Se há sector que pode ser moldado pelo poder político, é o turismo. E os governos catalães optaram pelo modelo de turismo barato. Sou dos que acreditam que o turismo faz parte da economia do lixo. Da prostituição social. É nele que se centra a economia dos países que não sabem, ou não querem, fazer mais nada. O que diferencia uma mulher que vende os seus encantos, dum país que vende os seus? O número de pessoas envolvidas na operação. (...) O peso do turismo [na Catalunha] já ascende a 14% do PIB (9% em França, 8,5% em Itália). Somos um país prostituído.
Desde que me conheço que se fala de reconverter o nosso turismo. Gostamos de nos enganar. Falar de "turismo de qualidade" é tão contraditoriamente estúpido como pretender promover a "prostituição virgem". O máximo que se pode almejar é que aqueles que nos visitam tenham um alto poder aquisitivo. E, para solucionar este problema, ainda não se inventou, em economia, nada de novo: há que reduzir a oferta para aumentar os preços. (...) O poder político tem de deixar de ser simpático e tem de enfrentar os líderes do sector. Explicar-lhes que a ilusão acabou. Como? Muito fácil: aumentando os impostos do sector, impondo normas duras e exigentes e realizando inspecções rigorosas. O que implica encerrar, no mínimo, metade dos estabelecimentos existentes. Além do motivo da oferta e procura, já enunciado, devemos fazê-lo por uma simples razão de higiene: a maioria dos hotéis e bares catalães não valem nada. Não são apresentáveis. Já sei que apresentarão o velho argumento: "O turismo cria riqueza!". Não sem razão. O macroprostíbulo de La Jonquera também cria riqueza. Alguém pode negá-lo? O cultivo de coca gera muitos empregos na América Latina. Alguém pode negá-lo?
17/08/2011
Puta de Catalunha: uma visão sobre a economia turística
A propósito do caso Lloret de Bar, deixo aqui a minha tradução de parte de um artigo de Xavier Roig. O original em catalão pode ser lido aqui.
16/08/2011
Empata folladas - II
Mais 1500 empata folladas manifestaram-se nas ruas de Lloret de Mar Bar, reclamando uma mudança no modelo de exploração turística da cidade. Quando a manifestação passava pela principal avenida do turismo de borracheira, alguns turistas, certamente pensando tratar-se de obra da DHARMA Initiative, perguntavam se era uma festa. No «mejor lugar para la fiesta de toda Europa», até as manifestações anti-festa são animação turística :)
Foto de Narcís Presas
13/08/2011
Empata folladas
"Lloret es el mejor lugar para la fiesta de toda Europa. La gente es guapa, es un buen lugar para follar... Lo único malo son los mossos [d'esquadra]"Os polícias são uns empata folladas para o «sonriente y ebrio Bruno, un alemán» que vive a melhor noite dos seus 17 anos num dos mais famosos destinos europeus de turismo de borracheira, que oferece 80 camas de hotel por cada 100 habitantes, 80% dos quais vivem do turismo.
Os polícias, o pessoal de socorro e os técnicos de saúde são alguns dos restantes 20% que, não vivendo do turismo, ocupam grande parte do seu tempo prestando serviços a turistas. Questiona-se se as reduzidas margens de comercialização de camas e de álcool de baixa qualidade cobrirão os custos crescentes daqueles serviços. Há quem diga que se deve acabar a imagem de Lloret «como un lugar idílico para el turismo de borrachera», o que certamente obrigaria Bruno a procurar outros lugares para follar...
