão: «Apesar de ser o segundo país europeu com maior incidência de infecções de gripe A (H1N1), Portugal não regista casos mortais (...)». Nada que leve o jornalista a duvidar das contas que originaram o título. Não será estranho um país ter grande incidência de infecções e nenhum caso mortal? Serão os portugueses mais resistentes? Será o vírus mais amigável para os lusos? Terão os hospitais portugueses algum remédio secreto desconhecido dos restantes países?

É óbvio que a explicação deve estar nas estatísticas e na falta de conhecimento dos responsáveis pela notícia. É simples e encontra-se nas notas de rodapé das tabelas da OMS: «Given that countries are no longer required to test and report individual cases, the number of cases reported actually understates the real number of cases». Com a propagação da gripe, o número de infecções deixou de ser analisado e controlado, as comparações internacionais só podem ser feitas pela taxa de letalidade, i.e. número de mortes por gripe A por 100 mil hab. Muitos países já não têm números sobre infectados, tendo-se chegado à conclusão de que a taxa de infecção é fortemente subestimada, dado que a maioria dos casos nunca chegam a ser testados, seja pela falta de sintomas, seja porque os infectados não procuram assistência médica.

09/08/2009

As minhas escolhas

Vou de férias mas não levo o jipe, pelo que não vou poder ler. Fiquemo-nos pela música...

As minhas escolhas

O Eco Silencioso
Gradiva, 14,50€

Para quem tiver tempo de ler nas férias, não precisa de jipe para ser transportado.

É uma sugestão de leitura que se deve simplesmente a isto!

05/08/2009

Porto de Lisboa e Benfica

Foto de northfromhere
A comparação do Miguel é sexy, mas não é exacta. Como toda a gente vê - e a ex-controladora do Ministério da Construção e Obras Públicas escreveu - o Estado concede receitas a privados e assume para si (quer dizer, contribuintes) os riscos. O paradigmático caso do Porto de Lisboa, pelas "cedências do Concedente para realizar este contrato em tempo recorde" tem algumas semelhanças com o Benfica, mas há que assinalar as diferenças, já que o negócio do Porto é muito mais pernicioso para o concedente.
O Porto, como as SCUTs e PPPs de que fala o Miguel, assume riscos que poderiam ser privados e prejudica a sua «bancabilidade», precisando de aval do Estado para financiar obra que vai beneficiar a Liscont.
O Benfica ganha um pouco mais de "espírito-santidade" graças à solidariedade da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que assume o risco sobre o número de benfiquistas que vai largar a Super Bock em favor da Sagres (os portistas não bebem Sagres e os sportinguistas não contam).
O Benfica depende de Jesus para manter viva a "chama imensa" do Espírito Santo, em Sagreadas eucaristias na Catedral. No Porto de Lisboanão há ilusão possível, já todos viram o Coelho Liscondido com rabo de fora.

Empata votos

O chamado "empate técnico" continua a proporcionar títulos interessantes. Desta vez, manchete do Diário Económico:
PS ganha vantagem nos votos mas mantém empate técnico com PSD

Títulos à parte, a figura ao lado mostra que as duas últimas sondagens da Marktest "estão empatadas", i.e. não se vislumbra qualquer evolução significativa no último mês.

Embora inferior à das Europeias, a "abstenção" nas sondagens está acima de 40%, pelo que são de admitir desvios significativos no voto real. Oliveira e Costa queixava-se dos falsos votantes. Irá a Marktest queixar-se dos falsos indecisos? :)

23/07/2009

Arrefecimento global

O Grande Líder, movido pela inesgotável boa energia do ministro dos cornos, vai conseguir «safar» o planeta. O preço a pagar por tão nobre missão é a islandização de Portugal. Dito de outra forma - Portugal vai congelar e «safa-se» quem tiver o mapa dos géiseres.

19/07/2009

As minhas escolhas

Pelas Linhas da Nostalgia
Afrontamento, 14,50€
Não consigo compreender como os políticos de um país falam permanentemente na promoção de transportes menos poluentes, gladiam por projectos «estruturantes» de comboios de alta velocidade e, ao mesmo tempo, decretam ou autorizam a desactivação da rede de caminhos de ferro que tantos sacrifícios custou aos nossos bisavós.

