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21/12/2011

A beleza (e a estupidez) da simplicidade

Esta ideia é extremamente bela:

É injusto pedir aos contribuintes, que na sua maioria não têm as suas profissões de sonho, que continuem a abdicar dos seus subsídios de Natal para que vocês possam ter uma profissão que não satisfaz nenhuma outra necessidade para além da vossa própria realização pessoal.
Vamos lá pensar um pouco: Para além dos agentes do fisco, sem os quais não haveria contribuintes, que outras profissões devem os contribuintes pagar? Talvez CGP condescenda que os políticos, militares, juízes, polícias... sejam pagos pelos contribuintes. E os médicos? Talvez, se satisfizerem necessidades de contribuintes saudáveis (chamemos-lhe medicina preventiva). Bombeiros? Podemos pagar aos voluntários com reconhecimento social, a somar à realização pessoal já deve dar uma boa recompensa. Quanto a filósofos e cientistas, ou vendem os seus serviços a privados, ou vendem outros serviços em part-time, ou têm "pais ricos", como o filho da D. Maria Adelaide de Carvalho.

Agora mais a sério: Descontando casos patológicos, eu creio que é impossível alguém sentir-se realizado por exercer uma actividade que "não satisfaz nenhuma outra necessidade". Parece-me que o ponto de discussão não é se os crontribuintes devem pagar "profissões de sonho", mas qual o nível de oferta dessas profissões, pago pelo contribuinte, que é razoável ou sustentável. Se os contribuintes pagassem as actividades dos melhores cientistas, filósofos, professores, médicos, economistas, etc. não dariam por mal empregado o seu dinheiro.

16/05/2011

As minhas escolhas

Só tomei contacto com a escrita de Rentes de Carvalho após ele me ter sido apresentado pelo "Artur júnior", numa das minhas excursões à posta e ao tinto do Douro Superior -- isto faz-me lembrar Barthes, mas adiante! O que vos quero mostrar são dois excertos da escrita de Rentes disponíveis na net. O primeiro é de 1997 e integra uma obra colectiva oferecida a Delors:
As especiarias e o ouro eram nesse tempo, como os subsídios o são agora, a principal fonte de receita do país. Fontes aleatórias, por não dependerem de um esforço de produção ou de um planeamento, mas de situações circunstanciais e, em ambos os casos, sujeitas a influências e interesses que de longe excediam, e excedem, os de Portugal como nação.
(...) Não duvido de que a torneira dos subsídios continu­ará aberta, pelo menos durante algum tempo, e que daí ocorrerão benefícios. Todavia, se considero a evolução de Portugal durante a última década, logo a pergunta se põe: benefícios para quem? E a resposta é a mesma que se dava no século dezasseis: benefícios para os detentores do poder. Nesse tempo a casa real e a nobreza­, hoje os políticos, os burocratas e a burguesia.
O segundo é fresquinho, publicado ontem no seu blogue:
Apresenta-se ao lacaio uma evidência em contrário dos actos e factos do adorado? Cem evidências? Mil? Reage ele com um desdenhoso piparote dos dedos manicurados, e um ainda mais desdenhoso arreganhar dos beiços. Porque só verme recusa compreender as beneméritas intenções do Máximo, é preciso ser-se escória para desdenhar da grandeza dos seus planos, da argúcia que usa ao leme da caravela que, fôssemos melhores e mais agradecidos, há muito nos teria levado a bom porto.

21/01/2011

Talvez com um desenho

Essas almas compreendam definitivamente que estão a dizer um enorme disparate quando escrevem (ou divulgam) que «uma amostra que atribui aos residentes do Interior Norte um peso correspondente a quase ¼ da população do país, quando efectivamente o seu peso é de pouco mais do que 1/10».

