As minhas escolhas

| 7 de Fev de 2010

Este domingo escolhi um blogue que parece que é um Tanque não sei de quê. Já o havia citado aqui, mas, para além dessa penitência, o blogue merece-me ainda duas referências:

  1. A nova área de especialização dum blogger que esteve na berra como Prof. de Economia e Analista de Política Internacional.
  2. Mais um convidado que já revelou ter em comum com o anfitrião o jeito para a estatística.
Boas leituras!

Calhandrices

| 4 de Fev de 2010

Almunia fez afirmações "infelizes e enganadoras" sobre o estado de saúde das contas públicas portuguesas. Tais declarações são, antes de mais, reveledoras do seu próprio estado de saúde - "a necessitar de ir para o manicómio" - o que não impediu que diversos órgãos de comunicação internacionais, numa campanha negra contra Portugal, tenham espalhado estas calhandrices, em benefício dos predadores que ganham com a subida do yield das obrigações portuguesas, a queda do PSI-20 e do Euro e com os valores recorde dos CDS.

As vítimas da surpresa

| 2 de Fev de 2010

O Lacaio-Mor do Reino Governador do Banco de Portugal está continuamente a sentir-se surpreendido. Sem razão, porque todos os factos que tem invocado como surpresa têm sido amplamente divulgados por outros economistas, com a antecedência suficiente para não lhe causar surpresa.
Pensava eu que ele vem manifestando ausência de reacção a estímulos e a contactos sociais, mas, afinal, Constâncio afirmou estar “muito pessimista” depois de ter feito questão de sublinhar que tem sido “surpreendido” por algumas das suas intervenções parecerem ser optimistas, quando não o são.

E o que sinto pelo orçamento são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
Os números custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir

Barris?

| 1 de Fev de 2010

O deputado Acácio Pinto colocou no seu blogue a sua recente "intervenção no Plenário". Não tenho intenção de contestar o que afirmou, embora haja números que carecem de esclarecimento. Só gostaria que me explicasse como podemos nós, pelo aumento da capacidade de produção das barragens, «evitar a importação anual de 3,3 milhões de barris de petróleo», quando as centrais térmicas estão a consumir carvão e gás natural?

Alienistas no Governo

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A ser verdade aquilo que Mário Crespo queria ter publicado num jornal do amigo Oliveira:
«fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”)»
os citados ministros, incluindo o primeiro, parecem partilhar com os ilustres alienistas do PRP a visão segundo a qual só um problema psíquico pode impedir alguém de ver os benefícos das nossas ideias e práticas políticas (ler o meu post de 31 de Janeiro sobre este assunto).
Está quase concluída a fase do empastelamento, o grande desafio que agora se enfrenta é a construção de manicómios com capacidade suficiente para tratar bloggers, jornalistas, comentadores, raters, investidores, alguns deputados da oposição e candidatos presidenciais.

P.S. e, a propósito do PRP, qual a diferença entre este caso do JN e estoutro do Primeiro de Janeiro?

Sócrates não dorme

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Não, caro leitor, não é outra vez a história da insónia por causa do desemprego. Sócrates não dorme enquanto não conseguir limpar a classe dos jornalistas.

As minhas escolhas

| 31 de Jan de 2010

No ano das comemorações do Centenário da República, postarei algumas sugestões de livros que nos ajudam a compreender melhor a sociedade da época, a natureza do golpe e alguns dos protagonistas.
Começo por um que considero bastante interessante e que, embora tendo por objectivo saber o que «significava ser vítima, quem era ela, o que fazia, porque o fora e como era olhada pelos poderes», também permite ao leitor compreender a importância política dos médicos da época e o modo como o "higienismo" influenciou certas concepções políticas e sociais que ajudaram a configurar a I República.

Vítimas e Violências na Lisboa da I República
de Maria Rita Lino Garnel
Imprensa da Universidade de Coimbra, 20€

Esta leitura contribui ainda para conhecer melhor Miguel Bombarda, um dos principais mentores "da República", triplamente homenageado na toponímia da minha freguesia. Cria o médico que a sua classe profissional era a única que poderia regenerar o povo português, graças à aplicação da ciência biológica. Os republicanos eram nacionalistas (patrióticos, para se distinguirem do Partido Nacionalista) e Miguel Bombarda acreditava que se podia provar cientificamente a especificidade do ser português. Os republicanos eram anti-clericais e Miguel Bombarda acreditava que os padres e, muito particularmente, os jesuítas, o eram devido à degenerescência dos respectivos cérebros. Os republicanos eram essencialmente machistas e Miguel Bombarda procurou demonstrar que, por natureza, a mulher tem uma construção cerebral defeituosa.
Detentora de todas as provas científicas da justeza das posições políticas republicanas, a medicina «ousava chamar a si não só a cura dos corpos individuais, mas também a tarefa imensa de regenerar Portugal» (p. 169). Ou, nas palavras do próprio Bombarda (cit. p. 244), «já é grande o papel do médico na sua faina de aliviar o sofrimento, de combater a doença. Mas como ele se não amplifica grandiosamente quando o enfermo é a sociedade inteira e a enfermidade é o erro a extirpar, as ilusões a desfazer, a superstição a esmagar...».
Chegados ao poder, estes eminentes alienistas empregaram-se na prova científica da anormalidade patológica da família real e dum conjunto de patologias das dinastias portuguesas. Infelizmente, os "médicos sociais" enganaram-se no prognóstico e no tratamento aplicado à sociedade portuguesa.