Para quem gosta de caminhar, resta-nos o consolo de trilhar alguns percursos de elevado valor patrimonial e paisagístico. Por enquanto.

15/07/2009

O modelo Dinamarquês

Este post de Sérgio Deusdado suscitou-me a curiosidade de consultar as estatísticas relativas ao peso da receita fiscal na economia. O gráfico abaixo apresenta, no eixo vertical, os valores dessa variável nos países da OCDE, em 2007. Para ver a dinâmica recente, representa-se também o valor de Portugal em 2001. O gráfico confirma a percepção comum: o peso dos impostos em Portugal tem aumentado. Usando uma expressão bem cara a Rui Tavares, dir-se-ia que o agravamento da fiscalidade foi uma das "políticas que nos trouxe a esta crise". Eu não diria tanto, mas digo que o aumento da fiscalidade não nos dotou de ferramentas para sair da crise "por cima".
Ouvido hoje na Comissão de Orçamento e Finanças, o Governador do Banco de Portugal disse que a «consolidação estrutural» das finanças públicas tanto pode ocorrer com elevada fiscalidade (deu o exemplo da Dinamarca) como com uma fiscalidade mais reduzida (deu o exemplo da Irlanda). Foi esta prelecção do sr. Governador ao deputado Frasquilho que me sugeriu a inclusão no gráfico de outra variável, para demonstrar que o "modelo dinamarquês", mesmo sem TGV, só funciona num determinado contexto cultural que não abrange os países latinos nem as antigas "repúblicas democráticas". Essa variável, corrupção percebida, está representada no eixo horizontal em escala inversa, i.e. os países mais corruptos estão à esquerda.

Ao cimo, do lado direito, temos o cluster nórdico. A taxação é pesada, os cidadãos pagam com responsabilidade um Estado que consideram poder controlar democraticamente. Do lado inverso está o México, onde fugir aos impostos é uma virtude, já que o Estado emprega mal, supostamente sujeito a interesses particulares, os impostos que consegue "extorquir" aos cidadãos menos avisados. Curiosamente, o case-study, qual aberração, deveria ser a Suiça - sem se fazer pagar por isso de forma exagerada, a Administração consegue seguir razoáveis padrões éticos!
O que eu temo, na estratégia de sair da crise "por cima", é uma situação idêntica à que descrevi há duas semanas, na comparação dos rankings PISA e FIFA. No futebol, Portugal está a deixar o grupo dos latinos e a nivelar-se pelos nórdicos. Infelizmente, o mesmo não acontece nas competências científicas adquiridas no ensino, onde continuamos bem latinos. Na fiscalidade, existe ambição para chegarmos aos patamares nórdicos, mas no combate à corrupção, sendo muito difícil chegar ao nível da Itália, estamos de olhos postos na Hungria e na Rép. Checa.

09/07/2009

Maioria absoluta?

Na tag Ai os media tenho revelado artigos jornalísticos, nomeadamente com origem na Lusa, que aceitam press releases sobre divulgação de "estudos", frequentemente apresentados como de cariz científico, cujas conclusões são mal fundamentadas em números ou estatísticas. Aos interessados, sugiro a leitura de posts onde declaro como falsos os seguintes títulos:
Três em cada quatro portugueses estão ligados à net
Portugal tem taxas de acesso à Internet superiores à média da União Europeia

Hoje apresento uma situação diferente, mas com génese na mesma facilidade com que a Lusa reencaminha as conclusões dos "estudos" promovidos por qualquer organização. Que falta faz um Gary Langer :)
O Público faz o título Maioria dos juízes não confia no programa informático CITIUS, explicitando depois que «Um estudo da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP) sobre a utilização do CITIUS revela que 60 por cento dos juízes não confia na fiabilidade e segurança do programa» e que «O inquérito, de resposta anónima, foi enviado aos juízes em Maio e Junho, tendo sido consideradas 132 respostas, que representam 13,3 por cento do universo dos magistrados que neste momento trabalham obrigatoriamente com o CITIUS».

O título do Público é válido se se verificarem algumas condições. Se foi seleccionada uma amostra aleatória de 132 juízes do universo de 993 utilizadores do CITIUS. Se os 60% se reportam a uma base de 132. Nesse caso, podemos calcular o intervalo de confiança do estimador da resposta. Tendo em conta a taxa de sondagem (relevante neste caso, porque o universo é um pequeno domínio), para o típico nível de confiança de 95%, a margem de erro seria aprox. 8%, pelo que poderíamos dizer que a percentagem de juízes que "não confiam" se situa entre 52% e 68%.

