04/07/2010

As minhas escolhas

Economia Portuguesa : As últimas décadas

Fundação Francisco Manuel dos Santos, 3,5€

Quem não tiver tempo para ler as 90 e tal páginas, pode passar directamente aos gráficos, são bem elucidativos.
Em termos absolutos, o nosso PIB é hoje o dobro do que era antes do 25 de Abril. No entanto, em termos relativos, pouco nos aproximámos dos países mais desenvolvidos, com a agravante de termos "andado para trás" na última década.
Nos últimos 20 anos do Estado Novo a economia cresceu sustentada (também) nos ganhos de produtividade. Depois de 1974, a economia cresceu (quando cresceu!) à custa do aumento da taxa de actividade, do dinheiro que nos "deram" (comprimidos azuis) e do endividamento.
«No futuro, nem as disponibilidades de financiamento externo nem a reserva de mão-de-obra voltarão a estar disponíveis da mesma forma. Torna-se assim claro o grande problema da economia portuguesa: a produtividade no longo prazo».

03/07/2010

Os americanos devem estar loucos

Vocês querem lá ver? Então não é que uns investigadores da Duke University resolveram publicar um working paper no National Bureau of Economic Research dizendo que a utilização dos computadores para tarefas escolares diminui o desempenho dos alunos na leitura e na matemática?

Os autores são claros ao afirmar que as associações positivas que habitualmente se encontram entre posse de computador e acesso a internet e desempenho escolar se devem a outras variáveis não consideradas nesses modelos. Pelo contrário, quando se mede o efeito da utilização de computador numa coorte de alunos que passaram a utilizá-lo a partir do 5.º ano, resulta um efeito que eu reputaria cagagesimal, mas negativo: «students who gain access to a home computer between 5th and 8th grade tend to witness a persistent decline in reading and math test scores

A explicação não é difícil de encontrar e é compatível com algumas ideias que já apresentei aqui anteriormente. Os efeitos da utilização de computadores são benéficos nas famílias mais escolarizadas, onde os pais controlam essa utilização. Nas famílias de classe social mais baixa, apresentadas como as grandes beneficiárias dos programas e-escola e e-escolinha, os pais não têm competência para analisar e controlar a utilização do computador para fins de aprendizagem. Usando a expressão dos autores, «unproductive uses may not only crowd out productive computer time, but may also crowd out offline studying.» Ou seja, o computador torna-se (mais) numa barreira à aprendizagem.

Logo, a conclusão política: «for school administrators interested in maximizing achievement test scores, or reducing racial and socioeconomic disparities in test scores, all evidence suggests that a program of broadening home computer access would be counterproductive.» Parece-me tão claro que até alguém que "fez" Inglês por fax seria capaz de entender.

Perante isto, aumenta a minha convicção de que o *brilhante* programa Magalhães, para além de um favor à J. P. Sá Couto, pode ter sido um bom negócio para a Intel ou a PT, mas foi (continua sendo!) um péssimo negócio para o contribuinte. Os únicos efeitos benéficos para as famílias "desfavorecidas" serão um rendimento adicional ou o aumento da capacidade de resistência à "violência policial".

Leitura adicional:
Para que serve a Internet? Beijós XXI, Outubro de 2008

02/07/2010

Arma de arremesso

Por tudo e por nada, os políticos usam a expressão "arma de arremesso". Por exemplo, o Secretário de Estado Paulo Campos (é vê-lo aqui a pedir para me arremessarem um livro - obrigado Sr. Secretário de Estado, já cá o tenho!) disse recentemente que a Comissão de Inquérito sobre a Fundação para as Comunicações Móveis é «uma arma de arremesso político contra um dos programas mais importantes de combate à infoexclusão em Portugal».
Ora bem, agora temos a prova de que esse "programa" é, literalmente, uma arma de arremesso, não no combate à infoexclusão, mas antes no combate à polícia:
«Como é que gente que vive do Rendimento Social de Inserção se pode dar ao luxo de atirar computadores contra a polícia?». É ler aqui.

30/06/2010

Juntos, eles conseguem

Cada um à sua maneira, eles sentem-se sozinhos a "puxar pelo país"... para o abismo, numa sucessão de quinzenas em que o mundo se vira de pernas para o ar.
Não seria boa ideia juntá-los?
Foto de MRamires

Mau perder

Portugal derrotou Espanha, reduzida a 10 jogadores, através de um penalty muito contestado, num jogo em que a equipa das quinas controlou a posse de bola.

#FalemComQueiroz

Quatro jogos. Três sem marcar. Três sem sofrer.
Podem queixar-se de o único golo sofrido ter sido precedido de fora-de-jogo, mas, bem vistas as coisas, perder contra o campeão europeu e n.º 2 do ranking mundial não é um desastre. A equipa cumpriu o que se esperava dela. A convocatória de Queiroz foi clara quanto aos objectivos - para jogar para o zero-zero não é preciso avançados. Os avançados são jogadores que se desgastam muito e isso deve ser mau para os objectivos.

O melhor: Eduardo - defendeu tudo o que era possível e algumas que não era possível.
O pior: as vedetas - nem hambúrgueres, nem ketchup.
Os dispensáveis: à excepção de Pepe (de muletas), os brasileiros não cabem na camisola.
Os que a mais não são obrigados: Coentrão, Carvalho, Tiago, Meireles e Almeida.