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06/08/2011

Heterogeneidade medieval

As feiras medievais com taberneiros, cavaleiros e malabaristas de fogo estão na moda e multiplicaram-se nos últimos anos um pouco por todo o país. Só entre Junho e Setembro deste ano realizam-se pelo menos 50 em Portugal.
A Lusa procurou saber a que se deve a proliferação destes eventos e lembrou-se de consultar um "especialista". Um psicólogo, pensei. Não! Um professor de História Medieval que garante que «O sucesso das feiras e torneios medievais explica-se por algum desencanto com o presente muito homogeneizado e, portanto igual por toda a parte». O que vale aos desencatados com o presente é que estas recriações medievais são diferentes por toda a parte e muito heterogéneas. Tanto que até as há que se realizam em Outubro e nem precisam de matar mouros - basta-lhes um herói treinado no corte de pepinos e capaz de subjugar o adversário asnelense.

25/04/2011

"Eles" não são todos iguais

Escolhi o dia 25 de Abril para publicar este discurso escrito por Artur Fontes, delegado ao Congresso do PS pela concelhia de Carregal do Sal. Escrito mas não proferido, pelas razões que o próprio aqui apresenta. Concorde-se ou não com os vários pontos enunciados neste discurso que não o foi, o que pretendo realçar com esta publicação é que, nesta «democracia capturada», "eles" não são todos iguais! Há quem acredite que é possível melhorar a "saúde" dos partidos para melhorar a "saúde" da democracia.


«A saúde de uma democracia depende não apenas da estrutura das suas instituições, mas também das qualidades dos seus cidadãos», assim se lê na Enciclopedia of Philosophy. E eu acrescento: A saúde de um partido democrático, como o partido socialista, não depende apenas das suas estruturas, mas sobretudo, da qualidade dos seus membros. Só esta qualidade poderá fornecer um bom lote de dirigentes. E é «na variedade dos meios e expressões que encontraremos a unidade diversificada de uma síntese progressiva, que é o labor continuado de todos os homens de boa vontade». (Mafalda Faria Blanc). Esta boa vontade encerra em si o saber e o saber estar ao serviço sem outros fins e objectivos que não sejam apenas o servir apaixonada e desinteressadamente a Causa Pública. Isto é, imbuídos de espírito e de uma ética republicana! Mas, para servir desta forma, necessário seria a existência de um clima de saber ouvir, e bem, para saber discernir. Foi o que faltou a este governo, cujo principal responsável foi José Sócrates. Deixou de ouvir os avisos constantes dos economistas, deixou de ouvir os avisos elegantes de Mário Soares e do próprio actual Presidente da República. Deixou de ouvir a própria Conferência Episcopal portuguesa, deixou de ouvir os avisos que a própria Drª Ferreira Leite lhe apontava acerca do défice, numa atitude de falta de humildade, deixou de ouvir os protestos dos elementos da PJ e da PSP, deixou de ouvir a sociedade civil, já para não falar das vozes discordantes e corajosas dentro do partido. Prometeu desvairadamente a criação de cento e tal mil postos de trabalho e o que temos são mais de 600.000 desempregados. Não atacou o enriquecimento ilícito. A despesa pública do sector público administrativo em 2003 era de 60 mil milhões de euros, actualmente são mais de 82 mil milhões. Começou com a reforma do ensino e não a acabou. Fez um braço de ferro com os professores para mais tarde ceder no que anteriormente não cedia. A Justiça, pilar importante de uma democracia e da sua credibilidade, padece de um mal crónico. Fez promessas que não cumpriu e, mais grave ainda, não pediu desculpas ao povo português, argumentando serem sempre os outros os culpados, numa fanfarronice sem escrúpulos. Contra este estado mental já combatiam Jaime Cortesão e António Sérgio, em 1921 e escreviam na “Seara Nova” «Em democracia quem mente ao povo é réu de alta traição»!
Os nossos secretários de estado e deputados, falavam todos à mesma voz: Propagandeavam aquilo que Sócrates dizia ser “muito importante” ou “historicamente importante”, enquanto o descalabro arruinava o País. E, o partido tornou-se, assim, num veículo de propaganda governamental, à semelhança dos partidos soviéticos, apático e sem massa crítica, devido ao afastamento voluntário de muitíssimos militantes revoltados e desiludidos por verem que o partido servia uma clientela política e se transformava num centro de emprego para os boys e à cumplicidade dos dirigentes com medo de perderem os seus lugares!
Esta actuação, ofuscou aquilo que de bom se fez, nomeadamente no campo das ciências ou da diplomacia.
Escrevia Rodrigues Migueis, na “Seara Nova”, nos anos 20: “Deve o estado rodear-se de gente honesta, perseguir os viciosos e expulsar os inúteis”.
Sendo assim, é hora de dizermos BASTA!
O partido socialista precisa de se transformar, como escreveu Sophia Mello Breyner : «Como casa limpa / Como chão varrido / Como porta aberta / (…) Como página em branco / Onde o poema emerge / Como arquitectura / Do homem que ergue / sua habitação.» (in “Revolução”).
Só assim cumpriremos Portugal, no sentido dado por Miguel Torga: “O meu partido é o mapa de Portugal”!
Artur Fontes, Carregal do Sal

