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19/06/2012

Resgate com juros se paga

O espanhol Velasco Carballo perdoa penalty e cartão vermelho ao defesa alemão Badstuber. Garantiu a permanência da Mannschaft no Euro 2012.

O alemão Stark corresponde com juros e perdoa dois penalties à Espanha. Aqui o primeiro num tackle de Ramos sobre Mandzukic.

E este em que Busquets tenta despir a camisola a Corluka, com Casillas completamente batido. E assim a Espanha continua no Euro.
Vai-se cumprindo o desejo (ou as ordens???) de Platini. Se chegarmos a uma meia-final ibérica, irá José Manuel Barroso denunciar o Eixo?

17/08/2011

Puta de Catalunha: uma visão sobre a economia turística

A propósito do caso Lloret de Bar, deixo aqui a minha tradução de parte de um artigo de Xavier Roig. O original em catalão pode ser lido aqui.

Se há sector que pode ser moldado pelo poder político, é o turismo. E os governos catalães optaram pelo modelo de turismo barato. Sou dos que acreditam que o turismo faz parte da economia do lixo. Da prostituição social. É nele que se centra a economia dos países que não sabem, ou não querem, fazer mais nada. O que diferencia uma mulher que vende os seus encantos, dum país que vende os seus? O número de pessoas envolvidas na operação. (...) O peso do turismo [na Catalunha] já ascende a 14% do PIB (9% em França, 8,5% em Itália). Somos um país prostituído.

Desde que me conheço que se fala de reconverter o nosso turismo. Gostamos de nos enganar. Falar de "turismo de qualidade" é tão contraditoriamente estúpido como pretender promover a "prostituição virgem". O máximo que se pode almejar é que aqueles que nos visitam tenham um alto poder aquisitivo. E, para solucionar este problema, ainda não se inventou, em economia, nada de novo: há que reduzir a oferta para aumentar os preços. (...) O poder político tem de deixar de ser simpático e tem de enfrentar os líderes do sector. Explicar-lhes que a ilusão acabou. Como? Muito fácil: aumentando os impostos do sector, impondo normas duras e exigentes e realizando inspecções rigorosas. O que implica encerrar, no mínimo, metade dos estabelecimentos existentes. Além do motivo da oferta e procura, já enunciado, devemos fazê-lo por uma simples razão de higiene: a maioria dos hotéis e bares catalães não valem nada. Não são apresentáveis. Já sei que apresentarão o velho argumento: "O turismo cria riqueza!". Não sem razão. O macroprostíbulo de La Jonquera também cria riqueza. Alguém pode negá-lo? O cultivo de coca gera muitos empregos na América Latina. Alguém pode negá-lo?

16/08/2011

Empata folladas - II

Mais 1500 empata folladas manifestaram-se nas ruas de Lloret de Mar Bar, reclamando uma mudança no modelo de exploração turística da cidade. Quando a manifestação passava pela principal avenida do turismo de borracheira, alguns turistas, certamente pensando tratar-se de obra da DHARMA Initiative, perguntavam se era uma festa. No «mejor lugar para la fiesta de toda Europa», até as manifestações anti-festa são animação turística :)
Foto de Narcís Presas

13/08/2011

Empata folladas

"Lloret es el mejor lugar para la fiesta de toda Europa. La gente es guapa, es un buen lugar para follar... Lo único malo son los mossos [d'esquadra]"
Os polícias são uns empata folladas para o «sonriente y ebrio Bruno, un alemán» que vive a melhor noite dos seus 17 anos num dos mais famosos destinos europeus de turismo de borracheira, que oferece 80 camas de hotel por cada 100 habitantes, 80% dos quais vivem do turismo.
Os polícias, o pessoal de socorro e os técnicos de saúde são alguns dos restantes 20% que, não vivendo do turismo, ocupam grande parte do seu tempo prestando serviços a turistas. Questiona-se se as reduzidas margens de comercialização de camas e de álcool de baixa qualidade cobrirão os custos crescentes daqueles serviços. Há quem diga que se deve acabar a imagem de Lloret «como un lugar idílico para el turismo de borrachera», o que certamente obrigaria Bruno a procurar outros lugares para follar...

