31/08/2009

Influenza Lusa

«Portugal é o segundo país europeu com maior incidência de infecções» é o título de uma notícia da Lusa. Razão para alarme? Não, já que «as contas foram feitas pela agência Lusa com base na listagem de casos divulgados hoje no portal do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças e no número de habitantes dos respectivos países». Como já demonstrei várias vezes neste blogue, os jornalistas portugueses em geral e os da Lusa em particular não sabem fazer contas, por isso não vale a pena ficar preocupado com os seus cálculos.

A notícia em causa remata com a seguinte conclusão: «Apesar de ser o segundo país europeu com maior incidência de infecções de gripe A (H1N1), Portugal não regista casos mortais (...)». Nada que leve o jornalista a duvidar das contas que originaram o título. Não será estranho um país ter grande incidência de infecções e nenhum caso mortal? Serão os portugueses mais resistentes? Será o vírus mais amigável para os lusos? Terão os hospitais portugueses algum remédio secreto desconhecido dos restantes países?

É óbvio que a explicação deve estar nas estatísticas e na falta de conhecimento dos responsáveis pela notícia. É simples e encontra-se nas notas de rodapé das tabelas da OMS: «Given that countries are no longer required to test and report individual cases, the number of cases reported actually understates the real number of cases». Com a propagação da gripe, o número de infecções deixou de ser analisado e controlado, as comparações internacionais só podem ser feitas pela taxa de letalidade, i.e. número de mortes por gripe A por 100 mil hab. Muitos países já não têm números sobre infectados, tendo-se chegado à conclusão de que a taxa de infecção é fortemente subestimada, dado que a maioria dos casos nunca chegam a ser testados, seja pela falta de sintomas, seja porque os infectados não procuram assistência médica.

09/08/2009

As minhas escolhas

Vou de férias mas não levo o jipe, pelo que não vou poder ler. Fiquemo-nos pela música...

As minhas escolhas

O Eco Silencioso
Gradiva, 14,50€

Para quem tiver tempo de ler nas férias, não precisa de jipe para ser transportado.

É uma sugestão de leitura que se deve simplesmente a isto!

05/08/2009

Porto de Lisboa e Benfica

Foto de northfromhere
A comparação do Miguel é sexy, mas não é exacta. Como toda a gente vê - e a ex-controladora do Ministério da Construção e Obras Públicas escreveu - o Estado concede receitas a privados e assume para si (quer dizer, contribuintes) os riscos. O paradigmático caso do Porto de Lisboa, pelas "cedências do Concedente para realizar este contrato em tempo recorde" tem algumas semelhanças com o Benfica, mas há que assinalar as diferenças, já que o negócio do Porto é muito mais pernicioso para o concedente.
O Porto, como as SCUTs e PPPs de que fala o Miguel, assume riscos que poderiam ser privados e prejudica a sua «bancabilidade», precisando de aval do Estado para financiar obra que vai beneficiar a Liscont.
O Benfica ganha um pouco mais de "espírito-santidade" graças à solidariedade da Sociedade Central de Cervejas e Bebidas, que assume o risco sobre o número de benfiquistas que vai largar a Super Bock em favor da Sagres (os portistas não bebem Sagres e os sportinguistas não contam).
O Benfica depende de Jesus para manter viva a "chama imensa" do Espírito Santo, em Sagreadas eucaristias na Catedral. No Porto de Lisboanão há ilusão possível, já todos viram o Coelho Liscondido com rabo de fora.

Empata votos

O chamado "empate técnico" continua a proporcionar títulos interessantes. Desta vez, manchete do Diário Económico:
PS ganha vantagem nos votos mas mantém empate técnico com PSD

Títulos à parte, a figura ao lado mostra que as duas últimas sondagens da Marktest "estão empatadas", i.e. não se vislumbra qualquer evolução significativa no último mês.

Embora inferior à das Europeias, a "abstenção" nas sondagens está acima de 40%, pelo que são de admitir desvios significativos no voto real. Oliveira e Costa queixava-se dos falsos votantes. Irá a Marktest queixar-se dos falsos indecisos? :)