06/08/2011
Heterogeneidade medieval
As feiras medievais com taberneiros, cavaleiros e malabaristas de fogo estão na moda e multiplicaram-se nos últimos anos um pouco por todo o país. Só entre Junho e Setembro deste ano realizam-se pelo menos 50 em Portugal.A Lusa procurou saber a que se deve a proliferação destes eventos e lembrou-se de consultar um "especialista". Um psicólogo, pensei. Não! Um professor de História Medieval que garante que «O sucesso das feiras e torneios medievais explica-se por algum desencanto com o presente muito homogeneizado e, portanto igual por toda a parte». O que vale aos desencatados com o presente é que estas recriações medievais são diferentes por toda a parte e muito heterogéneas. Tanto que até as há que se realizam em Outubro e nem precisam de matar mouros - basta-lhes um herói treinado no corte de pepinos e capaz de subjugar o adversário asnelense.
04/08/2011
Tristes Trópicos
Joana Roque de Pinho: A corrupção. A corrupção que é uma característica muito queniana, a todos os níveis, económicos e políticos [...] e aí houve episódios que me revoltaram.
Carlos Vaz Marques: Mais do que a excisão? Mais do que o chicotear de mulheres?
Joana Roque de Pinho: Sim. Sim porque, lá está o meu idealismo, eu vejo um bocado essa corrupção e o desvio de dinheiros [...], vejo um bocado como uma consequência da introdução da economia de mercado e portanto esses Maasai já não são tão puros.
03/08/2011
A bolha do futebol
Depois dos Estados, as SAD's ibéricas são o melhor exemplo de como se pode viver em permanente estado de défice orçamental. Tal como os centros escolares, os comboios de alta velocidade e os aeroportos são vitais para tirarem os países da crise, o "investimento" em grandes futebolistas é "absolutamente necessário" para "devolver a alegria à massa associativa". A banca e os fundos de investimento lá estão, sempre prontos a financiar estes negócios com base em "garantias" de especulação sobre o valor futuro dos futebolistas.
Se o BCE não teve pejo de aceitar garantias do valor comercial de jogadores do Real Madrid, em conjunto com moinhos de vento, a CMVM portuguesa quer saber como é possível um fundo de investimento, "situado a um nível mais elevado da cadeia de domínio" de uma das 13 SAD's espanholas falidas, pagar avultada quantia por um avicultor que precisa de um assistente para agarrar galinhas.
Se o BCE não teve pejo de aceitar garantias do valor comercial de jogadores do Real Madrid, em conjunto com moinhos de vento, a CMVM portuguesa quer saber como é possível um fundo de investimento, "situado a um nível mais elevado da cadeia de domínio" de uma das 13 SAD's espanholas falidas, pagar avultada quantia por um avicultor que precisa de um assistente para agarrar galinhas.
02/08/2011
Ronaldo bankia
Afinal aquela notícia de April's Fools não será assim tão fool... segundo El País, o BCE aceita como garantia, para ceder liquidez ao Bankia, o empréstimo que o Real Madrid contraiu para comprar o (passe de) Cristiano Ronaldo. Uma Caja do grupo Bankia, com problemas de liquidez, emprestou, com um spread sobre a Euribor bastante reduzido, muito dinheiro a um clube de futebol com um rácio de endividamento de 75%. Como é evidente, não consegue financiar-se a esse spread e o BCE dá-lhe a mão, basicamente, a troco dos pés de Ronaldo.
O empréstimo dos pés de Ronaldo não é a única garantia Bankia. O grosso da garantia são empréstimos ao quixotesco negócio dos moinhos de vento, o qual, como toda a gente sabe, nunca é bom quando vindo de Espanha. Quem sabe, sabe, e quem garante o vento é que sabe.
O empréstimo dos pés de Ronaldo não é a única garantia Bankia. O grosso da garantia são empréstimos ao quixotesco negócio dos moinhos de vento, o qual, como toda a gente sabe, nunca é bom quando vindo de Espanha. Quem sabe, sabe, e quem garante o vento é que sabe.
Foto de Associated Press mostrando Ronaldo a repor os líquidos no banco. Ao lado esquerdo
está a solução para os problemas de liquidez do futebol, da banca e da economia espanhola.
está a solução para os problemas de liquidez do futebol, da banca e da economia espanhola.
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