11/12/2011
As minhas escolhas
Vogais, 2011, 16,99€
Se tudo corresse bem, Portugal teria recuperado lá para 2030 o nível de bem estar económico de 2000. No entanto, o autor está pessimista e crê que a economia portuguesa não recuperará o suficiente para pagar a minha reforma :(
Do mal o menos: Portugal continua sendo um dos mais pobres dos ricos. Como escreve o autor, «voltando Portugal ao rendimento per capita e paridade do poder de compra de 1995, ainda ficamos com um nível de vida 75% superior ao brasileiro, 190% superior ao ucraniano e 320% superior ao marroquino».
N.B. Os mais propensos a problemas digestivos não deverão ler este livro antes das rabanadas.
27/11/2011
As minhas escolhas
Tinta da China, 2010, 14,30€
Só eles sabem porque não ficaram em casa. Talvez procurem uma Chama Imensa, mas, incapazes de senti-la interiormente, precisam de fazê-la no exterior. O Inferno é o local indicado.
21/08/2011
As minhas escolhas
You could have picked any of over 2 million books but you picked me! I've got to get packed! How is the weather where you live? (...) Just five months ago, I thought I was a goner. My owner was moving and couldn't take me with her. I was sure I was landfill bait until I ended up in a Better World Books book drive bin. Thanks to your socially conscious book shopping, I've found a new home.Da livraria tenho a declarar um serviço irrepreensível e... rápido!... atendendo à distância e ao baixíssimo custo de transporte. No total, livro, embalagem e transporte custaram-me nove dólares!
06/03/2011
As minhas escolhas
Esfera dos Livros, 15€
O rafeiro foi despedido. Não, não é nenhum corte no orçamento do gabinete do dono. Foi este que não gostou de ver o seu certificado de habilitações comido pelo bicho.
13/02/2011
As minhas escolhas
(13 dólares na Amazon)
«A job is not degrading. Being a drone or a deadbeat is degrading» (p. 57)
O subtítulo dá o mote para o tom geral do livro - alertar a geração que está a entrar no mercado de trabalho para as diferenças entre esse mundo e o mundo de fantasia alimentado pela redoma em que a escola se tornou. A minha escolha é um pretexto para falar de duas das 50 regras:
22 - You are not a victim. So stop whining.
15 - Flipping burgers is not beneath your dignity. Your grandparents had a different word for burger flipping. They called it opportunity.
Faço-o a propósito da vitimização da "geração parva". Libertem-se da redoma e vão trabalhar. Ganhem a vossa independência. Se ainda vos «falta o carro pagar», é porque são uns privlegiados, comparados com a minha geração que aspirava a uma XF17 Super, enquanto a geração anterior à minha comprava uma Dinâmica às prestações para ir trabalhar para os Fornos Eléctricos.
À falta de burgers, os meus amigos começavam a virar caçoilos de resina à hora a que vocês saem da discoteca. Sairam da «casinha dos pais» antes dos 18, alistaram-se na tropa, estudaram à noite, conseguiram os seus diplomas superiores e melhores empregos, com a humildade de quem não tem medo de aprender com as gerações anteriores.
01/12/2010
As minhas escolhas
Relógio d'Agua, 2002, 18€
Por diversas vezes me cruzei com a versão em língua inglesa, mas só há poucas semanas comprei a (boa) tradução da Relógio d'Água.
Das muitas leituras que é possível fazer do que Csikszentmihalyi escreveu, realço aqui uma complementaridade ao livro de Schwartz que aconselhei há uns tempos - a felicidade não está na lotaria, nem, muito menos, no controlo remoto; pode estar em actividades "normais", desde que nos proporcionem a dose certa de desafio. «As pessoas que aprendem a desfrutar do seu trabalho, que não desperdiçam o tempo livre, acabam por sentir que, globalmente, a sua vida vale muito mais a pena».
14/11/2010
As minhas escolhas
04/07/2010
As minhas escolhas
Economia Portuguesa : As últimas décadasFundação Francisco Manuel dos Santos, 3,5€
Quem não tiver tempo para ler as 90 e tal páginas, pode passar directamente aos gráficos, são bem elucidativos.
Em termos absolutos, o nosso PIB é hoje o dobro do que era antes do 25 de Abril. No entanto, em termos relativos, pouco nos aproximámos dos países mais desenvolvidos, com a agravante de termos "andado para trás" na última década.
Nos últimos 20 anos do Estado Novo a economia cresceu sustentada (também) nos ganhos de produtividade. Depois de 1974, a economia cresceu (quando cresceu!) à custa do aumento da taxa de actividade, do dinheiro que nos "deram" (comprimidos azuis) e do endividamento.