O assunto não é novo - em 2009 o jovem Cláudio Carvalho tinha espalhado pela blogosfera a mesma barbaridade. Infelizmente, o Cláudio decidiu apagar o seu passado de "Abrantes", colocando o seu site em "manutenção", mas mantêm-se online dois posts que tentam explicar-lhe o seu erro de raciocínio:
  1. Um neste mesmo blogue
  2. Outro no Margens de Erro, o blogue de referência em Portugal, para estas matérias.
O esforço terá sido em vão, já que o Cláudio parece nunca ter entendido a explicação. No entanto, espero que aqueles que agora andam a espalhar um email dizendo que o barómetro político da Marktest é um «caso de polícia», leiam com atenção o meu post de 2009. Lá poderão verificar que, segundo o INE, residem na região a que a Marktest chama "Interior Norte" mais de 1/5 dos eleitores, e não «pouco mais do que 1/10». E que na região "Sul" não residem 19,6% dos eleitores, mas pouco mais de 11%.

Nota para quem tem dificuldades em Geografia: Leiam a definição das regiões Marktest, onde poderão verificar que os concelhos de Barreiro, Moita, Montijo, Seixal, Sesimbra e Setúbal não pertencem ao Sul, nem à Grande Lisboa.

P.S. Estou espantado - até um site que se diz de Manuel Alegre espalha esta "notícia"!

17/11/2010

Uma lição de Psicologia Económica

A Assembleia da República conta com um especialista em Psicologia Económica. Não só domina o conceito de "austeridade internacional", como é capaz de explicar por que "os juros sobem!". É ler aqui.

14/11/2010

As minhas escolhas

TransAtlanta

Blurb, 52,35€

As aguarelas do blog de Júlio Rodrigues em livro.

Eu gosto particularmente da série de faróis, mas também me agradam muito as de Beijós, obviamente.

12/10/2010

Obrigado e Parabéns!

A sacrossanta Escola Pública substituiu os crucifixos por ícnones da "religião verde". Nos media, sobretudo na blogosfera, são cada vez mais as vozes que reclamam uma "lei da separação". Eu não tenho falsas expectativas quanto a uma escola "laica". Considero, até, que alguns valores desta religião (como de outras) são defensáveis. Mas abomino o fundamentalismo e é por isso que sou leitor assíduo do EcoTretas. Um serviço público.

29/09/2010

Certamente que não!

Isto de citar fervorosamente Valupi não é bom sinal...
Há um ano, enquanto a "outra senhora" dizia que «Suspenderemos inmediatamente los procesos de adjudicación en curso para la alta velocidade (...) priorizando la rehabilitación y desarrollo de la red ferroviaria convencional», havia quem apontasse as "direcções certas":
Para lá de Badajoz, os "alarmistas" que falavam de «superar ese síndrome constructivo» acabaram por ter algum eco no governo, e o Ministro do Fomento foi ao Congresso dos Deputados com uma cábula da "outra senhora": «se otorgará prioridad a las obras de “mantenimiento, mejora y explotación, frente a las de nueva construcción”, especialmente en los proyectos relacionados con la red de ferrocarril de alta velocidad».
Do lado de cá, os "alarmistas" estão na Missa de 7.º dia da "outra senhora" ou "acolitam" a "direita retrógrada" no "coro liberal". No pasa nada, o IVA tem as costas largas. Ou não...

30/08/2010

Fê de foda-se!

Foda-se! exclamação que exprime espanto, admiração, impaciência ou indignação, o que sinto ao ler não apenas o post, mas, sobretudo, os comentários da sobranceira e malcriada bloguista que assina fê.

P.S. não costumo ler a fê, cheguei ao post via Aventar.

09/05/2010

"O mais vergonhoso campeonato das últimas décadas" - I

«Quem usou e abusou de toda a batota dos túneis, das arbitragens manhosas e dos castigos absurdos candidatou-se a ter este fim-de-semana atribulações fora e dentro do campo de jogo», escreveu o sr. João José Cardoso, acrescentando que, se o Benfica fosse campeão no Dragão, iria «ser muito complicado».