E se aquelas condições não se verificarem? A minha resposta varia de acordo com a situação. Se o inquérito "foi enviado" aos 993 utilizadores e só responderam 132, o melhor é mandar o "estudo" para a reciclagem. Se "foi enviado" a uma amostra aleatória de n > 132, depende do rácio n/132. Se este valor for grande, seria necessário admitir que a "verdadeira" resposta não difere entre os que responderam e os que não responderam, o que é um pressuposto um bocado violento!

Finalmente, seria necessário ver como foi formulada a questão. O texto diz «não confia na fiabilidade e segurança», ou seja, apresenta a mesma resposta para dois conceitos diferentes. Se houve apenas uma pergunta para ambos os conceitos, é um mau indício.

Gary Langer não daria luz verde à publicação da notícia sem conhecer o questionário e as tabulações absolutas. Eu penso que um bom jornalista não faria aquele título sem se assegurar da qualidade do "estudo". O i optou por uma versão mais 'garantista': Estudo indica que maioria dos juízes não confia no programa informático CITIUS. Melhor teria sido incluir a referência ao promotor do estudo, colocando «da ASJP» entre "Estudo" e "indica", julgo eu, que não sou jornalista.

08/07/2009

(in)Sónias & alucinações

Já escrevi, num post de Maio, que Sócrates se identifica com os portugueses em geral, que «são os que dormem pior por causa da crise». Sócrates não dorme a pensar no (seu?) desemprego.
Na semana passada, o ex-ministro dos cornos, no dia da corrida, revelou-se bastante magoado por não ser devidamente reconhecido pelas suas insónias. Para as documentar, revelou-nos algumas das consequentes alucinações: «se nada se fizer até ao fim do século a temperatura média do planeta aumenta seis graus»; «os nossos bisnetos vão ter de emigrar para outro planeta». Pinho não dormia para «safar» postos de trabalho.

Sócrates e Pinho estão completamente enganados. Vê-se agora que não é com insónia que se «safa» postos de trabalho. Foi a Sónia que safou o do Governador do Banco de Portugal. A dormir nas sessões da comissão de inquérito, enquanto os seus colegas trabalhavam pela noite dentro.

06/07/2009

Diana Mantra Vs Diana Chaves

Faz três semanas que cunhei o termo «efeito Diana Mantra» para designar o cálculo da margem de erro e/ou do intervalo de confiança de uma resposta com base num número de 'respondentes' superior ao que realmente respondeu.
A origem da designação do efeito foi uma troca de comentários com um internauta que assinava com aquele pseudónimo heterónimo neste post. No entanto, o verdadeiro 'pai' do efeito é o bloguista Carlos Santos, já que foi ele que, neste post, calculou de forma errada as margens de erro para as estimativas pontuais da intenção de voto no PS e no PSD, a partir dos resultados publicados de uma sondagem. O facto de o bloguista se apresentar como Doutor em Economia e professor universitário de Economia confere-lhe uma credibilidade relativa a conhecimentos de estatística, a qual poderá ter contribuído para que o referido post tenha sido citado por outros para opinar sobre algo tomado como certo, mas que, afinal, estava errado.

Depois de ter sito instado a esclarecer o efeito (neste comentário), resolvi fazê-lo agora, com recurso a gráficos, na expectativa de que a sua ilustração o torne mais compreensível.
Vou apresentar um exemplo fictício, mas fundado na taxa de não-opinião que deveria ter sido apresentada pelas boas sondagens de intenção de voto nas últimas eleições para o Parlamento Europeu.
Admitamos que foi feita uma sondagem numa amostra de 1000 portugueses, para saber qual das Dianas é mais bela. A resposta (gráfico ao lado) revela uma preferência por Diana Chaves (mais 30 'votos' do que Diana Mantra), mas o dado mais saliente é que quase 2/3 dos inquiridos não revelam opinião, seja porque não sabem qual das duas é mais bonita, qual das duas é mais feia, quem raio será a Diana Mantra... ou, simplesmente, estão-se nas tintas para a pergunta.

