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22/05/2011

Esta sondagem devia ter mais destaque noticioso

Diz Pedro Magalhães. E eu concordo em abslouto. Além de "cruzamentos disto com identificação partidária, posição ideológica, intenção de votar e intenção de voto", gostaria também de saber qual a parte do universo de eleitores que viu o debate.

28/01/2011

A "tal" sondagem

Volto à sondagem que tanta polémica provocou na semana passada, para apresentar os resultados brutos e desmentir definitivamente os que alegavam que a amostra seria de 100 (versão do email divulgado neste post) ou 218 (versão Daniel Oliveira). Já se sabia que a amostra era de 802, ficando agora (i.e. desde a divulgação do depósito na ERC) a saber-se que 520 responderam à pergunta abaixo reproduzida, dos quais 498 escolheram um dos candidatos.
A sondagem nada tem de "miraculoso", sendo certo que há uma nítida subrepresentação do candidato do PCP, tal como em eleições anteriores o CDS foi subrepresentado por todas as empresas.
Se neste momento houvesse eleições para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, em que candidato votaria?
A Marktest faz uma ventilação de resultados por quatro variáveis. Uma delas é a intenção de voto se houvesse eleições legislativas, a qual nos dá uma informação bastante útil para quem se admirou com o mau desempenho de Alegre. Dos 89 inquiridos que responderam PS e, simultaneamente, escolheram um dos candidatos à PR, 35 (39%) responderam Cavaco Silva à pergunta acima referida. Mesmo atendendo à elevada margem de erro desta estimativa, não deixa de ser um resultado bastante significativo.

24/01/2011

O que separa o PS do BE

É Defensor de Moura!

Paulo Pedroso: «Foi um dos agentes que mais contribuiram para que a campanha fosse feia e baixa. Talvez tenha sido o maior credibilizador de José Manuel Coelho

Daniel Oliveira: «Fez uma das melhores campanhas destas presidenciais. Os votos que teve, quando comparados com os de Coelho, são a demonstração de que não é por falta de seriedade que candidatos têm maus resultados

Sondagens Vs Votação

Os resultados das sondagens e da votação no Continente, publicados por Pedro Magalhães, podem ser resumidos num gráfico do género do que abaixo publico (os interessados em saber como se produzem e interpretam estes gráficos podem consultar este link).
O resultado mais saliente desta análise, representado no eixo horizontal, é a separação da sondagem da Marktest relativamente a todas as outras, separação essa que se traduz na reduzida intenção de voto que atribuía ao conjunto das três candidaturas de esquerda - Alegre, Lopes e Moura.
No eixo vertical, o que se destaca é o próprio resultado eleitoral, que se afasta da generalidade das sondagens devido à "sobreavaliação" que estas fizeram dos candidatos principais, representados na parte superior do gráfico.

A candidatura de Alegre e, sobretudo, a de Lopes, têm razões de "queixa" da Marktest. Não podem é baseá-las em realidades imaginárias, como o recorrente caso dos estratos regionais utilizados pela empresa, ou uma incorrecta leitura das fichas técnicas. Talvez se possa questionar a utilização de uma base de sondagem de telefones fixos; talvez o método de "tratamento" de brancos e nulos... não sei, mas começar por ler este post poderá ajudar :)

30/10/2010

Um Nobre às direitas?

Esta sondagem da Aximage desdobra as intenções de voto nos candidatos presidenciais em função do voto declarado nas legislativas de 2009. Através de uma técnica estatística bastante simples, é possível traduzir esse desdobramento num plano, como no gráfico abaixo.
A visualização do gráfico permite constatar algumas evidências:
  1. Os eleitores do PSD são os que têm uma inclinação mais clara por um candidato.
  2. Alegre tem uma boa posição nos três partidos da esquerda.
  3. Cavaco domina no PSD, tem uma posição confortável no CDS e posições bastantes razoáveis nos partidos da esquerda.
  4. O candidato que uma facção do PS lançou para fazer frente ao candidato apoiado pelo PS, está mais próximo, afinal, do CDS e do... BE.
  5. Pelo posicionamento no gráfico (especialmente tendo em conta que o eixo horizontal é muito mais importante), Nobre poderia ser uma ameaça para a previsível vitória de Cavaco e nunca uma ameaça para Alegre.