03/01/2011

Bigodes

Barba & bigode é o post mais lido de sempre neste blogue, graças a um tal bigodinho da Cléo Pires. Se você é mais um visitante que chega aqui procurando por esse bigodinho, aproveite e veja um verdadeiro bigode beijosense!

Bigodes, originally uploaded by Beijokense.

20/01/2010

A culpa de S. Pedro

Acácio Pinto, ex-Governador Civil de Viseu e agora deputado pelo distrito, escreveu no Farol da Nossa Terra um pequeno artigo com o título Energia: já exportamos! Passando do título à substância do artigo, o que se depreende é que, no mês de Dezembro, «75% da energia produzida em Portugal teve a sua origem nas fontes renováveis» e «Portugal, ter exportado mais energia para Espanha do que aquela que importou». O que o sr. deputado não quer dizer é o mais importante. Apesar de grandes vultos da ciência, como o dr. Mário Soares, garantirem que a acção humana substituiu o S. Pedro, essa mesma acção humana ainda não é capaz de garantir as condições meteorológicas para uma produção constante de energia eléctrica a partir da água e do vento. Logo, historicamente, os picos de produção a partir destas fontes situam-se entre Dezembro e Março. O sr. deputado quer-nos dizer que percentagem de "energia produzida em Portugal teve a sua origem nas fontes renováveis" no mês de Junho?
Se há flutuações dentro de cada ano, há também flutuações entre anos. Quando chove muito, produz-se mais energia nas instalações hídricas e reduz-se a produção através de fontes combustíveis. Quando chove menos, há que produzir mais nas centrais térmicas. Os dados anualizados da Direcção-Geral de Energia e Geologia mostram que, de Novembro de 2008 a Outubro de 2009 (os últimos que aquele organismo disponibiliza ao público), a percentagem de energia de fontes renováveis (incluindo as menos limpas biomassa com co-geração e a gerada a partir de RSU) foi de 31,5%, muito longe dos 75% que o sr. deputado nos quer vender.
Mostram também os números que, nos últimos 15 anos, 1999 foi o único em que Portugal exportou mais energia eléctrica do que aquela que importou. O deputado Acácio Pinto apresenta a ideia de que a «opção, em boa hora, feita pelos Governos de José Sócrates nas energias renováveis (...) [permite] nos tornar menos dependentes do estrangeiro e das energias fósseis», mas o que os números me dizem é que, durante esse período de governação, se importou mais energia do que no quinquénio anterior. Talvez por culpa do S. Pedro, que dirige a única Entidade Reguladora não controlável - a da meteorologia.

