Estou cada vez mais desiludido.
No site do Centro de Estudos Sociais ficamos a saber que o investigador José Manuel Pureza coordena o Núcleo de Estudos para a Paz, mas também que tem «responsabilidades de co-coordenação do Programa de Doutoramento em Política Internacional e Resolução de Conflitos». Ficamos também a saber que é Licenciado em Direito e Doutor em Sociologia.
Depois vamos ao site do Público e ficamos a saber que o mesmo «José Manuel Pureza, admitiu, preto no branco, que esta é uma moção "contra a direita e contra quem governa com políticas de direita"». i.e. que a bancada que o Prof. Beleza lidera vai apresentar uma moção de censura ao Governo tão mansa como a tia do Chefe.
Desculpe Prof. Pureza, mas o senhor não tem perfil de palhaço. Volte lá para o CES e deixe esse seu lugar para um qualquer Tiririca mais qualificado para a função.
12/02/2011
01/02/2011
Um país de inovadores
«A rubrica em que Portugal mostra um melhor resultado - e está mesmo em terceiro lugar face os países da Europa a 27 - é no item "Inovadores", isto é, dos países com empresas que declaram ter introduzido produtos ou processos inovadoras no mercado (...)»
«O pior lugar de todos acaba por ser mesmo nos efeitos económicos conseguidos, onde ocupa a 23.ª posição. Indicadores como o emprego em sectores que exigem elevada qualificação, o volume das exportações de bens de média e alta tecnologia ou a venda de bens resultantes de inovações apresentam desempenhos e evoluções abaixo da média europeia.»
Este é um resumo da forma como Luísa Pinto noticia o relatório que, segundo Carlos Zorrinho, demonstra que Porugal é «líder de crescimento na inovação». Ou seja, os empresários acham que são muito inovadores, mas não ganham nada com isso. Terão aprendido com quem?
Nota: Não consigo perceber onde foi a jornalista buscar a ideia de que Portugal «é também o país em que mais jovens com idades entre os 20 e os 24 anos têm o ensino secundário completo». Qualquer cidadão minimamente informado sabe que não é o caso e o relatório em causa atribui a Portugal um valor de 71 nesse indicador, cuja média europeia é indexada em 100.
Já agora, é justo reconhecer que não é só de garganta que os portugueses estão a melhorar - Portugal apresenta valores bastante superiores à média europeia nos indicadores "novos doutorados" e "publicações científicas internacionais".
«O pior lugar de todos acaba por ser mesmo nos efeitos económicos conseguidos, onde ocupa a 23.ª posição. Indicadores como o emprego em sectores que exigem elevada qualificação, o volume das exportações de bens de média e alta tecnologia ou a venda de bens resultantes de inovações apresentam desempenhos e evoluções abaixo da média europeia.»
Este é um resumo da forma como Luísa Pinto noticia o relatório que, segundo Carlos Zorrinho, demonstra que Porugal é «líder de crescimento na inovação». Ou seja, os empresários acham que são muito inovadores, mas não ganham nada com isso. Terão aprendido com quem?
Nota: Não consigo perceber onde foi a jornalista buscar a ideia de que Portugal «é também o país em que mais jovens com idades entre os 20 e os 24 anos têm o ensino secundário completo». Qualquer cidadão minimamente informado sabe que não é o caso e o relatório em causa atribui a Portugal um valor de 71 nesse indicador, cuja média europeia é indexada em 100.
Já agora, é justo reconhecer que não é só de garganta que os portugueses estão a melhorar - Portugal apresenta valores bastante superiores à média europeia nos indicadores "novos doutorados" e "publicações científicas internacionais".
O peso do ensino privado
Caro Paulo Guinote, com duas variáveis também se consegue uma melhor imagem. Neste caso, com dados do PISA 2009, poderemos relativizar esse papão dos lucros privados pagos com dinheiro dos contribuintes. Como aparte, diria que é interessante ver essa preocupação com o lucro dos colégios e, simultaneamente, a despreocupação com os lucros da J. P. Sá Couto ou das construtoras que andam a "requalificar" o parque escolar...
Há um grande grupo de países (Finlândia, Suécia, Noruega, Alemanha, Holanda, Chéquia, Eslováquia e Eslovénia) onde não há ensino "verdadeiramente" privado, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é público. Por outro lado, Grécia, EUA e R. Unido têm uma posição inversa, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é privado.
Note-se que Portugal está muito próximo da média da OCDE em ambas as variáveis. Note-se ainda que, seguindo essa corrente contra o ensino público em escolas privadas, Portugal aproximar-se-ia da Grécia :)

Há um grande grupo de países (Finlândia, Suécia, Noruega, Alemanha, Holanda, Chéquia, Eslováquia e Eslovénia) onde não há ensino "verdadeiramente" privado, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é público. Por outro lado, Grécia, EUA e R. Unido têm uma posição inversa, i.e. todo o ensino prestado por escolas privadas é privado.
Note-se que Portugal está muito próximo da média da OCDE em ambas as variáveis. Note-se ainda que, seguindo essa corrente contra o ensino público em escolas privadas, Portugal aproximar-se-ia da Grécia :)

N.B. Devido à elevada dispersão, o gráfico tem escala logarítmica.
Um gráfico com três variáveis tem mais graça
Paulo Guinote tem-se dedicado a apresentar alguns gráficos com estatísticas sobre sistemas educativos, nomeadamente sobre o papel do sector privado na oferta educativa. Por exemplo, escreveu um post sobre um gráfico romeno que ilustra que Portugal ocupa o «6º lugar num conjunto de 27» países da OCDE representados nesse gráfico, no que respeita ao peso do ensino privado do 1.º ao 12.º ano de escolaridade.
Guinote deu ao post o título «Estas coisas têm a sua graça», mas eu acho que têm mais graça com mais variáveis "ao barulho". Por exemplo, no gráfico abaixo, adicionei os resultados PISA 2009 e o regime constitucional!
Dois factos engraçados:

Guinote deu ao post o título «Estas coisas têm a sua graça», mas eu acho que têm mais graça com mais variáveis "ao barulho". Por exemplo, no gráfico abaixo, adicionei os resultados PISA 2009 e o regime constitucional!
Dois factos engraçados:
- No quadrante superior direito só há círculos azuis.
- No quadrante inferior direito só há países ibéricos.