03/08/2011

A bolha do futebol

Depois dos Estados, as SAD's ibéricas são o melhor exemplo de como se pode viver em permanente estado de défice orçamental. Tal como os centros escolares, os comboios de alta velocidade e os aeroportos são vitais para tirarem os países da crise, o "investimento" em grandes futebolistas é "absolutamente necessário" para "devolver a alegria à massa associativa". A banca e os fundos de investimento lá estão, sempre prontos a financiar estes negócios com base em "garantias" de especulação sobre o valor futuro dos futebolistas.
Se o BCE não teve pejo de aceitar garantias do valor comercial de jogadores do Real Madrid, em conjunto com moinhos de vento, a CMVM portuguesa quer saber como é possível um fundo de investimento, "situado a um nível mais elevado da cadeia de domínio" de uma das 13 SAD's espanholas falidas, pagar avultada quantia por um avicultor que precisa de um assistente para agarrar galinhas.

02/08/2011

Ronaldo bankia

Afinal aquela notícia de April's Fools não será assim tão fool... segundo El País, o BCE aceita como garantia, para ceder liquidez ao Bankia, o empréstimo que o Real Madrid contraiu para comprar o (passe de) Cristiano Ronaldo. Uma Caja do grupo Bankia, com problemas de liquidez, emprestou, com um spread sobre a Euribor bastante reduzido, muito dinheiro a um clube de futebol com um rácio de endividamento de 75%. Como é evidente, não consegue financiar-se a esse spread e o BCE dá-lhe a mão, basicamente, a troco dos pés de Ronaldo.
O empréstimo dos pés de Ronaldo não é a única garantia Bankia. O grosso da garantia são empréstimos ao quixotesco negócio dos moinhos de vento, o qual, como toda a gente sabe, nunca é bom quando vindo de Espanha. Quem sabe, sabe, e quem garante o vento é que sabe.
Foto de Associated Press mostrando Ronaldo a repor os líquidos no banco. Ao lado esquerdo
está a solução para os problemas de liquidez do futebol, da banca e da economia espanhola.

18/11/2010

Monumental da Luz

Foto EFE
Por falta de AVE, os madrilenos perderam um magnífico espectáculo taurino em Lisboa.


Resta agradecer aos campeones que, apesar das fronteiras fechadas, não se esqueceram dos caramelos.

28/09/2010

O outro relatório da OCDE - 2

Desta vez não vou citar o relatório da OCDE, vou relembrar o que disse o Ministro do Fomento de Espanha em Maio no Congresso dos Deputados, sem precisar do frete de Gurría.

«Los ciudadanos no entenderían, que cuando se les pide un esfuerzo en sus economías personales y familiares, el sector público no haga lo mismo, y sigamos construyendo más y más infraestructuras, cuando las prioridades del país, ahora, son otras.»
«Por todo ello, vamos a abordar esta situación reprogramando la mayoría de las inversiones que estamos acometiendo y reconsiderando las que no son imprescindibles. Esto se traduce en que vamos a posponer nuevas licitaciones, demorar plazos de finalización de obras, suspender temporalmente actuaciones e [sic] incluso anular contratos en ejecución.»

Por cá, só temos o Oliveira da Figueira.

04/08/2010

Espanhol Técnico

Antonio Elorza escreveu no País:
«Entre tanto, Rodríguez Zapatero sigue fiel a sí mismo: sin una idea concreta en la cabeza (...) pero con una decisión firme de eternizarse en el Gobierno para beneficiarse en el futuro de la soñada recuperación económica. En su cuadro de preocupaciones no entran la nación, ni el español, ni el Estado, ni la Constitución (...)»

Vejamos a tradução em Espanhol Técnico:
«Entretanto, Pinto de Sousa continúa fiel a sí mismo: sin una idea concreta en la cabeza (...) pero con una decisión firme de entronizarse nel Gobierno para beneficiarse en el futuro de la soñada recuperación económica. En su lista de preocupaciones no entran la nación, ni el portugues, ni el Estado, ni la Constitución (...)».

08/07/2010

Lacaio armado em jagunço - II

Foto de José Goulão
Através da decisão do Tribunal de Justiça da UE, ficamos a saber que este lacaio considera que a alienação da participação de uma empresa de telecomunicações portuguesa numa empresa de telecomunicações brasileira a uma empresa de telecomunicações espanhola põe em causa «a segurança da disponibilidade da rede de telecomunicações em caso de crise, de guerra ou de terrorismo».

