Mostrar mensagens com a etiqueta Números. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Números. Mostrar todas as mensagens
20/06/2012
Amostras
Não sei qual o método de amostragem, mas sei que o tamanho da amostra (56) não permite estas simplistas comparações de género sobre os motivos para o divórcio. Os OCS dão basta relevância a estudos com muitas limitações, mas os investigadores também têm culpa ao permitirem (promoverem?) relevância mediática para quantificações com margens de erro brutais.
10/06/2012
Desemprego diplomado
O GPEARI
divulgou estatísticas sobre o emprego dos diplomados com curso superior, referentes da Dezembro de 2011.
O gráfico abaixo apresenta a taxa de desemprego dos que concluiram um curso universitário (não inclui estabelecimentos politécnicos) entre 2008 e 2011, por área de formação:
Olhando para o gráfico, não consigo compreender como é que a jornalista do Público conseguiu destacar que «Os cursos na área de Ciências Empresariais são os que têm menos saída»???
Compreendo que o MEC queira diminuir vagas para formação de professores, mas devia ser dada maior ênfase à taxa de desemprego dos diplomados em serviços sociais. Quanto à formação em informação e jornalismo, está mais do que provado que a quantidade é muito superior à qualidade.
O gráfico abaixo apresenta a taxa de desemprego dos que concluiram um curso universitário (não inclui estabelecimentos politécnicos) entre 2008 e 2011, por área de formação:
Olhando para o gráfico, não consigo compreender como é que a jornalista do Público conseguiu destacar que «Os cursos na área de Ciências Empresariais são os que têm menos saída»???
Compreendo que o MEC queira diminuir vagas para formação de professores, mas devia ser dada maior ênfase à taxa de desemprego dos diplomados em serviços sociais. Quanto à formação em informação e jornalismo, está mais do que provado que a quantidade é muito superior à qualidade.
24/04/2012
Mania de grandeza
No Manifesto da Associação 25 de Abril pode ler-se que «Portugal é já o país da União Europeia com maiores desigualdades sociais». Esta afirmação contém duas implicações, ambas erradas:
- A desigualdade tem crescido, nos últimos anos, em Portugal.
Errado: tem diminuído (muito menos do que o desejável, mas diminuiu) - A desigualdade em Portugal é a maior da UE.
Errado: além de Espanha, somos ultrapassados neste indicador por Letónia, Lituânia, Roménia e Bulgária, quatro países que beneficiaram de umas décadas de "sociedade sem classes" e outros "ideais"!!! de Abril.
Relação entre o rendimento do 1.º e do 5.º quintis (ordem crescente do amarelo ao vermelho)
03/03/2012
Nem tudo é culpa da troika
Cardiovascular-cause mortality is the most commonly identified health outcome associated with cold weather and is generally observed shortly after cold weather events. Cold temperatures are associated with increases in blood pressure, cholesterol, fibrinogen and erythrocyte counts, which are risk factors for cardiovascular diseases such as myocardial infarction. Cardiovascular diseases account for about 50% of deaths in developed nations, indicating that many people are at risk for cardiovascular events, and, in particular, may be more susceptible to cold weather.
Mortality occurring at the longest lags after a cold wave are associated with respiratory illness. Infectious diseases such as pneumonia and influenza are more common in the winter season and also contribute to cold-weather deaths. Respiratory tract infections are more likely to occur during periods of low temperatures and low humidity. Low temperatures can result in bronchoconstriction and suppress immune system responses, which make one more susceptible to respiratory insult. Incidence of stroke and cerebrovascular-related deaths is higher in winter than other seasons, possibly due to low ambient temperatures leading to increased blood pressure.
Both individual and contextual risk factors contribute to a person's susceptibility to cold weather. Elderly populations are considered particularly vulnerable to cold weather as a person's ability to thermoregulate can become impaired with age. Underlying diseases, such as diabetes, and medications can modify blood pressure, circulation, perspiration rates, and some mental capacities such as warmth perception, thus complicating people's ability to identify when they are experiencing cold. Several reports show that counts of excess winter mortality are higher in people over age 65 living in colder climates.
Cities with mild winter climates see higher all-cause and cause-specific excess mortality associated with increases in cold, suggesting that relative changes in temperature may be a better indicator of mortality than absolute temperatures. City size is also an important marker of vulnerability, as associations between cold and all- and cardiovascular-cause mortality were higher in smaller, rural communities than in larger metropolitan areas. Tolerance to cold weather events may be higher in larger communities due to retention of heat in the built environment, which may create urban heat islands that buffer people's exposure to variability in winter temperatures.