Idêntico discernimento revelou o sr. Amorim, ao escrever que «no Porto e ainda mais a Norte do país ainda existem adeptos da agremiação que ostenta o nome de um bairro lisboeta. Sei que são cada vez menos. Quando andava no liceu, poucos ousavam sair do armário – mesmo nessa altura, escondiam-se, envergonhados (e com razão). Hoje, dizem-me, nas escolas do Porto são uma espécie em extinção não protegida. Ainda bem.»

Estes iluminados adeptos de Pinto da Costa e de Luis Filipe Menezes, legitimam e alimentam o "clima de intimidação" de que se fala nesta notícia:
«Alguns adeptos identificados com símbolos do F.C. Porto provocaram alguns distúrbios junto de automóveis que festejavam o título do Benfica na baixa portuense. Os carros foram pontapeados e alguns vidros chegaram a ser partidos.
A PSP já reforçou, entrentanto, a segurança na Avenida dos Aliados. O clima é de intimidação. Poucos adeptos encarnados arriscam festejar fora das viaturas, a poucos metros do local onde se encontram simpatizantes dos dragões, que já queimaram cachecóis e bandeiras do Benfica.»

O sr. Amorim e o sr. Cardoso devem sentir-se orgulhosos com este resultado. Merecem um Dragão de Ouro. E uma medalha de Mesquita Machado.

23/04/2010

Ó sr. Amorim...

Primeiros, a agremiação dos andrades não é nem representa a Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta Cidade do Porto.

Segundos, por mais nobre, leal ou invicta que seja, essa cidade não é nem representa a Região Norte.

Terceiros, as pastilhas para a azia não são azuis, são brancas.

13/03/2010

Na rede sem rede

Um jornalista do Público remexeu "o passado na rede" de Castanheira Barros e não encontrou os maravilhosos blogues do mesmo autor que eu referi neste post?!

«It sends us positive notice for the humanity . You can do it through commentaries to each notice or for email to castanheirabarros@clix.pt .»

27/02/2010

Ciência e ideologia

José M. Castro Caldas descobriu agora «que as pessoas têm boas razões para desconfiar de economistas que passam a vida a puxar dos galões científicos para impingir opiniões». O fenómeno é antigo e extenso. O mesmo se passava com os médicos do Partido Republicano Português, o mesmo se tem passado com alguns "sábios" do IPCC, o mesmo se passou no Verão de 2009 com os célebres Manifestos, nomeadamente o que foi apresentado como «Manifesto de 51 economistas e cientistas sociais».

Nesse mesmo manifesto brilhava um «Economist; Blogger; International Policy Analysis;Author of book on Obama's Presidency and the Financial Crisis», estrela blogosférica cuja produtividade opinativa se deve, a meu ver, aquilo que Castro Caldas chama «leviandade», a tal que o levou à interrogação: «Como é possível não ter visto a leviandade nos posts antigos, onde ela estava tão clara como nos actuais?».

Caro Castro Caldas: tivesse lido com atenção os blogues onde pontificam os economistas "neoliberais" e há muito teria conhecido "a peça". Da falta desse conhecimento não se podem queixar os leitores deste modesto blogue, já que eu sou um fã do "Professor de Economia":
  1. Diana Mantra Vs Diana Chaves (6-7-2009)
  2. As minhas escolhas (1-11-2009)
  3. Mais um que tresmalhou (28-1-2010)
  4. As minhas escolhas (7-2-2010)

18/02/2010

Alienados vs mercenários

Através de Pedro Adão e Silva, ficamos a saber que blogar pode ser uma terapia ocupacional. Com as declarações de João Galamba, confirma-se que há bloguistas que (só) escrevem o que lhes mandam, ou, para usar o seu eufemismo, pedem «ajuda a pessoas conhecidas que sejam especialistas em determinadas matérias».
Assim sendo, poderíamos esboçar uma tipologia de bloguistas, com base em duas variáveis:
  1. Variável bipolar que opõe os conceitos de escrita profissional a escrita terapêutica
  2. Variável unipolar que mede o nível de ajuda necessária, ou, utilizando uma medida inversa, o nível de autonomia da escrita