12/10/2010

15/03/2010

Eleitores do Carregal - de 1878 a 1915

A manipulação simplista oficial da História da I República costuma equiparar as Revoluções de 1910 e 1974, como se ambas tivessem derrubado uma ditadura e instituído uma democracia.
Uma forma fácil de destruir este mito é provar que o direito de voto era mais alargado na Monarquia Constitucional do que foi na I República. O gráfico ao lado mostra a redução do direito de voto no meu concelho, Carregal do Sal.
As colunas representam, no eixo da esquerda, o número de recenseados. No entanto, face ao crescimento populacional, é mais preciso analisar as taxas de recenseamento, i.e. a proporção da população que constava nos cadernos eleitorais (eixo da direita).
A linha vermelha mostra a percentagem da população maior de 21 anos que estava recenseada - passou de cerca de 20% no tempo da monarquia para cerca de 10% na República. Atendendo a que, de facto, na Monarquia e de direito, na República, só os homens votavam, compreende-se melhor o efeito considerando apenas a proporção de recenseados entre os varões maiores de 21 - passou de 1/2 na Monarquia para menos de 1/3 na República.
A lei eleitoral da República instituiu o sufrágio capacitário - além de outros requisitos, era obrigatório ser do sexo masculino, saber ler e saber escrever português. A elevada feminização da população, devida à emigração, e o considerável analfabetismo, mesmo entre os varões, penalizaram a representação eleitoral de concelhos rurais, como o Carregal. Em 1915, estimou-se que residissem no concelho 14.000 pessoas, das quais 2.836 eram varões maiores de 21. Destes, apenas 1.324 sabiam ler e escrever. Outros impedimentos legais e alguns expedientes administrativos reduziram o número efectivo de recenseados para 914. Votaram 588.

14/03/2010

Foi você que viu... um porco a andar de bicicleta?

Eu não vi, mas ouvi Victor Correia dizer que viu e, desde então, a minha sensibilidade à "incredulidade" e à "estupefacção" diminuiu consideravelmente.
Pouco importa se Canas, a voz do dono que, em si mesmo, representa todas as dificuldades que um membro de um partido tem para criticar abertamente o líder, esteja farto de ver porcos ciclistas. O que importa é que 352 delegados (praticamente 2/3 dos votos) ao Congresso do PSD votaram favoravelmente «a proposta relativa às sanções aos militantes que tomassem posições contra o partido nos 60 dias imediatamente anteriores à realização de eleições».
Para o André Freire: com ou sem directas, os militantes partidários facilmente aplaudem as acrobacias velocistas dos Sócrates e Santanas da nossa democracia.
Imagem: Cata-vento de Barry Norling