Pós-texto 21-1-2010 22:45 - Aconselho a leitura da resposta que me enviou o deputado Acácio Pinto (aqui) e da minha análise com informação gráfica da produção de electricidade para demonstrar que o que ocorreu em Dezembro de 2009 é excepcional e não pode ser atribuído aos «Governos de José Sócrates» (aqui).

13/01/2010

Desanda

Estamos em 2010 e o PS do Carregal do Sal não consegue andar para lá das autárquicas de 2009! Volta e meia, desanda para Outubro de 2009. O regresso mais recente é uma crónica Andante de um crónico dirigente da concelhia (link para o Farol da Nossa Terra).
A tese principal de José Craveiro é a de que a lista do PSD para a AM perdeu votos relativamente à lista para a CM. Pelo enquadramento histórico - que o próprio resumidamente faz, mas que, em devido tempo, foi feito em detalhe por Jorge Saraiva no Defesa da Beira - torna-se difícil estabelecer se a diferença sistemática de votos entre as duas listas do mesmo partido se traduz em perda de votos da AM relativamente à CM ou em ganho de votos da CM relativamente à AM. Muitos dirão que é indiferente, mas não o é, nem para as conclusões e insinuações da crónica Andante, nem para a interpretação dos resultados que eu fiz e publiquei (uma primeira abordagem em 13-10-2009 e uma segunda, em resposta a um trabalho de Lino Dias, em 20-10-2009).
Nesses artigos, sustentei a minha análise em factos que são descortináveis pela inclusão dos resultados para as Assembleias de Freguesia:
  1. Historicamente, a votação do PSD para a AM fica sempre entre as votações para a AF e para a CM. No ciclo descendente do PSD (i.e. de 2001 para 2009), a fuga de votos foi menor na AM (812) do que na CM (820) ou nas AFs (968).
  2. Em 2009, o PSD perdeu claramente para o CDS as votações para a AF nas secções de voto de Fiais e Parada, onde recuperou muitos votos para a AM e ainda mais para a CM.
  3. Na comparação entre votações para AM e AFs, pode dizer-se que a lista do PSD à AM "ganhou" 205 votos, enquanto a do PS "perdeu" 159 e a do CDS "perdeu" 172.

Tal como o dito trabalho de Lino Dias, esta crónica Andante aposta no menosprezo do resultado da lista do PSD à AM e pretende insinuar "ironias no destino" na eleição democrática da Mesa da Assembleia, a coberto de uma errada "matemática eleitoral". Conhecimentos básicos de "sociologia eleitoral" permitiriam dar mais crédito à hipótese de que, tal como em eleições anteriores, o presidente recandidato conseguiu mais votos do que a lista do seu partido à AM (a maioria no espaço do CDS, mas também alguns no espaço CDU), em vez dessa hipótese mais conveniente de que os eleitores «recusam o candidato à Assembleia Municipal».
Quanto ao resto, Craveiro comete o mesmo erro de apreciação que já li / ouvi a dois elementos da bancada do PS na AM - uma suposta necessidade de que um candidato (especificamente, o 1.º) da lista mais votada seja o presidente da AM, para que seja respeitada a «vontade dos eleitores». Exponho os meus comentários relativamente a este erro:
  1. A eleição para a AM não exprime a «vontade dos eleitores» em relação ao Presidente da Assembleia. Nos casos da AF e CM, embora votem em listas, os eleitores sabem que estão a escolher também o Presidente. No caso da AM, os eleitores sabem - ou deviam disso ser informados - que estão apenas a votar uma parte (no nosso município, corresponde a 75%, mas há alguns em que corresponde a pouco mais de 50%) dos membros da AM. A outra parte é composta pelos Presidentes de Junta, membros de direito tão pleno quanto o dos eleitos directamente. Dessa igualdade de direitos, decorre imperiosamente que o Presidente só pode ser eleito indirectamente, pelos membros que compõem o órgão.
  2. A «vontade dos eleitores» (relativamente aos membros eleitos directamente) traduziu-se num resultado de 'apenas' 45% na lista mais votada (considerando apenas os votos nas listas). Os restantes votaram noutras três listas e, seguindo arrazoado semelhante ao de José Craveiro, poder-se-ia dizer que a sua vontade não seria eleger nenhum membro do PS para a Presidência do órgão. O PSD e o CDS congregam 53% dos votos em lista, 52% dos membros eleitos directamente e 54% da Assembleia.
  3. Os membros da AM, quer os directamente eleitos, quer os Presidentes de Junta, têm o dever de assumir todas as responsabilidades que lhes foram delegadas pelos eleitores. Não foram eleitos para fazer conjecturas sobre alegadas vontades que o voto não permite manifestar. Foram eleitos para, em cada momento, confortáveis com a sua consciência, decidir o que é melhor para a governação do Município. Só pode ter sido isso que fizeram os 28 deputados que votaram entre as duas listas levadas a sufrágio secreto, no acto eleitoral que, volta e meia, desanda no PS.