«No futuro, nem as disponibilidades de financiamento externo nem a reserva de mão-de-obra voltarão a estar disponíveis da mesma forma. Torna-se assim claro o grande problema da economia portuguesa: a produtividade no longo prazo».
04/04/2010
As minhas escolhas
| Isabel de Aragão: Rainha Santa Imprensa Nacional Casa da Moeda, 7,5€ Original de 1936, com várias reimpressões. A da capa conta com prefácio de José Mattoso. |
Interpelado pelo Ministro, o Príncipe explicou-lhe que sabia muito bem o estado das finanças da República e que as rosas oferecidas são milagrosas. São mutantes das que apareceram no regaço da Rainha Santa, originárias de dinheiro, como toda a gente sabe. Têm a capacidade de se transformar em dinheiro que vai faltar aos pensionistas e aos beneficiários do RSI. Algumas são capazes de produzir um odor que apaga da memória as promessas de investimento. De tal modo que o cartaz que aparece no vídeo passará a "O Barreiro/ Merece/ As rosas do Governo PS"
Maravilhado, o Ministro ordenou imediatamente à Secretaria-Geral da Presidência do Conselho de Ministros que celebrasse, por ajuste directo, antes que as rosas murchassem, um contrato de fornecimento de flores. Com um irrisório investimento de 63 mil euros, o Ministro será beatificado pelo controlo do défice em apenas três anos. Nada Mais Nada Menos.
28/03/2010
As minhas escolhas
O site do Centenário da República anuncia uma iniciativa da C. M. de Sesimbra, «É poeta! É Fernando Pessoa». Crianças a partir dos seis anos terão dificuldade em entender o que ele escreveu, mas, para os mais crescidos, aqui fica a sugestão.Fernando Pessoa
Ática, 12€
Das págs. 150-1:
«É alguém capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da República? Não melhorámos em administração financeira , não melhorámos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na Monarquia era possível insultar por escrito impresso o Rei; na República não era possível, porque era perigoso insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.
(...)
E o regime está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional – trapo contrário à heráldica e à estética porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicanismo português – o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que por direito mental devem alimentar-se.
Este regime é uma conspurcação espiritual. A Monarquia, ainda que má, tem ao menos de seu o ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto que a República veio ser.»
P.S. Como português, respeito os símbolos nacionais, independentemente de apreciações estéticas. De qualquer modo, lembrei-me desta prosa a respeito do que aconteceu ontem no Parque Eduardo VII.
28/02/2010
As minhas escolhas
Partidos e programas: o campo partidário republicano português (1910-1926)
de Ernesto Castro Leal
Imprensa da Universidade de Coimbra, 15,75€
Fica à consideração dos leitores esta citação da pág. 46:
«A continuada presença dos democráticos nas várias estruturas da administração pública e em conselhos de administração de empresas e bancos criou rotinas de centralismo burocrático, subalternizando a dinâmica de partido em relação à dinâmica de Estado, o que diluiu a autonomia partidária, o militantismo dos filiados, a capacidade de renovação ideológica ou a crítica livre por parte dos seus protagonistas políticos».
31/01/2010
As minhas escolhas
Começo por um que considero bastante interessante e que, embora tendo por objectivo saber o que «significava ser vítima, quem era ela, o que fazia, porque o fora e como era olhada pelos poderes», também permite ao leitor compreender a importância política dos médicos da época e o modo como o "higienismo" influenciou certas concepções políticas e sociais que ajudaram a configurar a I República.
Vítimas e Violências na Lisboa da I República
de Maria Rita Lino Garnel
Imprensa da Universidade de Coimbra, 20€
Esta leitura contribui ainda para conhecer melhor Miguel Bombarda, um dos principais mentores "da República", triplamente homenageado na toponímia da minha freguesia. Cria o médico que a sua classe profissional era a única que poderia regenerar o povo português, graças à aplicação da ciência biológica. Os republicanos eram nacionalistas (patrióticos, para se distinguirem do Partido Nacionalista) e Miguel Bombarda acreditava que se podia provar cientificamente a especificidade do ser português. Os republicanos eram anti-clericais e Miguel Bombarda acreditava que os padres e, muito particularmente, os jesuítas, o eram devido à degenerescência dos respectivos cérebros. Os republicanos eram essencialmente machistas e Miguel Bombarda procurou demonstrar que, por natureza, a mulher tem uma construção cerebral defeituosa.