13/01/2010

Desanda

Estamos em 2010 e o PS do Carregal do Sal não consegue andar para lá das autárquicas de 2009! Volta e meia, desanda para Outubro de 2009. O regresso mais recente é uma crónica Andante de um crónico dirigente da concelhia (link para o Farol da Nossa Terra).
A tese principal de José Craveiro é a de que a lista do PSD para a AM perdeu votos relativamente à lista para a CM. Pelo enquadramento histórico - que o próprio resumidamente faz, mas que, em devido tempo, foi feito em detalhe por Jorge Saraiva no Defesa da Beira - torna-se difícil estabelecer se a diferença sistemática de votos entre as duas listas do mesmo partido se traduz em perda de votos da AM relativamente à CM ou em ganho de votos da CM relativamente à AM. Muitos dirão que é indiferente, mas não o é, nem para as conclusões e insinuações da crónica Andante, nem para a interpretação dos resultados que eu fiz e publiquei (uma primeira abordagem em 13-10-2009 e uma segunda, em resposta a um trabalho de Lino Dias, em 20-10-2009).
Nesses artigos, sustentei a minha análise em factos que são descortináveis pela inclusão dos resultados para as Assembleias de Freguesia:
  1. Historicamente, a votação do PSD para a AM fica sempre entre as votações para a AF e para a CM. No ciclo descendente do PSD (i.e. de 2001 para 2009), a fuga de votos foi menor na AM (812) do que na CM (820) ou nas AFs (968).
  2. Em 2009, o PSD perdeu claramente para o CDS as votações para a AF nas secções de voto de Fiais e Parada, onde recuperou muitos votos para a AM e ainda mais para a CM.
  3. Na comparação entre votações para AM e AFs, pode dizer-se que a lista do PSD à AM "ganhou" 205 votos, enquanto a do PS "perdeu" 159 e a do CDS "perdeu" 172.

Tal como o dito trabalho de Lino Dias, esta crónica Andante aposta no menosprezo do resultado da lista do PSD à AM e pretende insinuar "ironias no destino" na eleição democrática da Mesa da Assembleia, a coberto de uma errada "matemática eleitoral". Conhecimentos básicos de "sociologia eleitoral" permitiriam dar mais crédito à hipótese de que, tal como em eleições anteriores, o presidente recandidato conseguiu mais votos do que a lista do seu partido à AM (a maioria no espaço do CDS, mas também alguns no espaço CDU), em vez dessa hipótese mais conveniente de que os eleitores «recusam o candidato à Assembleia Municipal».
Quanto ao resto, Craveiro comete o mesmo erro de apreciação que já li / ouvi a dois elementos da bancada do PS na AM - uma suposta necessidade de que um candidato (especificamente, o 1.º) da lista mais votada seja o presidente da AM, para que seja respeitada a «vontade dos eleitores». Exponho os meus comentários relativamente a este erro:
  1. A eleição para a AM não exprime a «vontade dos eleitores» em relação ao Presidente da Assembleia. Nos casos da AF e CM, embora votem em listas, os eleitores sabem que estão a escolher também o Presidente. No caso da AM, os eleitores sabem - ou deviam disso ser informados - que estão apenas a votar uma parte (no nosso município, corresponde a 75%, mas há alguns em que corresponde a pouco mais de 50%) dos membros da AM. A outra parte é composta pelos Presidentes de Junta, membros de direito tão pleno quanto o dos eleitos directamente. Dessa igualdade de direitos, decorre imperiosamente que o Presidente só pode ser eleito indirectamente, pelos membros que compõem o órgão.
  2. A «vontade dos eleitores» (relativamente aos membros eleitos directamente) traduziu-se num resultado de 'apenas' 45% na lista mais votada (considerando apenas os votos nas listas). Os restantes votaram noutras três listas e, seguindo arrazoado semelhante ao de José Craveiro, poder-se-ia dizer que a sua vontade não seria eleger nenhum membro do PS para a Presidência do órgão. O PSD e o CDS congregam 53% dos votos em lista, 52% dos membros eleitos directamente e 54% da Assembleia.
  3. Os membros da AM, quer os directamente eleitos, quer os Presidentes de Junta, têm o dever de assumir todas as responsabilidades que lhes foram delegadas pelos eleitores. Não foram eleitos para fazer conjecturas sobre alegadas vontades que o voto não permite manifestar. Foram eleitos para, em cada momento, confortáveis com a sua consciência, decidir o que é melhor para a governação do Município. Só pode ter sido isso que fizeram os 28 deputados que votaram entre as duas listas levadas a sufrágio secreto, no acto eleitoral que, volta e meia, desanda no PS.