17/11/2009

Faroleiros de terra*

Como escrevi no dia 1 de Novembro, um comentário de Paulo Batista, dizendo que «o meu nome se encontra mal escrito» num artigo de Acácio Santos, resultou num pedido de desculpas do Farol pelo "descuido" do Acácio. Foi esse comentário assinado por "Farol da Nossa Terra" que me levou a escrever o post de 1 de Novembro, fazendo notar que havia outros "descuidos" mais importantes no artigo e que também Lino Dias se descuidara num outro.
Imediatamente após a publicação do meu post, fiz um comentário no Farol e enviei um email ao Acácio Santos. Como se vê na figura abaixo, o comentário continua, passadas duas semanas, a aguardar aprovação. O Acácio nunca respondeu ao email.



No entanto, o mesmo Acácio Santos fez questão de publicar, no DB de 6 de Novembro, uma «Correcção» à notícia, repondo o verdadeiro Paulo Jorge, em vez do errado João Paulo. Tal leva-me a supor que o Acácio ainda não percebeu os "descuidos" mais importantes da notícia. Aqui fica uma ajuda.

O que Acácio Santos escreveu O que se passou
Faltou à chamada o cidadão do PSD senhor Nuno Machado, mas este cidadão deixou escrito que se ia ausentar durante um mês e que depois regressava. Nuno Henrique Pais Machado apresentou um pedido de substituição nos termos do artigo 78.º da Lei n.º 169/99 ["Os membros dos órgãos das autarquias locais podem fazer-se substituir nos casos de ausências por períodos até 30 dias."]
(...) senhor Victor Manuel Coelho Peixeira Marques, votado com cinco votos sim e quatro não. A votação para o vogal em causa resultou em cinco votos a favor, três votos contra e um voto nulo.
Seguidamente foi chamado mais um cidadão do PSD para ocupar o lugar de Tesoureiro, o felizardo foi João Campos Moura. João Campos Moura foi chamado para ocupar, na Assembleia de Freguesia, o lugar de Victor Peixeira, que acabara de ser eleito Secretário da Junta.
(...) foi eleita a lista A com cinco votos sim e a lista B recebeu três votos não e um voto nulo. O resultado foi: A cinco votos; B três votos; um voto nulo.

*Esta designação resultou de uma 'conversa' com Alexandre Borges.

01/11/2009

Descuido: a morte do artista

«Conferimos os nomes e verificámos que, realmente, houve descuido do Sr. Acácio. Pedimos desculpa em seu nome» (sublinhado meu).
É deste modo que "Farol da Nossa Terra" responde a um reparo de Paulo Batista relativamente ao facto de Acácio Santos ter errado o nome deste membro da Assembleia de Freguesia de Beijós, num artigo sobre a instalação dos órgãos autárquicos da dita freguesia. Em primeiro lugar, em abono da verdade, é preciso dizer que Acácio Santos foi muito "descuidado" nesse artigo(*), já que há diversos erros na forma como noticia (?) as votações realizadas. Mas há também falta de informação e de vontade ou disponibilidade para a obter, caso contrário o repórter teria compreendido que o cidadão João Moura não foi felizardo nem foi chamado para ocupar o lugar de tesoureiro, foi chamado para ocupar o lugar deixado vago na Assembleia pelo membro que acabara de ser eleito para vogal da Junta. E saberia o que é a suspensão de mandato. A "ansiedade e tristeza" não deveriam ser impeditivas da objectividade mínima que se exige a uma reportagem.

