01/09/2010

Reputação e audiência

É possível que os portugueses atribuam menor reputação aos OCS que mais lêem, vêem ou ouvem? É estranho, mas seria essa a conclusão se acreditássemos nos estudos de reputação de marcas e de audiência da Marktest.

Televisão
A líder de audiências, TVI, tem uma reputação de apenas 58 pontos em 100, muito abaixo dos 73 da RTP e dos 71 da SIC.

Rádio
A TSF (4,1%) tem menos de metade da audiência da RR (8,5%), mas é líder na reputação.

Imprensa
Nos diários, o lider incontestado de audiências, Correio da Manhã (13%), é o que apresenta menor reputação (58 pontos).
Nos semanários, a ordem de reputação já está mais próxima da ordem de audiências.

Sendo a mesma empresa de estudos de mercado a medir audiências e reputação, como se explica esta discrepância? Admitindo que os instrumentos de medida estão correctos, suspeito que os resultados não são obtidos a partir da mesma população. Tudo leva a crer que o problema reside na base de sondagem para o estudo de reputação. O "recurso a entrevistas de auto-preenchimento online" implica uma população mais escolarizada do que a média da população portuguesa. Usando uma linguagem comum, a amostra não é "representativa" da população portuguesa.

Adenda 23:00Alexandre Pais mostra aqui a evolução nas vendas em banca dos principais jornais, de 2009 para 2010. É curioso verificar que os três diários com maior reputação foram os que tiveram uma evolução negativa mais forte e que o menos reputado foi o único diário generalista que aumentou as vendas!

Patrocínios do avesso

LETRAS E CONTEÚDOS: Opinião: Passos do avesso: "A graça de Passos Coelho e o seu estado pueril eram fantásticos, no pós-congresso do PSD. [...] Ele, afinal, é o construtor de uma deriva ultraliberal para Portugal e o intérprete dos interesses económicos mais gananciosos."

Esta preocupação do deputado Acácio Pinto com a "interpretação" dos interesses económicos sugere-me, por exemplo, o modo como organismos do Estado têm "interpretado" interesses económicos do "amigo Joaquim".
Em regimes capitalistas, é comum haver "interesses económicos mais gananciosos" que patrocinam (chamam-lhe mecenato) equipamentos e actividades dos institutos públicos, obtendo um benefício fiscal e um benefício na imagem corporativa. No regime que Acácio Pinto defende, são os institutos públicos a patrocinar interesses económicos privados!
A programação da TSF inclui vários blocos de propraganda financiados ou apoiados pelo Governo e apresentados como se fossem criações jornalísticas: "Com o apoio do Ministério da Economia e Inovação"; "Um programa da TSF e da Rede de Comunicação do QREN"; "Uma parceria TSF/ Instituto de Emprego e Formação Profissional"; etc.
Agora, quando o Governo resolveu tomar partido num caso de "perturbações a um controlo antidoping", é muito interessante notar que o DN criou um site/ dossier específico sobre antidoping, com o patrocínio do Instituto do Desporto de Portugal, I.P. que engloba a Autoridade Antidopagem, "zamente" uma das partes envolvidas no caso que ocupa o noticiário do site!

30/08/2010

Fê de foda-se!

Foda-se! exclamação que exprime espanto, admiração, impaciência ou indignação, o que sinto ao ler não apenas o post, mas, sobretudo, os comentários da sobranceira e malcriada bloguista que assina fê.

P.S. não costumo ler a fê, cheguei ao post via Aventar.

29/08/2010

Cantar de galo


Rooster, originally uploaded by Beijokense.
Para acalmar as hostes da águia, é bom recordar que Ricardo também defendia penalties - até sem luvas! E, por isso, não deixa(va) de ser frangueiro.

E porque não poupar nos transportes?

Depois de vir para os OCS dizer que foi enganado pelas letras pequeninas do protocolo com o ME, o Presidente da Câmara Municipal de Lamego acalmou os cavalos dos autocarros que o ME "admitiu" financiar com verbas do QREN. Até se dar cnta de que não vem nenhum autocarro, Francisco Lopes diz que o transporte de 500 alunos será assegurado pelas juntas de freguesia.
Mas o Presidente de Lamego diz muito mais ao «questionar se "o processo de extinção das comunidades rurais não acabará por ser a maneira de manter as cidades, de lhes dar dimensão, evitando que a sangria seja ainda maior"». O Presidente do Presidente, «Fernando Ruas, admite, contudo, que o principal problema reside na questão dos transportes».
Está tudo resolvido - extingue-se as comunidade rurais, muda-se toda a população para as sedes de concelho e poupa-se imenso dinheiro e CO2 com os transportes para todo o tipo de equipamentos colectivos. Ah, e poupa-se também nos ordenados dos presidentes de junta!

28/08/2010

Pontapés na gramática LUSA

Muitos criticam o treinador do Benfica pela sua tendência para dar pontapés na gramática. Eu critico-o pela sua tendência para escolher frangueiros. No campeonato dos pontapés gramaticais, Jesus está muito atrás dos jornalistas da LUSA. O pontapé de hoje é a troca de lugar das brasas numa expressão que indica a aflição que "o país" vive neste dia. Erro prontamente repetido pelos robots dos media, aqui ilustrados pelo Sol,  pelo Sapo ou pela TSF (estes dois nem sequer identificam a origem da notícia).

27/08/2010

O(s) conto(s) do protocolo - III

Desta vez, além da surpresa por o Governo não pagar à Câmara na altura supostamente acordada, o Presidente da Câmara ficou estupefacto «depois de lhe ter sido dito que não tinham sido encontrados os documentos relacionados com o protocolo assinado entre a Câmara e o Ministério da Agricultura».

Fonte: Viseu, Senhora da Beira

Ver: O(s) conto(s) do protocolo - II