Vocês querem lá ver? Então não é que uns investigadores da
Duke University resolveram publicar um
working paper no National Bureau of Economic Research dizendo que a utilização dos computadores para tarefas escolares
diminui o desempenho dos alunos na leitura e na matemática?
Os autores são claros ao afirmar que as associações positivas que habitualmente se encontram entre posse de computador e acesso a internet e desempenho escolar se devem a outras variáveis não consideradas nesses modelos. Pelo contrário, quando se mede o efeito da utilização de computador numa coorte de alunos que passaram a utilizá-lo a partir do 5.º ano, resulta um efeito que eu reputaria cagagesimal, mas
negativo: «students who gain access to a home computer between 5th and 8th grade tend to witness a
persistent decline in reading and math test scores.»
A explicação não é difícil de encontrar e é compatível com algumas ideias que já apresentei aqui anteriormente. Os efeitos da utilização de computadores são benéficos nas famílias mais escolarizadas, onde os pais controlam essa utilização. Nas famílias de classe social mais baixa, apresentadas como as grandes beneficiárias dos programas e-escola e e-escolinha, os pais não têm competência para analisar e controlar a utilização do computador para fins de aprendizagem. Usando a expressão dos autores, «
unproductive uses may not only crowd out productive computer time, but may also crowd out offline studying.» Ou seja, o computador torna-se (mais) numa barreira à aprendizagem.
Logo, a conclusão política: «for school administrators interested in
maximizing achievement test scores, or reducing racial and socioeconomic disparities in test scores,
all evidence suggests that a program of broadening home computer access would be counterproductive.» Parece-me tão claro que até alguém que "fez" Inglês por fax seria capaz de entender.
Perante isto, aumenta a minha convicção de que o *brilhante* programa Magalhães, para além de um
favor à J. P. Sá Couto, pode ter sido um
bom negócio para a Intel ou a PT, mas foi (
continua sendo!) um péssimo negócio para o contribuinte. Os únicos efeitos benéficos para as famílias "desfavorecidas" serão um
rendimento adicional ou o aumento da
capacidade de resistência à "violência policial".
Leitura adicional:
Para que serve a Internet? Beijós XXI, Outubro de 2008