Detentora de todas as provas científicas da justeza das posições políticas republicanas, a medicina «ousava chamar a si não só a cura dos corpos individuais, mas também a tarefa imensa de regenerar Portugal» (p. 169). Ou, nas palavras do próprio Bombarda (cit. p. 244), «já é grande o papel do médico na sua faina de aliviar o sofrimento, de combater a doença. Mas como ele se não amplifica grandiosamente quando o enfermo é a sociedade inteira e a enfermidade é o erro a extirpar, as ilusões a desfazer, a superstição a esmagar...».
Chegados ao poder, estes eminentes alienistas empregaram-se na prova científica da anormalidade patológica da família real e dum conjunto de patologias das dinastias portuguesas. Infelizmente, os "médicos sociais" enganaram-se no prognóstico e no tratamento aplicado à sociedade portuguesa.
15/11/2009
As minhas escolhas
| A Causa das Coisas Assírio & Alvim, 14,4€ Crónicas escritas por MEC há um quarto de século, mas que se mantêm actuais. Lei abaixo o extracto da "causa" Arranjar. |
«Enquanto tudo se continuar a arranjar nada se há-se conseguir em Portugal. O mercado dos arranjos, dominado por uma multidão imensa de arranjistas e arranjões, é maior e está mais bem implantado que qualquer mercado negro. Para sair da mentalidade viciosa do arranjismo nacional, é preciso que cada português comece a distinguir entre arranjar e conseguir. Arranjar é obter algo por razões alheias ao mérito próprio e à justiça das circunstâncias - e logo representa tudo o que Conseguir, leal e esforçado, não é. O arranjismo pode ser um reflexo do subdesenvolvimento, mas também é ao mesmo tempo, o principal motor dele. Assim como não se arranjou chegar à Índia, ou acabar com a pena de morte, ou escrever Os Lusíadas ou a Mensagem, ou qualquer outras das coisas boas que os portugueses conseguiram fazer, sem truques ou manigâncias ou espertezas saloias, também não se há-de arranjar sair deste poço cultural em que caímos. Arranjar é próprio de um país miseravelmente possível («Desculpem, mas não foi possível arranjar mais...»). É preciso começar a conseguir as coisas, seja com que dificuldade for. Senão, Portugal chegará a um ponto em que nem arranjo há-de ter».
26/10/2009
As minhas escolhas
| Estaline: A corte do Czar Vermelho - Como encara os campos de trabalhos forçados, denominados gulags, nos quais morreram milhares de pessoas? A pergunta é do CM e a resposta é de uma deputada do PCP que conta no currículo uma licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais. Esta anedota tem servido, entre outras coisas, para atestar a má qualidade de ensino que supostamente se pratica no "quartel" de onde saí há duas décadas... bastante mais preparado para analisar as deficiências do sistema capitalista do que para analisar o que quer que fosse dos regimes comunistas, é um facto. Ainda assim, prefiro acreditar que é mesmo uma anedota, i.e. a ilustre deputada está simplesmente a fugir à pergunta. No entanto, não vá dar-se o caso de não ter mesmo "abordado isso", como também não abordou nenhuma "questão concreta dos direitos humanos" na China, aqui fica uma sugestão de 668 páginas que enriquecerá o seu conhecimento sobre os "manuais de maus costumes" da URSS. |
10/09/2009
As minhas escolhas
| O Dossiê Sócrates Dada a reacção de Sócrates ao blogue, o autor recomenda «aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...» |
06/09/2009
As minhas escolhas
| O Paradoxo da Escolha Este livro diz-nos muito sobre o problema da decisão de voto e das 'boas' estratégias para o solucionar (!) que mencionei no meu post anterior. |
09/08/2009
As minhas escolhas
| O Eco Silencioso Para quem tiver tempo de ler nas férias, não precisa de jipe para ser transportado. É uma sugestão de leitura que se deve simplesmente a isto! |
19/07/2009
As minhas escolhas
| Pelas Linhas da Nostalgia Para quem gosta de caminhar, resta-nos o consolo de trilhar alguns percursos de elevado valor patrimonial e paisagístico. Por enquanto. |
31/05/2009
As minhas escolhas
| Portugal: Ensaios de História e de Política |
18/05/2009
As minhas escolhas
| Educar para a Era Planetária |
![]() | Introdução ao Pensamento Complexo Piaget, Esgotado? «Os problemas humanos são abandonados não apenas a este obscurantismo científico, que produz cientistas ignaros, mas também a doutrinas obtusas que pretendem monopolizar a cientificidade com ideias-chave tanto mais pobres quanto pretendem abrir todas as portas como se a verdade estivesse encerrada num cofre-forte de que bastaria possuir a chave». |








