20/08/2010

Orvalhadas


Orvalho, originally uploaded by Beijokense.

O orvalho forma-se quando o vapor de água excede o limite que o ar consegue reter, para uma dada temperatura. É comum a formação de orvalho nas plantas pelo facto de, durante a madrugada, elas arrefecerem rapidamente e provocarem a condensação no ar à sua volta.
Em Portugal, o fenómeno é frequente nalguns verões, mas noutros torna-se mais raro, isto porque a temperatura mínima do ar se mantém elevada e/ou a humidade é baixa. É isso que aconteceu no último mês, ao contrário do que tinha acontecido em igual período do ano passado:
Na grande maioria dos últimos 30 dias, a temperatura mínima nunca se aproximou da temperatura máxima a que era possível orvalhar. Situação bem diferente ocorreu no período homólogo de 2009, que foi fresco e húmido. Isto não serve para explicar os incêndios, mas serve para ilustrar como S. Pedro é invocado quando se porta mal e trocado por S. Sócrates quando se porta bem. Quando ele bufa, vendemos electricidade aos espanhois a preço inferior ao "custo", e os louros vão para «os governos de José Sócrates». Qualdo ele borrifa, o sucesso do "combate" aos incêndios é atribuído ao «dispositivo». Nas palavras de Alberto Gonçalves:
No ano passado, o mérito pela escassez de incêndios cabia ao Governo e não a um Verão particularmente fresquinho. Este ano, a culpa pela devastação em curso é do calor tórrido, dos criminosos, dos negligentes e do "aquecimento global": não é do Governo. Aparentemente, a acção preventiva da tutela reflecte-se nos sucessos, não nos fracassos.
É perfeitamente compreensível que o S. Pedro nos vire as costas e obrigue certos xamãs a dançar para outros manda-chuvas.

15/08/2010

Rentrée

No Público, nota-se o regresso à normalidade, com o penalty salvífico do Frutabol Clube do Porto e a habitual aquisição (com a correspondente papelada) de mobiliário pacense para o museu do Sporting. Nada que se compare ao quíntuplo destaque dado ao OE 2011 elaborado por PPC.

12/08/2010

Minha querida sondagem

O INE estima que, em 2009, 2,6 milhões (29%) de portugueses maiores de 15 anos (9 milhões) dormiram pelo menos uma noite fora da residência habitual, por motivo de lazer, recreio ou férias. Dos 2,6 milhões de turistas, 230 mil (9%) viajaram para o estrangeiro. Ou seja, o maior e mais fiável estudo sobre as viagens dos portugueses, feito segundo as normas europeias sobre a matéria, estima que 2,5% dos portugueses maiores de 15 anos fizeram uma viagem de lazer ao estrangeiro que tenha implicado, pelo menos, uma dormida fora da residência habitual.

Estes números são fresquinhos e vêm a propósito de um artigo de Ana Sofia Fonseca no Diário Ecómico de ontem, intitulado "Meu querido mês de Agosto", o qual recupera o malfadado "estudo elaborado pela Marktest para o portal de reservas Hotels.com", para assegurar que «34% dos inquiridos mantém a ideia de ir para fora». No parágrafo anterior, a jornalista menciona o estudo da GFK para o WSJ, segundo o qual 2 em cada 3 portugueses não sairiam de casa, resultado que deixa o director de marketing da Soltrópico «de sobrolho franzido».

Na realidade, a sondagem da GFK não perguntava se as pessoas iam viajar, mas quanto iriam gastar em viagens de lazer. Os 66% correspondem à percentagem de portugueses que escolheram a opção de resposta: «Nenhum, vou ficar em casa, não viajo». Apesar da pergunta não ser a mais indicada, os resultados assemelham-se aos do inquérito do INE às viagens dos residentes em Portugal e a outros estudos que têm sido feitos sobre o assunto - apenas 1/3 dos portugueses faz viagens de lazer. Não há dados seguros sobre quantos fazem viagens "de férias" (mínimo de quatro noites), mas não serão mais de 1/5. Férias no estrangeiro são privilégio de cerca de 3% dos portugueses. O facto de eu, a Ana Sofia Fonseca, os seus entrevistados e os clientes da Soltrópico fazermos parte desse grupo restrito, não nos deve afastar da noção da realidade vivida pela população portuguesa.

Então, porque é que a sondagem da GFK dá resultados próximos dos obtidos pelo INE e pelos estudos científicos na área, enquanto o "estudo elaborado pela Marktest para o portal de reservas Hotels.com" dá resultados de uma realidade virtual? A resposta é bastante simples: o estudo da Marktest é feito numa realidade virtual! Enquanto a amostra da GFK é retirada da população portuguesa, a amostra da Marktest é um painel de voluntários que preenchem um questionário online, a troco de um voucher. Não é difícil perceber que esse painel não é representativo da população portuguesa.

Leitura complementar: Atitude patriótica.

Eucaliplândia


Eucaliplândia, originally uploaded by Beijokense.
Algures no concelho de Penacova, Eucaliplândia, Portugal.

05/08/2010

O futebol é isto mesmo

O Guardian diz que, comparando com o que aconteceu à selecção da Coreia do Norte, os futebolistas ingleses se podem dar por muito felizes por terem levado "porrada" apenas da imprensa. Por sua vez, o Figaro diz que o seleccionador francês escapou de boa! Ao nosso Professor, que homenageou os humilhados, poderíamos sugerir que fosse ocupar o lugar deixado vago por Kim Jung-hun...

04/08/2010

Espanhol Técnico

Antonio Elorza escreveu no País:
«Entre tanto, Rodríguez Zapatero sigue fiel a sí mismo: sin una idea concreta en la cabeza (...) pero con una decisión firme de eternizarse en el Gobierno para beneficiarse en el futuro de la soñada recuperación económica. En su cuadro de preocupaciones no entran la nación, ni el español, ni el Estado, ni la Constitución (...)»

Vejamos a tradução em Espanhol Técnico:
«Entretanto, Pinto de Sousa continúa fiel a sí mismo: sin una idea concreta en la cabeza (...) pero con una decisión firme de entronizarse nel Gobierno para beneficiarse en el futuro de la soñada recuperación económica. En su lista de preocupaciones no entran la nación, ni el portugues, ni el Estado, ni la Constitución (...)».