Socioeconomic indicators related to morbidity and mortality do not appear to strongly contribute to a person's susceptibility to cold weather. However, the role of socioeconomic status is not clear as some evidence implies that income disparities and fuel poverty contribute to cold-related mortality. It has been postulated that consistent and regular exposures to cold weather have a protective effect by enhancing a person's resilience (adaptation) to these exposures. Yet, some evidence suggests that vulnerability to cold weather has decreased in recent years, indicating that a combination of biological or behavioral adaptations is needed for preventing mortality related to cold weather.
Resumo: em geral, há uma tendência para diminuir a intensidade dos picos de mortalidade associados ao frio, devido à adaptação comportamental, i.e. maior habilidade para enfrentar o frio. No entanto, actualmente, os efeitos mais acentuados da mortalidade devida ao frio verificam-se: 1) nos países/ regiões temperados, onde a adaptação a temperaturas extremamente baixas é menor; 2) nos países/ regiões mais envelhecidos, porque o efeito do frio na mortalidade é superior na população idosa; 3) nas áreas rurais, onde há uma combinação de menor adaptação, mais envelhecimento e maior distância física, social e cultural no acesso aos serviços de saúde primários.
Mortality occurring at the longest lags after a cold wave are associated with respiratory illness. Infectious diseases such as pneumonia and influenza are more common in the winter season and also contribute to cold-weather deaths. Respiratory tract infections are more likely to occur during periods of low temperatures and low humidity. Low temperatures can result in bronchoconstriction and suppress immune system responses, which make one more susceptible to respiratory insult. Incidence of stroke and cerebrovascular-related deaths is higher in winter than other seasons, possibly due to low ambient temperatures leading to increased blood pressure.
Both individual and contextual risk factors contribute to a person's susceptibility to cold weather. Elderly populations are considered particularly vulnerable to cold weather as a person's ability to thermoregulate can become impaired with age. Underlying diseases, such as diabetes, and medications can modify blood pressure, circulation, perspiration rates, and some mental capacities such as warmth perception, thus complicating people's ability to identify when they are experiencing cold. Several reports show that counts of excess winter mortality are higher in people over age 65 living in colder climates.
Cities with mild winter climates see higher all-cause and cause-specific excess mortality associated with increases in cold, suggesting that relative changes in temperature may be a better indicator of mortality than absolute temperatures. City size is also an important marker of vulnerability, as associations between cold and all- and cardiovascular-cause mortality were higher in smaller, rural communities than in larger metropolitan areas. Tolerance to cold weather events may be higher in larger communities due to retention of heat in the built environment, which may create urban heat islands that buffer people's exposure to variability in winter temperatures.
Socioeconomic indicators related to morbidity and mortality do not appear to strongly contribute to a person's susceptibility to cold weather. However, the role of socioeconomic status is not clear as some evidence implies that income disparities and fuel poverty contribute to cold-related mortality. It has been postulated that consistent and regular exposures to cold weather have a protective effect by enhancing a person's resilience (adaptation) to these exposures. Yet, some evidence suggests that vulnerability to cold weather has decreased in recent years, indicating that a combination of biological or behavioral adaptations is needed for preventing mortality related to cold weather.
Resumo: em geral, há uma tendência para diminuir a intensidade dos picos de mortalidade associados ao frio, devido à adaptação comportamental, i.e. maior habilidade para enfrentar o frio. No entanto, actualmente, os efeitos mais acentuados da mortalidade devida ao frio verificam-se: 1) nos países/ regiões temperados, onde a adaptação a temperaturas extremamente baixas é menor; 2) nos países/ regiões mais envelhecidos, porque o efeito do frio na mortalidade é superior na população idosa; 3) nas áreas rurais, onde há uma combinação de menor adaptação, mais envelhecimento e maior distância física, social e cultural no acesso aos serviços de saúde primários.
Les Misérables
Dum ponto de vista estatístico, não há nada que justifique esta histeria em volta dos picos de mortalidade associados ao frio e às gripes. Admitamos, no entanto, que os miseráveis têm maior probabilidade de morrer por efeito directo ou indirecto do frio: A nossa ira deve ir para quem já não tem dinheiro para garantir o apoio aos miseráveis ou para quem estoirou o dinheiro, ironicamente invocando o argumento de que estava a acabar com a miséria?
12/12/2011
As velhinhas ficam em casa?
Estou à espera que o IPDT divulgue decentemente o seu estudo sobre "O impacto das medidas de austeridade nas intenções de férias dos portugueses". Por enquanto, só tenho acesso a uma notícia mais detalhada no Diário Económico e resumos noutros OCS.