E eu a pensar que ele estava apenas a defender o Tratado de Tordesilhas...

07/07/2010

Lacaio armado em jagunço

Foto de José Goulão
Não conheço o sr. Vitalino Canas de lado nenhum e não faço considerações pessoais sobre o desempenho de fretes papéis políticos. No entanto, é dificil resistir perante o ridículo das figuras a que este senhor se presta na praça pública...

Lacaio de um Primeiro Ministro que, para consumo interno, se faz filmar ao telefone com o "compañero" que manda(va) do lado de lá da fronteira; que iniciou uma campanha eleitoral em Valência; vem agora acusar o principal candidato ao lugar de seu amo de «ajoelhar-se aos interesses espanhóis». Citando o seu amo, dir-se-ia:
«Mas o argumento mais extraordinário que foi usado (...) é o argumento segundo o qual estamos empenhados (...) para "fazer o jeito" aos espanhóis, a soldo de Espanha. (…) Isto significa um ataque baixo, um ataque anti-democrático, um ataque que é um ataque do passado, não é um ataque dos dias de hoje. A nossa democracia não merece ouvir isto"».

A mim, que sou muito português e gosto de Espanha, o que me espanta é que o sr. Vitalino tenha ficado calado quando, há uma semana, em terras famosas pelos feitos heróicos de navegadores lusos, um representante de Portugal se ajoelhou aos espanhóis.

05/07/2010

Nuestros hermanos e o país irmão

Uma empresa espanhola faz uma oferta para comprar a participação de uma empresa portuguesa numa empresa brasileira. Quando está tudo preparado para a venda, o Governo de Portugal impede o negócio, vincando uma "posição ideológica" para defender "interesses estratégicos" do país. Engraçado seria o Governo do Brasil, na mesma linha ideológica e para defender "interesses estratégicos" do país, decretar a nacionalização da empresa brasileira...

Não conheço inquéritos à população brasileira sobre a bondade ideológica ou estratégica de uma eventual nacionalização da Vivo, mas conheço um inquérito à população portuguesa que me permite concluir que os portugueses não se revêem naquilo que o seu Governo define como "interesses estratégicos". Trata-se do Barómetro de Opinião Hispano-Luso, donde destaco o seguinte resultado:
  • 86% dos portugueses são a favor da «supressão de todas as restrições à mobilidade e fixação de quadros, trabalhadores e empresas»
Note-se que os inquiridos portugueses têm bem a noção do Primeiro Ministro que têm, já que 45% são favoráveis à obrigatoriedade do espanhol no ensino básico.

29/06/2010

Aljubarrota


Aljubarrota, originally uploaded by Beijokense.
Quem é que hoje (29-6-2010) vai fazer o papel da padeira?

Adenda pós-jogo: ficou a sensação de que a padeira foi corrida à pazada.

21/05/2010

O que se passa no Governo de Espanha?

O ministro das Obras Públicas do Governo de Portugal, disse hoje aos jornalistas: «Falei quinta feira com o meu homólogo, José Blanco, e ele ficou muito impressionado com as notícias que estavam a circular em Portugal, dizendo-me que não tinham qualquer fundamento». Significa portanto que a intervenção do próprio José Blanco no Congresso dos Deputados (V. no post anterior o que destaquei dessa intervenção) "não tem qualquer fundamento".
Ontem eu tinha dito que é Ferreira Leite que governa Espanha :) Hoje parece que é António Mendonça. É que, acreditando no senador estremenho José Miguel Camacho, eleito pelo PSOE, o Ministro de Fomento não sabe qual o impacto que os cortes do seu ministério terão na construção da linha Madrid-Lisboa: «No puedo anticipar si afectará al AVE Madrid Lisboa, entre otras cosas, porque ni el propio ministro lo sabe».

