04/12/2011

A matéria da economia

O dinheiro dos pensionistas da banca viajou no tempo: metade veio do futuro para se consumir no presente a pagar o passado. No futuro, essas pensões serão pagas, obviamente, por mais dívida pública ou impostos, o que é a mesma coisa em tempos diferentes.

Esta crónica de PSG lembra-nos qua a economia não se rege pelas leis da matéria - quando se produz algo com um valor superior ao que se consome, gera-se um excedente. Este "milagre" resulta da criatividade humana - capacidade de combinar recursos para gerar outros de valor superior e, obviamente, criatividade para valorizar o resultado da produção.
Felizmente, a criatividade humana não tem limites. Por exemplo, há quem seja capaz de chamar "excedente" ao pagamento de despesas passadas escavando mais um buraco orçamental que alguém terá de tapar no futuro. Faz sentido, se quem receber o dinheiro o utilizar para aumentar a produtividade do seu negócio, por exemplo.
Há ainda quem seja criativo ao ponto de considerar que esse "excedente" poderia ter sido usado para pagar o meu subsídio de Natal. Também faz sentido - com ele eu teria comprado um computador novo, com inegáveis efeitos na minha produtividade bloguística, por exemplo.

27/11/2011

As minhas escolhas

A Chama Imensa

Tinta da China, 2010, 14,30€

Só eles sabem porque não ficaram em casa. Talvez procurem uma Chama Imensa, mas, incapazes de senti-la interiormente, precisam de fazê-la no exterior. O Inferno é o local indicado.

22/11/2011

Fly Emirates

Foto H4K
A estratégia de fazer incidir especialmente sobre os trabalhadores mais qualificados o pagamento dos robalos e alheiras tem riscos associados ao limite de "solidariedade" que os ditos estão dispostos a suportar. É certo que esses trabalhadores, como a generalidade dos seus concidadãos, criaram um contexto de vida que lhes dificulta a mobilidade, mas o reiterado sacrifício fiscal a que estão sujeitos pode ser o incentivo que faltava...
Hoje, como há 50 anos, emigram os que podem ser mais produtivos, os que querem trabalhar mais do que a média. A diferença relativamente a esse período, é que agora são os mais qualificados que têm mais incentivos para fugir daqui. Como diz este texto de Carlos Guimarães Pinto, eles não se importam de trocar o Estado Social pelo valor dos seus impostos. É verdade, são egoístas, mas a solidariedade tem limites.

18/11/2011

Como se constrói a mediocridade - II

Novo texto do Jacarandá, desta vez centrado no empobrecimento da instituição universitária:
  1. «O ensino universitário criou todas as ilusões. Ou delas sofreu. A ilusão igualitária foi uma delas. [...] A selecção e o mérito foram moralmente condenados e politicamente denunciados. A ilusão profissional foi outra. [...] A empregabilidade transformou-se num dos principais critérios de avaliação. A especialização profissional foi desejada e cultivada. Inventaram-se títulos, áreas, diplomas e cursos sem critério nem sensatez, sempre à procura de saídas profissionais de oportunidade duvidosa e expediente fácil. A missão científica da universidade, a permanente procura da verdade e a incansável tentativa de compreender e explicar, foi secundarizada.»
  2. «A cultura geral e a erudição, que deveriam estar presentes em todas as disciplinas, ganharam os tristes estatutos de inutilidade socialmente condenável ou de variante facultativa. As aspirações, certamente nobres e legítimas, à democratização, ao igualitarismo e à vocação profissional consideraram a cultura dispensável. Erro histórico!»

14/11/2011

Como se constrói a mediocridade

  1. «Os Portugueses, por séculos de pobreza, de analfabetismo e desigualdade, tiveram reduzido acesso à cultura. Hoje, as escolas, por obsessão profissional, desdenham a cultura, abandonam as artes e marginalizam a erudição.»
  2. «Um dos obstáculos ao desenvolvimento sempre foi esta atávica vontade de conter a propriedade, de dominar o investimento e de condenar as actividades lucrativas. Em dois séculos, perdeu-se propriedade e investimento, por actos de pura cupidez política ou pessoal.»
De um texto de António Barreto, que pode ser lido na íntegra no Jacarandá.