O arremedo de ficha técnica publicado no DE diz que a amostra de 422 entrevistas confere um nível de confiança de 95% - brilhante!!! A iliteracia estatística não dá para mais. Depois diz que «os inquiridos são maioritariamente de Lisboa, são mulheres, casadas e têm entre 61 e 70 anos». Se o objectivo é saber a intenção de férias e entrevistam «maioritariamente» donas de casa com mais de 60 anos, estamos conversados.
Nota para o IPDT: é favor consultar os resultados dos inquéritos às viagens dos residentes (INE) e verificar qual a taxa de partida das mulheres com mais de 60 anos.
O arremedo de ficha técnica publicado no DE diz que a amostra de 422 entrevistas confere um nível de confiança de 95% - brilhante!!! A iliteracia estatística não dá para mais. Depois diz que «os inquiridos são maioritariamente de Lisboa, são mulheres, casadas e têm entre 61 e 70 anos». Se o objectivo é saber a intenção de férias e entrevistam «maioritariamente» donas de casa com mais de 60 anos, estamos conversados.
Nota para o IPDT: é favor consultar os resultados dos inquéritos às viagens dos residentes (INE) e verificar qual a taxa de partida das mulheres com mais de 60 anos.
17/09/2011
Jornalista diplomada nas Novas Oportunidades
Ana Petronilho criou um título noticioso ridiculamente falso:
Portugal é o país da OCDE com mais diplomados no ensino secundário
mas teve o engenho e a arte suficientes para inventar também os dados que sustentariam esta fantasiosa criação:
Agora vamos lá ver qual é a percentagem da «população portuguesa compreendida nas faixas etárias dos 25 aos 34 anos e dos 55 aos 64 anos [que] tinha concluído o ensino secundário», de acordo com dados do tal relatório que a jornalista cita (?):
Portugal é o país da OCDE com mais diplomados no ensino secundário
mas teve o engenho e a arte suficientes para inventar também os dados que sustentariam esta fantasiosa criação:
Em 2009, cerca de 96% do total de população portuguesa compreendida nas faixas etárias dos 25 aos 34 anos e dos 55 aos 64 anos tinha concluído o ensino secundário. São dados do "Education at a Glance 2011", o mais recente relatório da OCDE sobre educação apresentado hoje em Paris. Dados que, para Portugal, representam uma subida de 34 pontos percentuais em relação a 2008.Qualquer jornalista que tivesse obtido um diploma fora das Novas Oportunidades deveria ser capaz de perceber que a percentagem de diplomados na população não pode aumentar 34 pontos percentuais de um ano para o outro!!!
Agora vamos lá ver qual é a percentagem da «população portuguesa compreendida nas faixas etárias dos 25 aos 34 anos e dos 55 aos 64 anos [que] tinha concluído o ensino secundário», de acordo com dados do tal relatório que a jornalista cita (?):
- 48% no grupo etário dos 25 aos 34, muito longe da média da OCDE (81%) e apenas melhor do que México e Turquia (42%)
- 14% no grupo 55-64, estupidamente longe da média (61%) e em último lugar, a 5 pontos da Turquia e a 7 do México
04/07/2011
Deixemos os pentelhos e vamos ao que realmente (não) interessa
Deixemos as questões estatísticas para mais tarde. Para já, vou explicar o que representa esta figura. O eixo horizontal expressa o rácio entre os tamanhos dos dedos indicador e anelar da mão direita de uma grosa de coreanos submetidos a cirurgias urológicas. O eixo vertical expressa o tamanho do pénis esticado, medido quando os mesmos coreanos se encontravam anestesiados.
Agora olhem bem para a figura e digam-me onde raio a TVI foi buscar este título:
«Dedos iguais são sinal de pénis grande»
e o CM esta "explicação":
«o tamanho do órgão sexual masculino pode ser comprovado pelos dedos anelar e indicador: quanto mais parecida for a altura entre estes dois dedos, maior será o pénis do homem».
Obviamente, a figura não "diz" nada disso, "diz" que quanto maior for o anelar, comparativamente ao indicador (esquerda do gráfico), maior "é" o pénis esticado (e não erecto, como escreve o Correio da Manhã).
Vejamos agora as questões estatísticas. A olhómetro é possível verificar que, tirando os outliers do canto superior esquerdo, a relação entre as duas variáveis é bastante fraca. Os autores apresentam uma correlação de -0,216, o que significa que apenas 5% da variação do tamanho dos pénis é "explicada" pelo rácio entre os referidos dedos. Pentelhos, portanto.
Agora olhem bem para a figura e digam-me onde raio a TVI foi buscar este título:
«Dedos iguais são sinal de pénis grande»
e o CM esta "explicação":
«o tamanho do órgão sexual masculino pode ser comprovado pelos dedos anelar e indicador: quanto mais parecida for a altura entre estes dois dedos, maior será o pénis do homem».
