20/05/2010

Espanhol técnico

Ya nada volverá a ser como antes. Todos los que estamos aquí, somos conscientes de que este nivel de inversión no se puede mantener. Estamos revisando nuestra planificación. Sé que Alcaldes y Presidentes de Comunidades Autónomas, Diputados y Senadores, de todos los partidos, todos los que aquí estáis, también del mío, van a expresar sentimientos de agravio. Probablemente nadie se quede contento. Pero no es momento para el victimismo. Es el momento de la racionalidad, del sentido común y de la responsabilidad.
(...)
Los ciudadanos no entenderían, que cuando se les pide un esfuerzo en sus economías personales y familiares, el sector público no haga lo mismo, y sigamos construyendo más y más infraestructuras, cuando las prioridades del país, ahora, son otras.

Por todo ello, vamos a abordar esta situación reprogramando la mayoría de las inversiones que estamos acometiendo y reconsiderando las que no son imprescindibles. Esto se traduce en que vamos a posponer nuevas licitaciones, demorar plazos de finalización de obras, suspender temporalmente actuaciones e [sic] incluso anular contratos en ejecución.
(...)
Pero con carácter general, todas las actuaciones tanto en carreteras, como en ferrocarriles, sufrirán un retraso medio de al menos un año en los plazos de ejecución. Con la salvedad de aquellas que podamos licitar o complementar a través del Plan Extraordinario de Colaboración Público-privada. En estos casos, se podrán mantener los plazos.

Está tudo aqui (para os cépticos, trata-se da intervenção de Pepe Blanco - o presidente do governo de facto, desde que o Zé Luis caíu do cavalo - na Comissão de Fomento do Congresso dos Deputados). Serve para provar que, a menos que caiba no Plano Extraordinário das PPP's, a linha Madrid-Poceirão sofrerá, na melhor das hipóteses, "un retraso".

La presidenta del Gobierno es... Manuela Ferreira Leite

«Sei o que disseste no Verão passado», terá pensado de Ferreira Leite o ministro do Fomento de Espanha, José Blanco.
Como na altura aqui escrevi, foi através dos espanhóis que tomei conhecimento da proposta de Ferreira Leite, em Agosto de 2009, de «Suspenderemos inmediatamente los procesos de adjudicación en curso para la alta velocidade», «priorizando la rehabilitación y desarrollo de la red ferroviaria convencional».
E foi através do mesmo periódico que hoje li que Blanco está a levar à prática as propostas da ex-líder do PSD: “Todas las actuaciones, tanto en carreteras como en ferrocarriles, sufrirán un retraso medio de al menos un año en los plazos de ejecución”, declaró el ministro. O ministro disse ainda que «se otorgará prioridad a las obras de “mantenimiento, mejora y explotación, frente a las de nueva construcción”, especialmente en los proyectos relacionados con la red de ferrocarril de alta velocidad».

Só me causa espécie este pormenorzito: na altura, os espanhóis criticaram MFL por «no cumpliendo así los pactos internacionales firmados con España», o que logo suscitou um apedrejamento na nossa praça. Estou para ver se os lapidadores vão agora a correr aos espanhóis exigir o TGV (aproveitem e tragam também Olivença).

P.S. O DN colocou online a notícia das medidas de Blanco, mas preferiu destacar no título que «reduz administradores e salários»! Diz ainda que as obras «prioritárias como as da rede ferroviária de alta velocidade» escapam ao corte, o que é contraditado pelos jornais espanhóis, os quais garantem que o «AVE a Valencia» é a única excepção.
P.P.S. Ainda o DN: «O adiamento do projecto de alta velocidade pode levar à perda de fundos da UE e ao pagamento de indemnizações a Espanha para cobrir os custos e perdas pela "suspensão unilateral" do TGV, avisou ontem o ministro das Obras Públicas». Este não foi encornado, foi corneado pelo touro Osborne.
P.P.P.S. Com muitas horas de atraso, os principais OCS nacionais começam a divulgar a notícia da suspensão.

Leituras complementares do "Verão passado":
"O argumento do respeito por tratados internacionais", comentário de Carlos Eduardo da Cruz Luna neste blogue.
"O Património Ferroviário do Vale do Douro", artigo meu sobre o facto de os castelhanos, pela segunda vez na História, estarem-se nas tintas para a Linha do Douro.
"A vingança de Manuela Ferreira Leite", opinião de Carlos Cipriano, onde se fala sobre a primeira vez que os castelhanos se estiveram nas tintas...

