08/09/2011

Ignorância cromática

Um jornalista da TSF dizia há pouco que as bolsas europeias seguem em terreno misto -- é mais ou menos o que me acontece a mim desde que começaram as obras para uma estrada nova a 200m da minha casa.
Depois disse algo que me fez soltar a primeira gargalhada do dia: o Dow Jones ontem fechou no verde!

Ó sôr jornalista: http://en.wiktionary.org/wiki/in_the_black

29/08/2011

Polo koñezimento

Este blogue apoia todas as iniciativas que visem promover o conhecimento... com redobrado prazer se for no sentido bíblico da coisa!

Adenda 1-9: Sócrates e Merkel conhecem-se bem.

26/08/2011

A miséria do socialismo

A ler:
Notícias e comentários das últimas horas (...) preconizam transferir recursos dos que sabem criar e gerir riqueza para a Entidade que tem um invejável currículo de destruição de Valor.
A continuar a empobrecer desta maneira o país, sempre por causa do calote das finanças públicas, hão-de explicar depois como irá a economia portuguesa recuperar.
Give liberalism a chance!

Leitura complementar: (um)a definição de socialismo

24/08/2011

Mamografia em Destak

O Destak não será propriamente um OCS de referência, mas isso não o desobriga de cumprir os mínimos no rigor da informação...
A edição de ontem trazia uma pequena notícia «Mamografia posta em causa»:
As mamografias não são necessariamente método de prevenção do cancro da mama. A conclusão é de um estudo feito em seis países da União Europeia, e publicado no ‘British Medical Journal’.
Diz também o estudo levado a cabo na República da Irlanda, Irlanda do Norte, Bélgica, Holanda, Reino Unido e Suécia que a maior taxa de mortalidade causada pelo cancro da mama verifica-se em mulheres com mais de 50 anos e que nunca tinham realizado este tipo de exames.
À primeira vista, há uma contradição entre o título da notícia e a suposta evidência de que a taxa de mortalidade por cancro da mama é maior «em mulheres com mais de 50 anos e que nunca tinham realizado este tipo de exames»!!! Também notei que o Destak considera que a Irlanda do Norte não faz parte do Reino Unido, pelo que a curiosidade me moveu a consultar o artigo do BMJ. Mais do que a mamografia, o que em primeiro lugar se pode pôr em causa é a classificação do Destak como órgão de informação:
  1. O estudo citado não diz que a mortalidade é maior nas mulheres «que nunca tinham realizado este tipo de exames», pelo simples facto de não ter dados que permitam avaliar essa hipótese.
  2. O paper que divulga o estudo refere, por duas vezes, o Reino Unido entre parênteses a seguir a Irlanda do Norte, certamente por considerar que esta pertence aquele. Ficamos ainda a saber que o estudo também foi feito na Noruega, ou seja, afinal o estudo não foi «feito em seis países da União Europeia», mas sim em cinco países da UE mais um fora da UE.
Finalmente, fazendo um serviço público de informação que o Destak não presta, cumpre-me dizer que o estudo não põe em causa a mamografia, simplesmente sugere que esta não é a principal responsável pelo declínio da mortalidade deste tipo de cancro - os principais responsáveis são a evolução dos meios de tratamento e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

21/08/2011

As minhas escolhas

Desta vez não escolho um livro, mas uma livraria. Chegou há dias à minha caixa do correio a minha primeira compra à Better World Books. O livro que veio morar comigo pertenceu a uma biblioteca universitária e tinha sido requisitado apenas quatro vezes nos seus 55 anos de vida. Ele próprio me escrevera duas semanas antes, contente por vir para Portugal. Espero que ele não me leve a mal por reproduzir aqui parte do email:
You could have picked any of over 2 million books but you picked me! I've got to get packed! How is the weather where you live? (...) Just five months ago, I thought I was a goner. My owner was moving and couldn't take me with her. I was sure I was landfill bait until I ended up in a Better World Books book drive bin. Thanks to your socially conscious book shopping, I've found a new home.
Da livraria tenho a declarar um serviço irrepreensível e... rápido!... atendendo à distância e ao baixíssimo custo de transporte. No total, livro, embalagem e transporte custaram-me nove dólares!

19/08/2011

Qual é a fraude?

Fraude é alguém utilizar o seu estatuto de professor universitário para divulgar uma opinião contrária a todas as evidências empíricas dos estudos de economia da educação e dos relatórios das mais variadas organizações que por todo o mundo têm estudado os benefícios económicos, para os diplomados e para os contribuintes, do ensino superior.
Não nego que a educação gratuita seja um importante recurso político para benefício dos que exercem o poder. Também não nego que tenha alguns efeitos perversos, nomeadamente no desempenho académico. Defendo até que os beneficiários deverão assumir uma maior fatia dos custos que são suportados pelos contribuintes. Mas nada disso permite negar a evidência de que, em média, um diplomado com curso superior terá ao longo da vida um rendimento superior ao que teria se se ficasse pelo ensino secundário. Essa evidência é válida para todos os países onde têm sido feitos estudos sobre o assunto, nomeadamente em TODOS os países da OCDE.
Deixo ao senhor Professor Doutor Nuno Monteiro a mais recente estimativa dos benefícios de ter um curso superior no país onde ele dá aulas. O Valor Actual Líquido de tirar um curso numa universidade menos competitiva varia entre 200 e 300 mil dólares; para os que conseguem um curso numa universidade mais competitiva, o VAL supera o meio milhão de dólares.
Lá como cá, há licenciados em caixa de supermercados. Isso não significa que eles acabam, mas sim que iniciam aí a sua actividade... ao longo da vida, terão sempre melhores oportunidades e maiores salários.

Fonte: de Alva, J. K., & Schneider, M. (2011). Who Wins? Who Pays? The Economic Returns and Costs of a Bachelor's Degree: American Institutes for Research.