20/05/2010

Espanhol técnico

Ya nada volverá a ser como antes. Todos los que estamos aquí, somos conscientes de que este nivel de inversión no se puede mantener. Estamos revisando nuestra planificación. Sé que Alcaldes y Presidentes de Comunidades Autónomas, Diputados y Senadores, de todos los partidos, todos los que aquí estáis, también del mío, van a expresar sentimientos de agravio. Probablemente nadie se quede contento. Pero no es momento para el victimismo. Es el momento de la racionalidad, del sentido común y de la responsabilidad.
(...)
Los ciudadanos no entenderían, que cuando se les pide un esfuerzo en sus economías personales y familiares, el sector público no haga lo mismo, y sigamos construyendo más y más infraestructuras, cuando las prioridades del país, ahora, son otras.

Por todo ello, vamos a abordar esta situación reprogramando la mayoría de las inversiones que estamos acometiendo y reconsiderando las que no son imprescindibles. Esto se traduce en que vamos a posponer nuevas licitaciones, demorar plazos de finalización de obras, suspender temporalmente actuaciones e [sic] incluso anular contratos en ejecución.
(...)
Pero con carácter general, todas las actuaciones tanto en carreteras, como en ferrocarriles, sufrirán un retraso medio de al menos un año en los plazos de ejecución. Con la salvedad de aquellas que podamos licitar o complementar a través del Plan Extraordinario de Colaboración Público-privada. En estos casos, se podrán mantener los plazos.

Está tudo aqui (para os cépticos, trata-se da intervenção de Pepe Blanco - o presidente do governo de facto, desde que o Zé Luis caíu do cavalo - na Comissão de Fomento do Congresso dos Deputados). Serve para provar que, a menos que caiba no Plano Extraordinário das PPP's, a linha Madrid-Poceirão sofrerá, na melhor das hipóteses, "un retraso".

La presidenta del Gobierno es... Manuela Ferreira Leite

«Sei o que disseste no Verão passado», terá pensado de Ferreira Leite o ministro do Fomento de Espanha, José Blanco.
Como na altura aqui escrevi, foi através dos espanhóis que tomei conhecimento da proposta de Ferreira Leite, em Agosto de 2009, de «Suspenderemos inmediatamente los procesos de adjudicación en curso para la alta velocidade», «priorizando la rehabilitación y desarrollo de la red ferroviaria convencional».
E foi através do mesmo periódico que hoje li que Blanco está a levar à prática as propostas da ex-líder do PSD: “Todas las actuaciones, tanto en carreteras como en ferrocarriles, sufrirán un retraso medio de al menos un año en los plazos de ejecución”, declaró el ministro. O ministro disse ainda que «se otorgará prioridad a las obras de “mantenimiento, mejora y explotación, frente a las de nueva construcción”, especialmente en los proyectos relacionados con la red de ferrocarril de alta velocidad».

Só me causa espécie este pormenorzito: na altura, os espanhóis criticaram MFL por «no cumpliendo así los pactos internacionales firmados con España», o que logo suscitou um apedrejamento na nossa praça. Estou para ver se os lapidadores vão agora a correr aos espanhóis exigir o TGV (aproveitem e tragam também Olivença).

P.S. O DN colocou online a notícia das medidas de Blanco, mas preferiu destacar no título que «reduz administradores e salários»! Diz ainda que as obras «prioritárias como as da rede ferroviária de alta velocidade» escapam ao corte, o que é contraditado pelos jornais espanhóis, os quais garantem que o «AVE a Valencia» é a única excepção.
P.P.S. Ainda o DN: «O adiamento do projecto de alta velocidade pode levar à perda de fundos da UE e ao pagamento de indemnizações a Espanha para cobrir os custos e perdas pela "suspensão unilateral" do TGV, avisou ontem o ministro das Obras Públicas». Este não foi encornado, foi corneado pelo touro Osborne.
P.P.P.S. Com muitas horas de atraso, os principais OCS nacionais começam a divulgar a notícia da suspensão.

Leituras complementares do "Verão passado":
"O argumento do respeito por tratados internacionais", comentário de Carlos Eduardo da Cruz Luna neste blogue.
"O Património Ferroviário do Vale do Douro", artigo meu sobre o facto de os castelhanos, pela segunda vez na História, estarem-se nas tintas para a Linha do Douro.
"A vingança de Manuela Ferreira Leite", opinião de Carlos Cipriano, onde se fala sobre a primeira vez que os castelhanos se estiveram nas tintas...