18/05/2010

Monos de imitación

Estamos habituados a que Sócrates e seus acólitos venham recorrentemente anunciar-nos o vanguardismo da governação. Se com o TGV vamos, finalmente, ligar-nos à Europa, com as energias renováveis e o casamento de pessoas do mesmo sexo vamos salvar o planeta e dar um passo civilizacional.
Qualquer pessoa minimamente informada sobre o que se passa "no país vizinho" sabe que toda esta retórica é copiada da propaganda do PSOE. E tudo o que Sócrates possa fazer a respeito deste "pioneirismo", Zapatero já fez primeiro! Sobre as renováveis e o TGV, estamos conversados! Falemos, então, do «passo de civilização democrática».
Se, para "salvar o país", Sócrates encontrou à "direita" o parceiro para o tango que lhe faltava há meses, já para avançar Portugal para a Europa e para a Civilização, está cá a esquerda. O BE considera que Portugal passou a estar «no conjunto dos países avançados do Mundo que dá todos os direitos a toda a gente». O PCP é mais sóbrio reconhecendo apenas «um passo para a igualdade entre os cidadãos, que vem eliminar restrições e obstáculos que havia a que as pessoas pudessem viver as suas opções sexuais em liberdade e sem discriminações».
Eu tendo a concordar com o PCP. É apenas um passo, bastante pequeno. Não compreendo a satisfação da ILGA e do Opus Gay. Não compreenddo como a lei agora promulgada pode «acabar com uma exclusão, uma fractura que diferenciava as pessoas em função da orientação sexual». Segundo a APA, que é a referência nestas matérias:
«Sexual orientation refers to an enduring pattern of emotional, romantic, and/or sexual attractions to men, women, or both sexes. (...) Research over several decades has demonstrated that sexual orientation ranges along a continuum, from exclusive attraction to the other sex to exclusive attraction to the same sex. However, sexual orientation is usually discussed in terms of three categories: heterosexual (having emotional, romantic, or sexual attractions to members of the other sex), gay/lesbian (having emotional, romantic, or sexual attractions to members of one's own sex), and bisexual (having emotional, romantic, or sexual attractions to both men and women)».
Tendo ainda em conta que «sexual orientation is closely tied to the intimate personal relationships that meet deeply felt needs for love, attachment, and intimacy. In addition to sexual behaviors, these bonds include nonsexual physical affection between partners, shared goals and values, mutual support, and ongoing commitment», a não discriminação implica, obviamente, que se permita o casamento aos que ficam no meio do continuum, ou, se quisermos categorizar, os bissexuais. Ora isto só se consegue descriminalizando a poligamia. Para não discriminar, os hetero e os homo também terão direito a casamentos poligâmicos. E quem não o admitir é polifóbico.

17/05/2010

Bruna arquivada

Aquiles perguntava (aqui): Vocês já viram alguma vez a Bruna filosofada?
Eu não.
No entanto, alguns poderão ver, a partir de hoje, a Bruna arquivada. E supervisionada (por um técnico superior).

Nota 1: Diz a vereadora com o pelouro da Educação da Câmara de Mirandela que «encontravam-se espalhadas pelas escolas reproduções das fotografias da revista, o que lhe [a Bruna Real] causava algum constrangimento». Deduz-se, portanto, que o Arquivo Municipal de Mirandela não tem a colecção da Playboy nacional. Tá mal.

Nota 2: Tirar fotos para a Playboy confere habilitação para a função de arquivista ou documentalista.

Nota 3: Não resisti:

16/05/2010

De Espanha, nem bom vento, nem bom TGV

Poucos dias após o Governo de Espanha ter «caído del caballo de su utópica revolución de la energía verde», parece que os espanhóis também se deram conta de que têm demasiados aeroportos e demasiados quilómetros de alta velocidade!
«"Lo que a veces se justifica como inversión social no lo es. Si lo fuera, que hagan AVE y aeropuertos en cada pueblo" espeta Germà Bel, catedrático de Economía Aplicada y experto en infraestructuras de la Universidad de Barcelona. A su juicio, para ahorrar, "se deberían paralizar los gastos del AVE, son una extravagancia, vamos a tener más kilómetros que Francia y Japón y, sin embargo, muchos menos pasajeros, es absurdo", recalca.
(...)
«En su opinión, y también la de De Rus, también hay una sobreoferta de aeropuertos. De los 48 aeropuertos públicos dependientes de AENA, sólo nueve tienen beneficios. Y el déficit del ente público gestor asciende a 15.000 millones.
(...)
«"Pues sí, hace falta más transporte de mercancías por ferrocarril, pero a lo mejor no hace falta construir muchas vías, sino reaprovechar las existentes... Tenemos que superar ese síndrome constructivo", advierte Miralles-Guasch [profesora de Geografía de la Universidad Autónoma de Barcelona].»

Zapatero caíu do cavalo e acabará provavelmente no divã a tratar o síndroma da construção. Por cá, circulam rumores de que o seu mimo Sócrates terá caído da cadeira e o Governo está no divã com o seu transtorno bipolar.

15/05/2010

A Bruna

Como Aquiles Arquelau, eu também achei que a Bruna justificou cada centavo do investimento da Playboy. Lembrei-me disso com um sorriso, nestes dias em que o arremedo de Playboy que é a versão Tuga trouxe para a ribalta outra Bruna - consta-se que com demasiados atributos para as actividades extra-curriculares para as quais tinha sido contratada.

11/05/2010

25 de Junho

Este é o onze que, no dia 25-6-2009, na África do Sul, garantiu o acesso à final da Taça das Confederações, ao bater a equipa anfitriã por 1-0. Jogaram dois benfiquistas, o n.º 14 e o n.º 18.
Precisamente um ano depois, no mesmo país mas noutro estádio, se Dunga repetir o time, Luisão e Ramires poderão defrontar, no máximo, um colega de equipa. Mas defrontarão, seguramente, dois compatriotas... ou mesmo três, se a FIFA admitir jogadores de muletas.