Obviamente, a figura não "diz" nada disso, "diz" que quanto maior for o anelar, comparativamente ao indicador (esquerda do gráfico), maior "é" o pénis esticado (e não erecto, como escreve o Correio da Manhã).
Vejamos agora as questões estatísticas. A olhómetro é possível verificar que, tirando os outliers do canto superior esquerdo, a relação entre as duas variáveis é bastante fraca. Os autores apresentam uma correlação de -0,216, o que significa que apenas 5% da variação do tamanho dos pénis é "explicada" pelo rácio entre os referidos dedos. Pentelhos, portanto.
24/06/2011
Eu avisei...
No dia 31-5-2011 previ aqui que «"sondagens" com resultados mirabolantes» sobre as férias dos portugueses iriam ser publicadas pelos OCS... na semana seguinte lá saía o estudozinho dizendo que «só 4,9% dos inquiridos disse que não vai fazer férias fora de casa» e que «mais de um terço dos portugueses entrevistados farão férias fora do país pelo menos uma vez por ano e 13% com mais frequência ainda».
Para ficar com uma ideia de como se chega a esta enorme falsidade, leia um post meu do ano passado.
Passadas duas semanas, os mesmos OCS que não se coibiram de dizer que 95% dos "portugueses" fazem viagens de férias, publicam os resultados de um estudo do IPDT dizendo que «pelo segundo ano consecutivo, mais de metade dos portugueses não vai gozar férias no Verão». No CM ficamos a saber que, afinal, «mais de metade» equivale a «praticamente dois terços» e ficamos a saber algo importante: «dos portugueses que admitem tirar férias no período de Verão, 25,4% vão gozá-las na zona de residência».
Contas feitas, apenas (1-0,638)*(1-0,254) = 27% fazem férias fora da zona de residência. E apenas 24%*27% = 6% viajam para o estrangeiro.
Voltando ao início, estes 6% estimados pelo IDTP são os mesmos "mais de um terço" da Marktest.
Para ficar com uma ideia de como se chega a esta enorme falsidade, leia um post meu do ano passado.
Passadas duas semanas, os mesmos OCS que não se coibiram de dizer que 95% dos "portugueses" fazem viagens de férias, publicam os resultados de um estudo do IPDT dizendo que «pelo segundo ano consecutivo, mais de metade dos portugueses não vai gozar férias no Verão». No CM ficamos a saber que, afinal, «mais de metade» equivale a «praticamente dois terços» e ficamos a saber algo importante: «dos portugueses que admitem tirar férias no período de Verão, 25,4% vão gozá-las na zona de residência».
Contas feitas, apenas (1-0,638)*(1-0,254) = 27% fazem férias fora da zona de residência. E apenas 24%*27% = 6% viajam para o estrangeiro.
Voltando ao início, estes 6% estimados pelo IDTP são os mesmos "mais de um terço" da Marktest.
30/05/2011
Para memória futura
Aos senhores jornalistas:
P.f. leiam esta notícia do Público que diz que «89,5 por cento da procura recaiu sobre destinos nacionais» antes de (re)começar a divulgar "sondagens" com resultados mirabolantes, com afirmações do género «ficar em casa durante as férias é a última opção dos portugueses» ou «mais de um terço dos portugueses continuam a fazer férias fora de Portugal».
É certo que a notícia fala apenas de viagens, dormidas e perfil dos turistas, não apresenta estimativa do número de turistas, mas pode servir como um referencial.
P.f. leiam esta notícia do Público que diz que «89,5 por cento da procura recaiu sobre destinos nacionais» antes de (re)começar a divulgar "sondagens" com resultados mirabolantes, com afirmações do género «ficar em casa durante as férias é a última opção dos portugueses» ou «mais de um terço dos portugueses continuam a fazer férias fora de Portugal».
É certo que a notícia fala apenas de viagens, dormidas e perfil dos turistas, não apresenta estimativa do número de turistas, mas pode servir como um referencial.
23/02/2011
Foguetes
Afinal, os foguetes foram para comemorar o quê?
Alternativas de resposta:
Alternativas de resposta:
- O record atingido pela despesa?
- A inversão de tendência na receita?
- O segundo pior saldo de sempre?
01/02/2011
O peso do ensino privado
Caro Paulo Guinote, com duas variáveis também se consegue uma melhor imagem. Neste caso, com dados do PISA 2009, poderemos relativizar esse papão dos lucros privados pagos com dinheiro dos contribuintes. Como aparte, diria que é interessante ver essa preocupação com o lucro dos colégios e, simultaneamente, a despreocupação com os lucros da J. P. Sá Couto ou das construtoras que andam a "requalificar" o parque escolar...
