06/08/2011

Heterogeneidade medieval

As feiras medievais com taberneiros, cavaleiros e malabaristas de fogo estão na moda e multiplicaram-se nos últimos anos um pouco por todo o país. Só entre Junho e Setembro deste ano realizam-se pelo menos 50 em Portugal.
A Lusa procurou saber a que se deve a proliferação destes eventos e lembrou-se de consultar um "especialista". Um psicólogo, pensei. Não! Um professor de História Medieval que garante que «O sucesso das feiras e torneios medievais explica-se por algum desencanto com o presente muito homogeneizado e, portanto igual por toda a parte». O que vale aos desencatados com o presente é que estas recriações medievais são diferentes por toda a parte e muito heterogéneas. Tanto que até as há que se realizam em Outubro e nem precisam de matar mouros - basta-lhes um herói treinado no corte de pepinos e capaz de subjugar o adversário asnelense.

04/08/2011

Tristes Trópicos

Joana Roque de Pinho: A corrupção. A corrupção que é uma característica muito queniana, a todos os níveis, económicos e políticos [...] e aí houve episódios que me revoltaram.

Carlos Vaz Marques: Mais do que a excisão? Mais do que o chicotear de mulheres?

Joana Roque de Pinho: Sim. Sim porque, lá está o meu idealismo, eu vejo um bocado essa corrupção e o desvio de dinheiros [...], vejo um bocado como uma consequência da introdução da economia de mercado e portanto esses Maasai já não são tão puros.

03/08/2011

A bolha do futebol

Depois dos Estados, as SAD's ibéricas são o melhor exemplo de como se pode viver em permanente estado de défice orçamental. Tal como os centros escolares, os comboios de alta velocidade e os aeroportos são vitais para tirarem os países da crise, o "investimento" em grandes futebolistas é "absolutamente necessário" para "devolver a alegria à massa associativa". A banca e os fundos de investimento lá estão, sempre prontos a financiar estes negócios com base em "garantias" de especulação sobre o valor futuro dos futebolistas.
Se o BCE não teve pejo de aceitar garantias do valor comercial de jogadores do Real Madrid, em conjunto com moinhos de vento, a CMVM portuguesa quer saber como é possível um fundo de investimento, "situado a um nível mais elevado da cadeia de domínio" de uma das 13 SAD's espanholas falidas, pagar avultada quantia por um avicultor que precisa de um assistente para agarrar galinhas.

02/08/2011

Ronaldo bankia

Afinal aquela notícia de April's Fools não será assim tão fool... segundo El País, o BCE aceita como garantia, para ceder liquidez ao Bankia, o empréstimo que o Real Madrid contraiu para comprar o (passe de) Cristiano Ronaldo. Uma Caja do grupo Bankia, com problemas de liquidez, emprestou, com um spread sobre a Euribor bastante reduzido, muito dinheiro a um clube de futebol com um rácio de endividamento de 75%. Como é evidente, não consegue financiar-se a esse spread e o BCE dá-lhe a mão, basicamente, a troco dos pés de Ronaldo.
O empréstimo dos pés de Ronaldo não é a única garantia Bankia. O grosso da garantia são empréstimos ao quixotesco negócio dos moinhos de vento, o qual, como toda a gente sabe, nunca é bom quando vindo de Espanha. Quem sabe, sabe, e quem garante o vento é que sabe.
Foto de Associated Press mostrando Ronaldo a repor os líquidos no banco. Ao lado esquerdo
está a solução para os problemas de liquidez do futebol, da banca e da economia espanhola.

30/07/2011

(Um)a definição de socialismo

Villaverde Cabral é um investigador com algum prestígio no meio académico. «Lev[ou] 70 anos a descobrir» que «o socialismo é um clientelismo de Estado».

Agora imaginem como se sente o meu ego ao ler esta entrevista - é que eu fiz essa "descoberta" antes de ter direito de voto e mesmo antes de ter lido pela primeira vez um texto de Villaverde Cabral! E, já agora, caso Villaverde Cabral ainda não se tenha dado conta, também há muito descobri que todos os partidos que nos têm governado são socialistas.

25/07/2011

É da Caneco

Naquela noite de Julho, véspera de fim-de-semana, António não queria voltar ao álcool. Apenas queria voltar a sentir-se um homem, pôr o coração a correr a 300 km/hora, se se estatelasse pouco importava, punha-se Betadine e um penso rápido e a dor passava. Antes dor que dormência. Ele queria era sentir o coração a bater.