Em segundo lugar, o "descuido" não foi exclusivo de Acácio Santos, foi mesmo a imagem de marca do Farol na cobertura dos actos de instalação dos órgão autárquicos. O artigo sobre os órgãos do município manteve, durante dois dias, a informação de um suposto discurso de um elemento do CDS, o qual só teve lugar na imaginação do repórter. Manteve também a omissão de um deputado na lista de empossados. Mantém ainda a informação errada sobre a lista mais votada (A), embora isso seja um pormenor irrelevante.

O que já não é descuido é a quarta pergunta que "FNT" fez ao Presidente da Câmara. Lino Dias, um farol da ética e da deontologia jornalísticas, questiona se não será falta de ética o facto de ter sido eleito para Presidente da Mesa um membro de um partido que não foi o partido mais votado nas eleições de 11 de Outubro. Não acredito que o faça de moto próprio, pois tal seria evidência de ignorância ou má fé. Deve ter sido em nome dos tais comentários que vai ouvindo nos corredores. Então, a esses comentadores, é devido um esclarecimento:
O PS foi o partido mais votado para a AM, mas não foi o partido votado pela maioria dos eleitores. Foi votado por 'apenas' 44%. É sempre possível especular que as pessoas que votaram PSD e CDS (em conjunto, perfazem 52% dos votos expressos) não gostassem de ver empossado na presidência da mesa o cabeça de lista do PS. No entanto, tal especulação é perfeitamente dispensável, já que a mesa da Assembleia não é eleita directamente, é eleita, com toda a "ética e dignidade", pelos seus membros, incluindo os que não são eleitos para o órgão, mas aí têm assento por terem sido eleitos para outro órgão - Junta de Freguesia. É possível um partido ter a maioria de votos e não ter, sequer, a maioria de deputados municipais - foi o que aconteceu em Lisboa em 2009, o PS ganhou as eleições na AM por uma pequena margem, mas a coligação PSD-CDS-MPT-PPM tem mais deputados, graças ao maior número de Presidentes de Junta. O PS precisa de um acordo com a CDU para eleger a mesa e para aprovar os planos e orçamentos - isto é falta de "ética e dignidade"?

(*) Adenda 19:45 1-11-2009 Depois desta postagem, saiu no blogue Pardieiros Online uma versão melhorada do artigo de Acácio Santos. Apesar disso, mantém-se incorrecta a notícia da votação do vogal que foi eleito, bem como da votação para a mesa da AF.

20/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal - 2

O trabalho de Lino Dias sobre os resultados eleitorais no concelho do Carregal do Sal, publicado na última edição do Defesa da Beira (e disponível online no Farol da Nossa Terra) suscita-me uma adenda à análise que aqui publiquei no passado dia 13.
Diz Lino Dias: «No tocante à Assembleia Municipal, o demérito do PSD estará na liderança da lista por Artur Jorge Saraiva (...). Sendo o líder da lista do PS à Assembleia Municipal o mesmo de há quatro anos atrás, altura em que José Manuel Canavarro o superou com uma diferença de 1066 votos, Carlos Jorge Gomes (2596 votos) viu a sua ascensão agora mais facilitada com a candidatura de Artur Jorge Saraiva (2403 votos) neste seu regresso ao PSD.»