Há um grande grupo de países (Finlândia, Suécia, Noruega, Alemanha, Holanda, Chéquia, Eslováquia e Eslovénia) onde não há ensino "verdadeiramente" privado, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é público. Por outro lado, Grécia, EUA e R. Unido têm uma posição inversa, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é privado.
Note-se que Portugal está muito próximo da média da OCDE em ambas as variáveis. Note-se ainda que, seguindo essa corrente contra o ensino público em escolas privadas, Portugal aproximar-se-ia da Grécia :)

Há um grande grupo de países (Finlândia, Suécia, Noruega, Alemanha, Holanda, Chéquia, Eslováquia e Eslovénia) onde não há ensino "verdadeiramente" privado, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é público. Por outro lado, Grécia, EUA e R. Unido têm uma posição inversa, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é privado.
Note-se que Portugal está muito próximo da média da OCDE em ambas as variáveis. Note-se ainda que, seguindo essa corrente contra o ensino público em escolas privadas, Portugal aproximar-se-ia da Grécia :)

N.B. Devido à elevada dispersão, o gráfico tem escala logarítmica.
Um gráfico com três variáveis tem mais graça
Paulo Guinote tem-se dedicado a apresentar alguns gráficos com estatísticas sobre sistemas educativos, nomeadamente sobre o papel do sector privado na oferta educativa. Por exemplo, escreveu um post sobre um gráfico romeno que ilustra que Portugal ocupa o «6º lugar num conjunto de 27» países da OCDE representados nesse gráfico, no que respeita ao peso do ensino privado do 1.º ao 12.º ano de escolaridade.
Guinote deu ao post o título «Estas coisas têm a sua graça», mas eu acho que têm mais graça com mais variáveis "ao barulho". Por exemplo, no gráfico abaixo, adicionei os resultados PISA 2009 e o regime constitucional!
Dois factos engraçados:

Guinote deu ao post o título «Estas coisas têm a sua graça», mas eu acho que têm mais graça com mais variáveis "ao barulho". Por exemplo, no gráfico abaixo, adicionei os resultados PISA 2009 e o regime constitucional!
Dois factos engraçados:
- No quadrante superior direito só há círculos azuis.
- No quadrante inferior direito só há países ibéricos.

N.B. Devido à elevada dispersão, o eixo horizontal tem escala logarítmica.
28/01/2011
A "tal" sondagem
Volto à sondagem que tanta polémica provocou na semana passada, para apresentar os resultados brutos e desmentir definitivamente os que alegavam que a amostra seria de 100 (versão do email divulgado neste post) ou 218 (versão Daniel Oliveira). Já se sabia que a amostra era de 802, ficando agora (i.e. desde a divulgação do depósito na ERC) a saber-se que 520 responderam à pergunta abaixo reproduzida, dos quais 498 escolheram um dos candidatos.
A sondagem nada tem de "miraculoso", sendo certo que há uma nítida subrepresentação do candidato do PCP, tal como em eleições anteriores o CDS foi subrepresentado por todas as empresas.
Se neste momento houvesse eleições para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, em que candidato votaria?
A Marktest faz uma ventilação de resultados por quatro variáveis. Uma delas é a intenção de voto se houvesse eleições legislativas, a qual nos dá uma informação bastante útil para quem se admirou com o mau desempenho de Alegre. Dos 89 inquiridos que responderam PS e, simultaneamente, escolheram um dos candidatos à PR, 35 (39%) responderam Cavaco Silva à pergunta acima referida. Mesmo atendendo à elevada margem de erro desta estimativa, não deixa de ser um resultado bastante significativo.
A sondagem nada tem de "miraculoso", sendo certo que há uma nítida subrepresentação do candidato do PCP, tal como em eleições anteriores o CDS foi subrepresentado por todas as empresas.
Se neste momento houvesse eleições para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, em que candidato votaria?
A Marktest faz uma ventilação de resultados por quatro variáveis. Uma delas é a intenção de voto se houvesse eleições legislativas, a qual nos dá uma informação bastante útil para quem se admirou com o mau desempenho de Alegre. Dos 89 inquiridos que responderam PS e, simultaneamente, escolheram um dos candidatos à PR, 35 (39%) responderam Cavaco Silva à pergunta acima referida. Mesmo atendendo à elevada margem de erro desta estimativa, não deixa de ser um resultado bastante significativo.