20/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal - 2

O trabalho de Lino Dias sobre os resultados eleitorais no concelho do Carregal do Sal, publicado na última edição do Defesa da Beira (e disponível online no Farol da Nossa Terra) suscita-me uma adenda à análise que aqui publiquei no passado dia 13.
Diz Lino Dias: «No tocante à Assembleia Municipal, o demérito do PSD estará na liderança da lista por Artur Jorge Saraiva (...). Sendo o líder da lista do PS à Assembleia Municipal o mesmo de há quatro anos atrás, altura em que José Manuel Canavarro o superou com uma diferença de 1066 votos, Carlos Jorge Gomes (2596 votos) viu a sua ascensão agora mais facilitada com a candidatura de Artur Jorge Saraiva (2403 votos) neste seu regresso ao PSD.»

Caro Lino Dias: como quantificou o efeito negativo da liderança da lista por Artur Jorge Saraiva? Se, repito, se o diferencial de votos no PSD para a Câmara e para a Assembleia pudesse ser atribuído ao cabeça de lista, usando o seu raciocínio na referida notícia, então ele seria responsável pela perda de 74 votos. De 2005 para 2009, o PSD perdeu 661 votos para a Assembleia, mais 74 do que os 587 que perdeu para a Câmara.
Desde que Atílio Nunes é candidato pelo PSD, a lista para a Câmara teve sempre mais votos do que a lista para a Assembleia. Este ano foram 230, mais do que os 156 de há quatro anos, mas ao mesmo nível do que ocorreu em 2001 (238) e abaixo do que se tinha verificado em 1997 (361). Como vê, parece-me uma grande injustiça afirmar que, se a lista tivesse sido encabeçada por outrém «o descalabro não teria acontecido ou, pelo menos, não teria sido tão frustrante».

Do ponto de vista do PSD, a mim parece-me muito mais "frustrante" o resultado nas Assembleias de Freguesia. Se eu quisesse utilizar o mesmo tipo de lógica que usou na sua análise, poderia dizer que Artur Jorge Saraiva "conseguiu" mais 205 votos do que os candidatos às Assembleias de Freguesia! Na análise que publiquei na semana passada, é bem evidente que a grande derrota do PSD é nas Freguesias. Na votação para a Assembleia Municipal, enquanto o PSD "recupera" 205, o CDS perde 172 e o PS perde 159.

Para além de Currelos e Papízios, o PS foi o partido mais votado para a AF nas secções de Vila Meã, Alvarelhos, Travanca e Pardieiros (ver gráfico abaixo). O CDS foi mais votado em Fiais e Parada, secções onde o partido mais votado para a AM foi o PSD. A "recuperação" de votos para a AM, relativamente às AF (eixo vertical), foi, obviamente, mais expressiva nas secções onde a % obtida na AF (eixo horizontal) foi menor (à excepção de Papízios). Mas foi também assinalável em secções com votações mais equilibradas, designadamente Travanca e Pardieiros, e até naquelas onde o PSD ganhou a AF, à excepção de Cabanas-1 (Sobral não conta, porque não houve lista do CDS para a AF).


Adenda 21-10-2009 10:30: Para clarificar o que escrevi no 2.º parágrafo, acrescento este gráfico com a votação nos três órgãos autárquicos nas cinco eleições em que Atílio Nunes encabeçou a lista do PSD. Visualizando a evolução negativa da votação nas duas últimas eleições, não me parece que tenha fundamento a ideia de que o decréscimo foi particularmente acentuado na votação para a Assembleia Municipal.

13/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal


O gráfico acima apresenta o número de votos na eleição dos três órgãos autárquicos e na eleição para a Assembleia da República (AR), no concelho de Carregal do Sal.
Os resultados mostram que muitos eleitores distinguem as votações para os diferentes órgãos, mesmo quando elas se realizam em simultâneo.
No que respeita aos órgãos autárquicos, o PS e o CDS atingiram as votações máximas nas assembleias de freguesia (AF) e as mínimas na Câmara Municipal (CM). Com o PSD, aconteceu precisamente o inverso.