Caro Lino Dias: como quantificou o efeito negativo da liderança da lista por Artur Jorge Saraiva? Se, repito, se o diferencial de votos no PSD para a Câmara e para a Assembleia pudesse ser atribuído ao cabeça de lista, usando o seu raciocínio na referida notícia, então ele seria responsável pela perda de 74 votos. De 2005 para 2009, o PSD perdeu 661 votos para a Assembleia, mais 74 do que os 587 que perdeu para a Câmara.
Desde que Atílio Nunes é candidato pelo PSD, a lista para a Câmara teve sempre mais votos do que a lista para a Assembleia. Este ano foram 230, mais do que os 156 de há quatro anos, mas ao mesmo nível do que ocorreu em 2001 (238) e abaixo do que se tinha verificado em 1997 (361). Como vê, parece-me uma grande injustiça afirmar que, se a lista tivesse sido encabeçada por outrém «o descalabro não teria acontecido ou, pelo menos, não teria sido tão frustrante».

Do ponto de vista do PSD, a mim parece-me muito mais "frustrante" o resultado nas Assembleias de Freguesia. Se eu quisesse utilizar o mesmo tipo de lógica que usou na sua análise, poderia dizer que Artur Jorge Saraiva "conseguiu" mais 205 votos do que os candidatos às Assembleias de Freguesia! Na análise que publiquei na semana passada, é bem evidente que a grande derrota do PSD é nas Freguesias. Na votação para a Assembleia Municipal, enquanto o PSD "recupera" 205, o CDS perde 172 e o PS perde 159.

Para além de Currelos e Papízios, o PS foi o partido mais votado para a AF nas secções de Vila Meã, Alvarelhos, Travanca e Pardieiros (ver gráfico abaixo). O CDS foi mais votado em Fiais e Parada, secções onde o partido mais votado para a AM foi o PSD. A "recuperação" de votos para a AM, relativamente às AF (eixo vertical), foi, obviamente, mais expressiva nas secções onde a % obtida na AF (eixo horizontal) foi menor (à excepção de Papízios). Mas foi também assinalável em secções com votações mais equilibradas, designadamente Travanca e Pardieiros, e até naquelas onde o PSD ganhou a AF, à excepção de Cabanas-1 (Sobral não conta, porque não houve lista do CDS para a AF).


Adenda 21-10-2009 10:30: Para clarificar o que escrevi no 2.º parágrafo, acrescento este gráfico com a votação nos três órgãos autárquicos nas cinco eleições em que Atílio Nunes encabeçou a lista do PSD. Visualizando a evolução negativa da votação nas duas últimas eleições, não me parece que tenha fundamento a ideia de que o decréscimo foi particularmente acentuado na votação para a Assembleia Municipal.

13/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal


O gráfico acima apresenta o número de votos na eleição dos três órgãos autárquicos e na eleição para a Assembleia da República (AR), no concelho de Carregal do Sal.
Os resultados mostram que muitos eleitores distinguem as votações para os diferentes órgãos, mesmo quando elas se realizam em simultâneo.
No que respeita aos órgãos autárquicos, o PS e o CDS atingiram as votações máximas nas assembleias de freguesia (AF) e as mínimas na Câmara Municipal (CM). Com o PSD, aconteceu precisamente o inverso.

O PSD conseguiu mais 231 votos na CM, relativamente ao resultado da votação para a Assembleia Municipal (AM). A maior parte desses votos (127) "chegou" do CDS - um em cada cinco eleitores que votou CDS para a AM terá votado PSD para a CM. Esta transferência CDS --> PSD foi mais significativa nas secções de voto de Parada, Fiais, Alvarelhos e Travanca.
Em números relativos, a mais significativa transferência registou-se nos votos brancos - houve 175 votos brancos para a AM e apenas 116 para a CM, o que equivale a uma "perda" de 1/3 dos votos brancos, presumivelmente transferidos para a lista do PSD.
A CDU (não representada no gráfico) obteve menos 29 votos para a CM do que para a AM, correspondendo a uma "perda" de 1 em cada 4.
Finalmente, a "contribuição" dos votantes PS na AM para a vitória do PSD na CM é de apenas 24 votos, o que corresponde a 1%.