Uma hipótese bastante plausível é a de que as variáveis 1 e 2 não são independentes, i.e. há uma relação negativa entre escrita profissional e autonomia. Quem escreve com total autonomia, estará a prosseguir um fim terapêutico :) e quem "pede ajuda" tem uma motivação extrínseca para escrever, i.e. veicula (literalmente) ideias e argumentos de terceiros na expectativa de vir daí a retirar proveitos.
Como se sabe, os bloguistas mais conhecidos ocupam também espaços de opinião na imprensa e na TV, frequentemente num efeito de eco do que escrevem na blogosfera e nas redes sociais. Logo, este frenesi da opinião leva-me a propor dois tipos-ideiais de bloguistas VIP:

  1. Alienados (no sentido médico do termo)
  2. Mercenários

17/02/2010

Mais um alienista encartado

Chama-se Pedro Adão e Silva e escreveu isto:
«Pelo meio, fico também com uma certeza: a blogosfera pode revelar-se particularmente útil - representa um meio eficaz para os perturbados mentais fazerem terapia ocupacional».

Leitura complementar: Alienistas no Governo

11/02/2010

Entorses

Tirando as questões prosaicas, concordo em absoluto com Paulo Guinote. Destaco as lesões traumáticas:
«são pelo menos três entorses gravíssimos em matéria de transparência do regime, a saber:
  • A utilização de empresas privadas em que o Estado tem interesses fortes para pressionar outras empresas a tomar decisões favoráveis ao poder político.
  • A colocação de homens de mão, políticos de carreira sem currículo profissional que não a artimanha aparelhística, em posições chave das ditas empresas (seja a PT, seja o BCP sejam tantas outras que continuam na parte submersa do icebergue) para facilitar ou dificultar negócios, de acordo com agendas políticas.
  • A forma dissimulada de não mentir, mentindo, em declarações públicas que evitam a verdade, escondendo a mentira, em formulações do tipo I did not have sexual relations with that woman. Claro que os sexos não se encontraram propriamente, mas sexo é muita coisa…»
E as nódoas nos vestidos acabam por aparecer, acrescento eu.

07/02/2010

As minhas escolhas

Este domingo escolhi um blogue que parece que é um Tanque não sei de quê. Já o havia citado aqui, mas, para além dessa penitência, o blogue merece-me ainda duas referências:
  1. A nova área de especialização dum blogger que esteve na berra como Prof. de Economia e Analista de Política Internacional.
  2. Mais um convidado que já revelou ter em comum com o anfitrião o jeito para a estatística.
Boas leituras!

28/01/2010

Mais um que tresmalhou

A sua defesa da estratégia socrática de "combate à crise" era tão férrea, parecia tão desesperada, que votei nele para o Prémio Lambe-Botas 2009. Não sei o que se passou entretanto, mas dei hoje com esta posta:
«já me penitenciei diversas vezes por ter prestado apoio à reeleição deste governo. Todos cometemos erros, e eu lamento o meu. Melhor dizendo, à reeleição deste PM. Não só ninguém acredita que o défice fosse desconhecido, como ninguém acredita que o OGE tenha sido elaborado com um mínimo de bom senso.»
O "rigor científico" com que agora "sustenta" os seus posts contra a política económica do Governo é o mesmo com que há pouco tempo a defendia, mas isso agora não interessa nada.

28/11/2009

7.º Dia

Não tenho tido muito tempo para escrever, há sete dias que não publico nenhum post neste blogue.
No meu Index na barra lateral há um blogue, que eu seguia e consultava quase diariamente, cuja feed deixou de ser alimentada também "Há 1 semana". Por uma razão muito diferente - o autor deixou-nos para sempre, faz hoje sete dias. Sabendo que estava perto do fim, nunca abdicou da frontalidade que lhe reconhecem. O penúltimo post é um bom exemplo, uma crítica frontal aos pantomineiros que nos desgovernam, perante as falinhas mansas de muita gente com tempo de antena.