N.B. Devido à elevada dispersão, o eixo horizontal tem escala logarítmica.
29/01/2011
Notícias do Paraíso
Por razões bem diferentes das originais, não consigo evitar pensar no livro que aqui "aconselhei" na Páscoa de 2009...
28/01/2011
A Alçada do Estado
Devido à actualidade do assunto, decidi recuperar aqui uma história que publiquei há um ano no Beijós XXI. Antes, porém, vejamos uma citação de uma famosa entrevista a Rui Ramos:
«(...) tínhamos [no séc. XIX] na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou».
Agora recordemos o que se passou em Beijós:
Diz-se que a meados da década de 1830 o Pe. Luiz Coelho Machado ensinava «grammatica portugueza e latina, o ensino primario, logica, e filosophia racional e moral, ao que tudo se prestava de graça porque seguia a regra - gratis accepistis, gratis date.» No entanto, o referido padre, que ficou do lado de Alexandre Lobo no cisma, foi perseguido e a mocidade ficou «sem meio de educação litteraria, ou religiosa, por que os homens do dia são mais zelosos na colheita do subsidio litterario do que em proporcionarem aos povos meios de instrução».
Em 1839 o Estado abriu concurso para uma escola oficial. Como os padres não podiam ensinar, encarregou-se um semi-analfabeto do mister. Como demonstrei aqui, o professor que ficou com a cadeira do ensino primário em Beijós, por largos anos, só teve avaliação positiva numa matéria - Doutrina Christã! Era medíocre na leitura, na escrita, na gramática... eu vi as provas na Torre do Tombo e fiquei deveras impressionado - nota-se a mesma dificuldade em desenhar letras e algarismos que se podia encontrar nos programas de alfabetização de adultos do pós-25 de Abril.
«(...) tínhamos [no séc. XIX] na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou».
Agora recordemos o que se passou em Beijós:
Diz-se que a meados da década de 1830 o Pe. Luiz Coelho Machado ensinava «grammatica portugueza e latina, o ensino primario, logica, e filosophia racional e moral, ao que tudo se prestava de graça porque seguia a regra - gratis accepistis, gratis date.» No entanto, o referido padre, que ficou do lado de Alexandre Lobo no cisma, foi perseguido e a mocidade ficou «sem meio de educação litteraria, ou religiosa, por que os homens do dia são mais zelosos na colheita do subsidio litterario do que em proporcionarem aos povos meios de instrução».
Em 1839 o Estado abriu concurso para uma escola oficial. Como os padres não podiam ensinar, encarregou-se um semi-analfabeto do mister. Como demonstrei aqui, o professor que ficou com a cadeira do ensino primário em Beijós, por largos anos, só teve avaliação positiva numa matéria - Doutrina Christã! Era medíocre na leitura, na escrita, na gramática... eu vi as provas na Torre do Tombo e fiquei deveras impressionado - nota-se a mesma dificuldade em desenhar letras e algarismos que se podia encontrar nos programas de alfabetização de adultos do pós-25 de Abril.
A "tal" sondagem
Volto à sondagem que tanta polémica provocou na semana passada, para apresentar os resultados brutos e desmentir definitivamente os que alegavam que a amostra seria de 100 (versão do email divulgado neste post) ou 218 (versão Daniel Oliveira). Já se sabia que a amostra era de 802, ficando agora (i.e. desde a divulgação do depósito na ERC) a saber-se que 520 responderam à pergunta abaixo reproduzida, dos quais 498 escolheram um dos candidatos.
A sondagem nada tem de "miraculoso", sendo certo que há uma nítida subrepresentação do candidato do PCP, tal como em eleições anteriores o CDS foi subrepresentado por todas as empresas.
Se neste momento houvesse eleições para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, em que candidato votaria?
A Marktest faz uma ventilação de resultados por quatro variáveis. Uma delas é a intenção de voto se houvesse eleições legislativas, a qual nos dá uma informação bastante útil para quem se admirou com o mau desempenho de Alegre. Dos 89 inquiridos que responderam PS e, simultaneamente, escolheram um dos candidatos à PR, 35 (39%) responderam Cavaco Silva à pergunta acima referida. Mesmo atendendo à elevada margem de erro desta estimativa, não deixa de ser um resultado bastante significativo.
A sondagem nada tem de "miraculoso", sendo certo que há uma nítida subrepresentação do candidato do PCP, tal como em eleições anteriores o CDS foi subrepresentado por todas as empresas.
Se neste momento houvesse eleições para a PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, em que candidato votaria?
A Marktest faz uma ventilação de resultados por quatro variáveis. Uma delas é a intenção de voto se houvesse eleições legislativas, a qual nos dá uma informação bastante útil para quem se admirou com o mau desempenho de Alegre. Dos 89 inquiridos que responderam PS e, simultaneamente, escolheram um dos candidatos à PR, 35 (39%) responderam Cavaco Silva à pergunta acima referida. Mesmo atendendo à elevada margem de erro desta estimativa, não deixa de ser um resultado bastante significativo.
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