27/03/2010

Foto da semana

É uma República de príncipes e princesas predestinados. Apesar do aspecto sorridente, Anakin falhou e agora os crentes viram-se para Luke.

25/03/2010

PECável

O assunto está almofadado pelas exibições do Benfica mas, ainda assim, nos dias em que não há jogo, fala-se de PEC p'ra cá, PEC p'ra lá... não percebo porque há tantos portugueses interessados em discutir um plano?!
Um plano deste género é um mero exercício numa folha de cálculo de um Magalhães. Há precisamente 14 meses, o mesmo Ministro das Finanças apresentou um PEC (tecnicamente, uma actualização de um outro PEC). O documento pode ser consultado na íntegra aqui. Nada do que estava planeado nesse plano (o pleonasmo é estilístico...) coincide com o que está planeado no novo plano. Exemplificando, o plano de 2009 previa um défice de 2,3% em 2011; o plano de 2010 prevê um défice de 6,6% para 2011; o plano de 2011 previrá qualquer outra coisa para o défice de 2011; e o défice "real" de 2011 saber-se-á lá para meados de 2012.
Do mesmo modo, o plano de 2009 previa uma dívida pública de 70% do PIB em 2011. O plano de 2010 (gráfico ao lado) prevê 89,4% (92,2% se o Governo não cortasse nas prestações sociais e não aumentasse o IRS) e eu prevejo 93%. Fica aí o gráfico para memória futura...

Parece-me que agora se fala muito do PEC porque se prevêem medidas que vão mexer no bolso dos que pagam impostos sobre os rendimentos do trabalho. Secundariamente, porque uma parte da base de apoio do Governo não concorda com a diminuição de transferências para a segurança social.
No entanto, parece-me (com a ressalva de não ser economista) que nada disto funciona se não houver crescimento do denominador, i.e. o PIB. O mesmo plano confia na recuperação do investimento (que crashou completamente em 2009) e da procura externa para o tímido crescimento do PIB. Precisa-se confiança e competitividade. E é neste ponto que eu tenho uma pergunta para os economistas que sabem fazer contas:
Alguém é capaz de calcular qual o impacto que as "relações perigosas" entre o poder político, os reguladores e as administrações das grandes empresas (banca, utilities, telecomunicações, construtoras, cimenteiras) têm no défice?

P.S. Ao ler este post de um deputado do PSD pelo círculo onde votei, compreendo por que o plano se diz de Estabilidade - significa que o PSD não pode votar contra porque o PR e a direcção (?) do partido confundem deixar o governo cair de podre com estabilidade governativa e esta com "interesse nacional".

21/03/2010

Foto da semana

Hoje Jesus beneficiou de uma oferta do Espírito Santo.
O jogo foi ainda uma demonstração do fair play característico do capitão do Porto, que tem a mania de que canta de galo.

17/03/2010

Tristezas não pagam dívidas

... mas as risadas pagam IRS. Enquanto o povo se ri, continua a votar naqueles que, entre uns apertozinhos nas mamas, lhe cobram mais 2,8 mil milhões de euros de IRS (em três anos), sob a eufemística rubrica "redução de despesa fiscal"!

15/03/2010

Eleitores do Carregal - de 1878 a 1915

A manipulação simplista oficial da História da I República costuma equiparar as Revoluções de 1910 e 1974, como se ambas tivessem derrubado uma ditadura e instituído uma democracia.
Uma forma fácil de destruir este mito é provar que o direito de voto era mais alargado na Monarquia Constitucional do que foi na I República. O gráfico ao lado mostra a redução do direito de voto no meu concelho, Carregal do Sal.
As colunas representam, no eixo da esquerda, o número de recenseados. No entanto, face ao crescimento populacional, é mais preciso analisar as taxas de recenseamento, i.e. a proporção da população que constava nos cadernos eleitorais (eixo da direita).
A linha vermelha mostra a percentagem da população maior de 21 anos que estava recenseada - passou de cerca de 20% no tempo da monarquia para cerca de 10% na República. Atendendo a que, de facto, na Monarquia e de direito, na República, só os homens votavam, compreende-se melhor o efeito considerando apenas a proporção de recenseados entre os varões maiores de 21 - passou de 1/2 na Monarquia para menos de 1/3 na República.
A lei eleitoral da República instituiu o sufrágio capacitário - além de outros requisitos, era obrigatório ser do sexo masculino, saber ler e saber escrever português. A elevada feminização da população, devida à emigração, e o considerável analfabetismo, mesmo entre os varões, penalizaram a representação eleitoral de concelhos rurais, como o Carregal. Em 1915, estimou-se que residissem no concelho 14.000 pessoas, das quais 2.836 eram varões maiores de 21. Destes, apenas 1.324 sabiam ler e escrever. Outros impedimentos legais e alguns expedientes administrativos reduziram o número efectivo de recenseados para 914. Votaram 588.