O PSD conseguiu mais 231 votos na CM, relativamente ao resultado da votação para a Assembleia Municipal (AM). A maior parte desses votos (127) "chegou" do CDS - um em cada cinco eleitores que votou CDS para a AM terá votado PSD para a CM. Esta transferência CDS --> PSD foi mais significativa nas secções de voto de Parada, Fiais, Alvarelhos e Travanca.
Em números relativos, a mais significativa transferência registou-se nos votos brancos - houve 175 votos brancos para a AM e apenas 116 para a CM, o que equivale a uma "perda" de 1/3 dos votos brancos, presumivelmente transferidos para a lista do PSD.
A CDU (não representada no gráfico) obteve menos 29 votos para a CM do que para a AM, correspondendo a uma "perda" de 1 em cada 4.
Finalmente, a "contribuição" dos votantes PS na AM para a vitória do PSD na CM é de apenas 24 votos, o que corresponde a 1%.

02/10/2009

Grandes investimentos - II

Mais uma prova de que é preciso ter muito cuidado na análise dos grandes investimentos:

A gamela de Elisa Ferreira foi um investimento de 395 mil euros e só tem um período de vida útil de três meses?

Margens de Erro - versão Marktest

A Marktest.com é um concorrente de peso ao blogue Margens de Erro, apresentando dossiês de clipping sobre as sondagens publicadas (legislativas; autárquicas) e uma boa análise da comparação entre sondagens e resultados eleitorais. Além do mais, a ficha técnica publicada no site tem uma informação bastante esclarecedora.

Dito isto, era escusado que Bárbara Gomes tivesse borrado a pintura: «No caso da última sondagem da Marktest divulgada nessa semana, podemos verificar que os resultados eleitorais alcançados, todos eles sem excepção, estavam compreendidos dentro das margens de erro apresentadas». Em primeiro lugar, as margens de erro estão mal calculadas, apresentando valores iguais para todos os partidos, o que é, obviamente, uma impossibilidade. Em segundo lugar, apresentando intervalos com uma largura de sete pontos percentuais, mal feito fora que os resultados não ficassem lá dentro! :)

Já que, partindo da sondagem, a Marktest produziu uma projecção de resultados, é correcto fazer uma "análise de desvios" e compreender por que o desvio é maior na projecção do que nos resultados brutos da sondagem.

01/10/2009

27 de Setembro Sempre! Neoliberalismo Nunca Mais!

Caros André Freire e Rui Tavares: o PS é de esquerda ou não é de esquerda?
Se é, então o apelo à estabilidade governativa é inútil. Um partido de esquerda esteve os últimos quatro anos e meio no Governo, com todas as condições para não ter conformado as suas políticas à «hegemonia neo-liberal». Maior estabilidade governativa seria difícil.
Se não é, então o apelo à estabilidade governativa "à esquerda" é fantasioso. E os argumentos numéricos sobre a «vontade eleitoral» do «povo português» são fraquíssimos.

Na verdade, a direita (PSD+CDS) terá nesta legislatura mais 16 ou 17 deputados do que na anterior. A única maneira de dizer que o eleitorado "virou à esquerda" é excluindo o PS da esquerda. Note-se que o PS perdeu meio milhão de votos. BE+CDU ganharam 200 mil. Onde foram parar os outros 300 mil?

As dificuldades em compreender a «vontade eleitoral» são bem evidentes neste post de um aventor. Primeiro, soma PS+BE+CDU, o que dá «Uma esmagadora maioria». Depois reconhece que o PS não é todo de esquerda, o próprio Sócrates não dá muito jeito para uma coligação à esquerda... mas isso não impede João Paulo de concluir «sei é que Portugal votou para ter um governo de esquerda».