24/01/2011
Sondagens Vs Votação
Os resultados das sondagens e da votação no Continente, publicados por Pedro Magalhães, podem ser resumidos num gráfico do género do que abaixo publico (os interessados em saber como se produzem e interpretam estes gráficos podem consultar este link).
O resultado mais saliente desta análise, representado no eixo horizontal, é a separação da sondagem da Marktest relativamente a todas as outras, separação essa que se traduz na reduzida intenção de voto que atribuía ao conjunto das três candidaturas de esquerda - Alegre, Lopes e Moura.
No eixo vertical, o que se destaca é o próprio resultado eleitoral, que se afasta da generalidade das sondagens devido à "sobreavaliação" que estas fizeram dos candidatos principais, representados na parte superior do gráfico.

A candidatura de Alegre e, sobretudo, a de Lopes, têm razões de "queixa" da Marktest. Não podem é baseá-las em realidades imaginárias, como o recorrente caso dos estratos regionais utilizados pela empresa, ou uma incorrecta leitura das fichas técnicas. Talvez se possa questionar a utilização de uma base de sondagem de telefones fixos; talvez o método de "tratamento" de brancos e nulos... não sei, mas começar por ler este post poderá ajudar :)
O resultado mais saliente desta análise, representado no eixo horizontal, é a separação da sondagem da Marktest relativamente a todas as outras, separação essa que se traduz na reduzida intenção de voto que atribuía ao conjunto das três candidaturas de esquerda - Alegre, Lopes e Moura.
No eixo vertical, o que se destaca é o próprio resultado eleitoral, que se afasta da generalidade das sondagens devido à "sobreavaliação" que estas fizeram dos candidatos principais, representados na parte superior do gráfico.

A candidatura de Alegre e, sobretudo, a de Lopes, têm razões de "queixa" da Marktest. Não podem é baseá-las em realidades imaginárias, como o recorrente caso dos estratos regionais utilizados pela empresa, ou uma incorrecta leitura das fichas técnicas. Talvez se possa questionar a utilização de uma base de sondagem de telefones fixos; talvez o método de "tratamento" de brancos e nulos... não sei, mas começar por ler este post poderá ajudar :)
21/01/2011
Talvez com um desenho
Essas almas compreendam definitivamente que estão a dizer um enorme disparate quando escrevem (ou divulgam) que «uma amostra que atribui aos residentes do Interior Norte um peso correspondente a quase ¼ da população do país, quando efectivamente o seu peso é de pouco mais do que 1/10».
O assunto não é novo - em 2009 o jovem Cláudio Carvalho tinha espalhado pela blogosfera a mesma barbaridade. Infelizmente, o Cláudio decidiu apagar o seu passado de "Abrantes", colocando o seu site em "manutenção", mas mantêm-se online dois posts que tentam explicar-lhe o seu erro de raciocínio:
Nota para quem tem dificuldades em Geografia: Leiam a definição das regiões Marktest, onde poderão verificar que os concelhos de Barreiro, Moita, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal não pertencem ao Sul, nem à Grande Lisboa.
P.S. Estou espantado - até um site que se diz de Manuel Alegre espalha esta "notícia"!
O assunto não é novo - em 2009 o jovem Cláudio Carvalho tinha espalhado pela blogosfera a mesma barbaridade. Infelizmente, o Cláudio decidiu apagar o seu passado de "Abrantes", colocando o seu site em "manutenção", mas mantêm-se online dois posts que tentam explicar-lhe o seu erro de raciocínio:
- Um neste mesmo blogue
- Outro no Margens de Erro, o blogue de referência em Portugal, para estas matérias.
Nota para quem tem dificuldades em Geografia: Leiam a definição das regiões Marktest, onde poderão verificar que os concelhos de Barreiro, Moita, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal não pertencem ao Sul, nem à Grande Lisboa.
P.S. Estou espantado - até um site que se diz de Manuel Alegre espalha esta "notícia"!
19/01/2011
Índice dum Raio
O Raio considera que o índice despesa pública por habitante é a «forma lógica de ver se o Estado gasta muito ou pouco». Quando lhe disse que seria mais adequado comparar a despesa pública com o PIB, afirmou que isso é «enganador». Logo, depreendo que todas as organizações internacionais que insistem em índices que dividem despesa pública pelo PIB nos querem enganar. Já sei, muitas delas são governadas pelos neoliberais que querem o Estado fora da economia, mas... por que Raio até organizações insuspeitas como o UNDP dividem qualquer tipo de despesa pública (e.g. em I&D, em educação, com as forças armadas...) pelo PIB?