Podemos, a partir dos resultados desta 'sondagem', dizer que os portugueses consideram Chaves mais bela do que Mantra? Obviamente, a resposta é não, porque há uma 'maioria qualificada' de portugueses que não se pronuncia. Agora, admitamos que a pergunta não é sobre quem é a mais bela, mas sobre em quem votará num concurso de beleza (e que as respostas são as mesmas). Isto é, vai haver uma eleição e ganha quem tiver mais votos, independentemente de quantos portugueses votarem. Podemos, a partir dos resultados desta 'sondagem', dizer, com 'alguma segurança', que a Chaves é mais votada do que a Mantra?
A resposta consiste na avaliação do seguinte problema: a diferença de três pontos percentuais na amostra é suficientemente grande para se admitir como muito provável que a intenção de voto seja favorável a Chaves na população? Se a amostra for probabilística e se a sondagem cumprir as "boas práticas", poderemos calcular uma margem de erro para a diferença entre Chaves e Mantra e ver se a diferença obtida na amostra é "suficientemente grande", i.e. maior do que a margem de erro. É o que farei mais à frente, considerando que a amostra é aleatória. Antes, irei ilustrar no gráfico abaixo as margens de erro para as estimativas pontuais separadas de Chaves e Mantra, que foi a abordagem utilizada por Carlos Santos.

Os resultados de Chaves estão representados a azul e os de Mantra a rosa. Ao fundo, do lado esquerdo, temos os intervalos de estimação a partir dos resultados brutos. À estimativa pontual soma-se / subtrai-se a margem, que é obtida por 1,96*RAIZQ((p*(1-p)/(n-1))), sendo p a proporção de 'votos' e n o tamanho da amostra. Com p=0,16 e p=o,19, para Mantra e Chaves, respectivamente, e com n=1000, os intervalos de estimação sobrepõem-se, como é visível no gráfico, já que o ponto superior do intervalo de Mantra (18,3%) é maior do que o ponto inferior do intervalo de Chaves (16,6%).

O «efeito Diana Mantra» está assinalado pela seta. Considerando o método de cálculo de Carlos Santos, as proporções de 'votos' são calculadas a partir da amostra de inquiridos com opinião (no=350), mas as margens de erro são calculadas como se toda a amostra tivesse emitido opinião (n=1000). Se n for apenas ligeiramente superior a no, não há problemas de maior com esta forma de cálculo errónea. No entanto, em situações de elevada 'abstenção', como é o caso, utilizar 1000 'respondentes' para avaliar o erro de medida de 350 respostas, é uma barbaridade. Com este "passe de magia", os intervalos de estimação deixariam de estar sobrepostos e Diana Chaves teria razões para estar muito mais contente com estes "resultados" do que Vital Moreira com os resultados das sondagens de Maio.

Na parte superior do gráfico estão os intervalos de estimação dos 'votos' considerando os 'votantes' reais, i.e. n=no=350. As estimativas pontuais são as mesmas, mas as margens de erro são muito superiores, mantendo-se a sobreposição dos, agora larguíssimos, intervalos: Mantra poderia obter entre 40,5% e 50,9%, enquanto Chaves poderia ter entre 49,1% e 59,5%. Estamos em presença dos "intervalos de confiança" de 10% de que se queixava (?) Jorge de Sá.

Para finalizar, apresento o cálculo da margem de erro que é a adequada ao problema, i.e. a margem de erro da diferença entre duas categorias de resposta. Calculando 1,96*RAIZQ((((pM+pC)-(pM-pC)^2))/(n-1)), em que pM representa a proporção de Mantra e pC a proporção de Chaves, pode-se dizer que a diferença entre pC e pM (3%) na resposta à pergunta sobre qual delas é mais bela, é inferior à margem de erro dessa diferença (3,7%), calculada com n=1000. Portanto, no típico nível de confiança de 95%, não se pode garantir que a Chaves seja mais bela.
Também a diferença de 'intenções de voto' nas duas beldades ("esticada" para 8,6% quando se considera apenas respondentes com opinião), é inferior à respectiva margem de erro, calculada com n=350 (10,5%). Portanto, no típico nível de confiança de 95%, não se pode garantir que a população portuguesa tenha maior intenção de votar em Diana Chaves do que em Diana Mantra.