Eu dou bastante importância aos números e só acredito quando alguém apresentar uma estimativa credível de quantos dos dois milhões de votos no PS traduzem uma «vontade eleitoral» contra os «preconceitos ideológicos do Sr. Van Zeller». Eu já contabilizei um voto no PS a favor de Van Zeller! :)

Acho louvável o apelo para que «as esquerdas se encontrem e sejam capazes de explicitar o contributo que cada um destes partidos está disposto a dar para se encontrar uma solução estável de governo». Se a Constituição é para manter, então é o Parlamento que deve ser a fonte de legitimidade do Governo e seria muito bom que os partidos se habituassem a negociações e compromissos no Parlamento em favor da estabilidade governativa. No caso concreto, seria até bastante interessante dar aos deputados eleitos pelo PS a responsabilidade de se pronunciarem sobre a melhor solução de governo. Nunca esquecendo que, de acordo com a mesma Constituição, cabe ao PR um papel que não caberia a um Rei!!! Repito, acho o apelo louvável. Mas não posso compreender que o queiram fundamentar numa aritmética que soma os votos no Partido de Sócrates para a esquerda, mas subtrai as políticas do Governo de Sócrates para a direita.

25/09/2009

Grandes investimentos

Durante o Verão ouviu-se muito a ideia segundo a qual esquerda e direita se distinguem porque uns são a favor de grandes investimentos públicos, outros nem por isso.
O gráfico abaixo reforça esta ideia - é tremendamente nítida a separação entre os partidos da direita (à esquerda no gráfico) e os da esquerda (à direita no gráfico). Separação em quê? No custo de cada deputado eleito para o Parlamento Europeu nas eleições de Junho passado. Enquanto Rangel custou 208.830€ (ou seja, 120 mil embalagens de Maizena), os deputados da CDU custaram quase 510 mil euros cada.
O custo por mandato é representado pelo eixo da direita. O eixo da esquerda representa os valores totais da campanha, reais e orçamentados. Aqui, a grande distinção é entre o PSD, que gastou bastante menos do que o orçamentado, e o PS, que "investiu" 82% mais do que o orçamentado. Isto é, para fazer AVANÇAR VITAL, o PS investiu à grande, investiu 395 mil euros, quando tinha prometido fazer a coisa por 170 mil. Já todos (?) percebemos a grande asneira que foi o investimento neste activo tóxico que Sócrates nos tentou impingir. Espero que tenha servido de lição.


Fontes: valores retirados do Tribunal Constitucional; análise inspirada num post de Pedro Magalhães e numa notícia de Santos Costa.

Eleições intercalares?

Quem não é por nós está contra nós!

Esta é uma interpretação Vital das declarações do rosto da última derrota do Partido Sócrates. Segundo o Público, "o constitucionalista" disse à Rádio Clube «que o PS não deve ceder à oposição e que se tiver dificuldades em aprovar os orçamentos e em conseguir “maiorias de geometria variável” é preferível clarificar a situação com novas eleições para perceber “se deve governar quem ganhou as eleições ou se devem governar as oposições coligadas”».

Portanto, para evitar novas eleições, segue-se já a orientação do "constitucionalista": quem deseja uma coligação entre o Partido de Sócrates e "as esquerdas", só tem de votar PSD. Se este ganhar as eleições, governam as oposições coligadas.

18/09/2009

Bola na mão ou mão na bola?

O Tribunal de Tabuaço não deu razão a queixa do PS relativa à candidatura de um agente da PJ a um órgão autárquico, entendendo que a PJ é «um órgão de polícia criminal auxiliar na administração da justiça e não uma força de segurança». O Tribunal Constitucional recusa recurso do PS, por este não ter reclamado antes ao Tribunal de Tabuaço.

O Tribunal de Castelo de Paiva proibiu um inspector da PJ de integrar a lista para a Câmara, por entender que ele está ao serviço de uma "força de segurança". O Tribunal Constitucional confirmou esta decisão.

Qual dos tribunais está a fazer o papel de Pedro Henriques?