Um índice, mesmo que seja um simples rácio, tem a vantagem de esquematizar a informação, salientar alguns aspectos relevantes e facilitar a comparação de casos. O incoveniente é que, ao reduzir a informação, podemos perder a percepção de alguns efeitos de interacção interessantes. Então, na base da decisão de usar o PIB como denominador, haverá alguma razão mais «lógica» do que a lógica de utilizar a população? Ou é tudo uma "cabala"?
O rácio despesa/PIB "anula" o efeito de dimensão de uma economia, enquanto o rácio despesa per capita "anula" o efeito de dimensão populacional. Faz mais sentido usar um denominador económico do que demográfico, já que é óbvio que uma população "rica" poderá sempre "gastar" mais do que uma população "pobre". Uma economia não pode consumir (sempre) mais do que produz, a não ser que os vizinhos estejam dispostos a financiar infinitamente esse padrão de consumo.
Não contando estas transferências entre vizinhos, a despesa total é igual ao produto. Logo, o rácio despesa pública / PIB é uma forma bastante imediata de comparar o peso do Estado na economia, por exemplo, entre dois países. Dito de outra forma: o produto de uma economia é "gasto" em três rubricas contabilísticas: o consumo das famílias; o consumo do Estado; a acumulação de capital. No entanto, uma parte do consumo das famílias é "sustentada" por transferências do Estado, p. ex. para remunerar os pensionistas por trabalho que eles prestaram anos antes (ou por capital que eles emprestaram à segurança social, é indiferente). Deste modo, para ter uma noção mais aproximada do peso do Estado, o numerador do rácio não conta apenas o consumo final do Estado, mas toda a despesa pública.
Agora com números:
No caso português, em 2009 o consumo final do Estado foi cerca de 36 mil milhões de euros (21% do PIB) e a despesa pública total foi cerca de 81 mil milhões (48,2% do PIB). Estes valores são próximos da média da UE27, respectivamente, 22,5% e 50,8%. Fazendo uma análise evolutiva, constata-se que, na última década, os índices de despesa pública se aproximaram, nalgumas rubricas muito rapidamente, da média europeia. Isto não nos diz se um Estado é mais ou menos "despesista", apenas nos informa sobre o peso do Estado, já que algumas economias confiam mais funções e mais impostos ao Estado, outras menos.
Mas a análise evolutiva diz-nos mais do que isto. Diz-nos que, apesar do consumo final do Estado português ainda ser inferior à média, cresceu mais rapidamente do que o produto, ou seja, a poupança pública bruta degradou-se acentuadamente e atingiu em 2009 o valor negativo de 11 mil milhões (-6,5% do PIB). Ao contrário do que se passa na UE27, esta é a grande fatia das necessidades de financiamento público (16 mil milhões, ou -9,4% do PIB), o que só é possível com o baixo valor da formação de capital público (4 mil milhões), já que o Estado optou por desviar das contas da despesa pública os tais grandes investimentos que fizeram "Avançar Portugal" e que estão aí para alguém pagar nas próximas décadas.
Um índice, mesmo que seja um simples rácio, tem a vantagem de esquematizar a informação, salientar alguns aspectos relevantes e facilitar a comparação de casos. O incoveniente é que, ao reduzir a informação, podemos perder a percepção de alguns efeitos de interacção interessantes. Então, na base da decisão de usar o PIB como denominador, haverá alguma razão mais «lógica» do que a lógica de utilizar a população? Ou é tudo uma "cabala"?
O rácio despesa/PIB "anula" o efeito de dimensão de uma economia, enquanto o rácio despesa per capita "anula" o efeito de dimensão populacional. Faz mais sentido usar um denominador económico do que demográfico, já que é óbvio que uma população "rica" poderá sempre "gastar" mais do que uma população "pobre". Uma economia não pode consumir (sempre) mais do que produz, a não ser que os vizinhos estejam dispostos a financiar infinitamente esse padrão de consumo.
Não contando estas transferências entre vizinhos, a despesa total é igual ao produto. Logo, o rácio despesa pública / PIB é uma forma bastante imediata de comparar o peso do Estado na economia, por exemplo, entre dois países. Dito de outra forma: o produto de uma economia é "gasto" em três rubricas contabilísticas: o consumo das famílias; o consumo do Estado; a acumulação de capital. No entanto, uma parte do consumo das famílias é "sustentada" por transferências do Estado, p. ex. para remunerar os pensionistas por trabalho que eles prestaram anos antes (ou por capital que eles emprestaram à segurança social, é indiferente). Deste modo, para ter uma noção mais aproximada do peso do Estado, o numerador do rácio não conta apenas o consumo final do Estado, mas toda a despesa pública.
