21/03/2010

Foto da semana

Hoje Jesus beneficiou de uma oferta do Espírito Santo.
O jogo foi ainda uma demonstração do fair play característico do capitão do Porto, que tem a mania de que canta de galo.

17/03/2010

Tristezas não pagam dívidas

... mas as risadas pagam IRS. Enquanto o povo se ri, continua a votar naqueles que, entre uns apertozinhos nas mamas, lhe cobram mais 2,8 mil milhões de euros de IRS (em três anos), sob a eufemística rubrica "redução de despesa fiscal"!

15/03/2010

Eleitores do Carregal - de 1878 a 1915

A manipulação simplista oficial da História da I República costuma equiparar as Revoluções de 1910 e 1974, como se ambas tivessem derrubado uma ditadura e instituído uma democracia.
Uma forma fácil de destruir este mito é provar que o direito de voto era mais alargado na Monarquia Constitucional do que foi na I República. O gráfico ao lado mostra a redução do direito de voto no meu concelho, Carregal do Sal.
As colunas representam, no eixo da esquerda, o número de recenseados. No entanto, face ao crescimento populacional, é mais preciso analisar as taxas de recenseamento, i.e. a proporção da população que constava nos cadernos eleitorais (eixo da direita).
A linha vermelha mostra a percentagem da população maior de 21 anos que estava recenseada - passou de cerca de 20% no tempo da monarquia para cerca de 10% na República. Atendendo a que, de facto, na Monarquia e de direito, na República, só os homens votavam, compreende-se melhor o efeito considerando apenas a proporção de recenseados entre os varões maiores de 21 - passou de 1/2 na Monarquia para menos de 1/3 na República.
A lei eleitoral da República instituiu o sufrágio capacitário - além de outros requisitos, era obrigatório ser do sexo masculino, saber ler e saber escrever português. A elevada feminização da população, devida à emigração, e o considerável analfabetismo, mesmo entre os varões, penalizaram a representação eleitoral de concelhos rurais, como o Carregal. Em 1915, estimou-se que residissem no concelho 14.000 pessoas, das quais 2.836 eram varões maiores de 21. Destes, apenas 1.324 sabiam ler e escrever. Outros impedimentos legais e alguns expedientes administrativos reduziram o número efectivo de recenseados para 914. Votaram 588.

14/03/2010

Foi você que viu... um porco a andar de bicicleta?

Eu não vi, mas ouvi Victor Correia dizer que viu e, desde então, a minha sensibilidade à "incredulidade" e à "estupefacção" diminuiu consideravelmente.
Pouco importa se Canas, a voz do dono que, em si mesmo, representa todas as dificuldades que um membro de um partido tem para criticar abertamente o líder, esteja farto de ver porcos ciclistas. O que importa é que 352 delegados (praticamente 2/3 dos votos) ao Congresso do PSD votaram favoravelmente «a proposta relativa às sanções aos militantes que tomassem posições contra o partido nos 60 dias imediatamente anteriores à realização de eleições».
Para o André Freire: com ou sem directas, os militantes partidários facilmente aplaudem as acrobacias velocistas dos Sócrates e Santanas da nossa democracia.
Imagem: Cata-vento de Barry Norling

Sob esta Alçada - 1

A Ministra da Educação fez currículo a contar histórias a criancinhas, mas agora que tem de debitar contos a adultos, está a evidenciar os limites da sua criatividade:
«Foi-me dito que o miniclima de Beja está relativamente diferente, graças ao Alqueva, que refrescou a cidade, e que tornou um pouco mais húmida esta zona» disse a Ministra para justificar (!?) que «o pavilhão polivalente coberto, acabado de construir - ao abrigo do projecto de requalificação do edifício escolar -, deixa entrar água a ponto de interditar o espaço às aulas de Educação Física».

A qualidade da ficção é desafiada pelo presidente da famosa Parque Escolar, que ficcionou ao mesmo nível «frisando que as condições climatéricas que têm ocorrido desde o passado mês de Dezembro "não são próprias do Alentejo"», para responder a queixas dos alunos, que comparam o pavilhão a "uma arca congeladora".

Começando pela ficcionista-mor, o conceito de miniclima é interessante e será, com certeza, aproveitado pelos seus pares no Governo que não se cansam de promover o plano de barragens na cruzada contra o aquecimento global - as barragens são refrescantes. Até pode ser que Beja se torne "um pouco mais húmida", "graças ao Alqueva" e não graças a S. Pedro, mas seria muito duvidoso que o relativo humedecimento fosse o responsável pelas condições "climatéricas" que "não são próprias do Alentejo".

Estes novelistas das alterações climáticas não têm um assessor que lhes mostre uma página do sítio do IM onde estão as chamadas "normais climatológicas" para a cidade de Beja? Lá poderiam ter visto que, fazendo a média de 30 anos (1971-2000), a temperatura mínima é inferior a 10ºC em metade do ano (Novembro a Abril) e foram registados valores inferiores a -3ºC nos meses de Janeiro a Março.
Quanto à "humidade", é verdade que a precipitação em Beja em Fevereiro de 2010 foi mais do dobro da média 1971-2000, mas há zonas muito afastadas do Alqueva - algumas áreas do Algarve, da Beira Baixa e do Douro - onde a precipitação triplicou os valores médios. Mais significativo do que isso, a precipitação excepcional de Fevereiro de 2010 em Beja foi apenas 25% superior à média do mês de Dezembro durante os 30 anos de referência.

Construir uma "arca congeladora" no interior do Alentejo apenas demonstra que esta "máquina" que deveria estar sob a Alçada da Ministra mandou construir um polivalente para 2050, quando os efeitos conjuntos do "aquecimento global" e do "Alqueva" permitirem que este equipamento funcione como banho turco!

13/03/2010

Na rede sem rede

Um jornalista do Público remexeu "o passado na rede" de Castanheira Barros e não encontrou os maravilhosos blogues do mesmo autor que eu referi neste post?!

«It sends us positive notice for the humanity . You can do it through commentaries to each notice or for email to castanheirabarros@clix.pt .»