Agora com números:
No caso português, em 2009 o consumo final do Estado foi cerca de 36 mil milhões de euros (21% do PIB) e a despesa pública total foi cerca de 81 mil milhões (48,2% do PIB). Estes valores são próximos da média da UE27, respectivamente, 22,5% e 50,8%. Fazendo uma análise evolutiva, constata-se que, na última década, os índices de despesa pública se aproximaram, nalgumas rubricas muito rapidamente, da média europeia. Isto não nos diz se um Estado é mais ou menos "despesista", apenas nos informa sobre o peso do Estado, já que algumas economias confiam mais funções e mais impostos ao Estado, outras menos.
Mas a análise evolutiva diz-nos mais do que isto. Diz-nos que, apesar do consumo final do Estado português ainda ser inferior à média, cresceu mais rapidamente do que o produto, ou seja, a poupança pública bruta degradou-se acentuadamente e atingiu em 2009 o valor negativo de 11 mil milhões (-6,5% do PIB). Ao contrário do que se passa na UE27, esta é a grande fatia das necessidades de financiamento público (16 mil milhões, ou -9,4% do PIB), o que só é possível com o baixo valor da formação de capital público (4 mil milhões), já que o Estado optou por desviar das contas da despesa pública os tais grandes investimentos que fizeram "Avançar Portugal" e que estão aí para alguém pagar nas próximas décadas.
19/12/2010
18/12/2010
Inumeracia?
Sr. deputado,
já lhe disse num comentário anterior que «Houve três testes e apenas no de leitura a média de Portugal é próxima da média da OCDE». No entanto, o nobre deputado insiste em confundir os leitores, ao dizer que Portugal aparece dentro da média da OCDE. Estou à espera que faça os mesmos progressos que fez a jornalista Bárbara Wong.
Cumprimentos.
já lhe disse num comentário anterior que «Houve três testes e apenas no de leitura a média de Portugal é próxima da média da OCDE». No entanto, o nobre deputado insiste em confundir os leitores, ao dizer que Portugal aparece dentro da média da OCDE. Estou à espera que faça os mesmos progressos que fez a jornalista Bárbara Wong.
Cumprimentos.
11/12/2010
PISA mining
José Manuel Fernandes compara (aqui) as médias dos testes PISA 2009 entre o ensino público e o ensino privado, atribuindo às escolas privadas um desempenho indubitavelmente superior. A realidade é um bocadinho mais complexa. O que o gráfico abaixo demonstra é que há dois grupos de escolas privadas: 1) as "independentes", i.e. cuja dependência de financiamento público é inferior a 50%, com resultados significativamente melhores; 2) as "dependentes", i.e. com financiamento maioritariamente público, cujos resultados não são significativamente diferentes dos das escolas públicas.
Por outro lado, como JMF reconhece, algumas escolas privadas atraem alunos de estatuto social e económico superior, com as condições para obterem melhores resultados, logo, para uma comparação mais justa, seria necessário controlar o efeito daquela variável. O relatório da OCDE fá-lo (Volume IV), relativamente aos testes de leitura, mas agrupando todas as escolas privadas. Assim, no caso português, as escolas privadas têm mais 28 pontos de média. A diferença baixa para 16 pontos quando se controla o estatuto social, cultural e económico do aluno. No entanto, quando se acrescenta também o efeito do estatuto social, cultural e económico da escola, a diferença reduz-se a 4 pontos e deixa de ser estatisticamente significativa.
Ao nível da OCDE, os resultados indicam que o que pode fazer melhorar o desempenho não é a forma jurídica de escola, pública ou privada, mas, como nota também JMF, os níveis de autonomia e responsabilidade, além de outros factores como o ambiente escolar, também mais favorável nas escolas privadas.
Por outro lado, como JMF reconhece, algumas escolas privadas atraem alunos de estatuto social e económico superior, com as condições para obterem melhores resultados, logo, para uma comparação mais justa, seria necessário controlar o efeito daquela variável. O relatório da OCDE fá-lo (Volume IV), relativamente aos testes de leitura, mas agrupando todas as escolas privadas. Assim, no caso português, as escolas privadas têm mais 28 pontos de média. A diferença baixa para 16 pontos quando se controla o estatuto social, cultural e económico do aluno. No entanto, quando se acrescenta também o efeito do estatuto social, cultural e económico da escola, a diferença reduz-se a 4 pontos e deixa de ser estatisticamente significativa.
Ao nível da OCDE, os resultados indicam que o que pode fazer melhorar o desempenho não é a forma jurídica de escola, pública ou privada, mas, como nota também JMF, os níveis de autonomia e responsabilidade, além de outros factores como o ambiente escolar, também mais favorável nas escolas privadas.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







