Acácio Pinto, ex-Governador Civil de Viseu e agora deputado pelo distrito, escreveu no Farol da Nossa Terra um pequeno artigo com o título Energia: já exportamos! Passando do título à substância do artigo, o que se depreende é que, no mês de Dezembro, «75% da energia produzida em Portugal teve a sua origem nas fontes renováveis» e «Portugal, ter exportado mais energia para Espanha do que aquela que importou». O que o sr. deputado não quer dizer é o mais importante. Apesar de grandes vultos da ciência, como o dr. Mário Soares, garantirem que a acção humana substituiu o S. Pedro, essa mesma acção humana ainda não é capaz de garantir as condições meteorológicas para uma produção constante de energia eléctrica a partir da água e do vento. Logo, historicamente, os picos de produção a partir destas fontes situam-se entre Dezembro e Março. O sr. deputado quer-nos dizer que percentagem de "energia produzida em Portugal teve a sua origem nas fontes renováveis" no mês de Junho?
Se há flutuações dentro de cada ano, há também flutuações entre anos. Quando chove muito, produz-se mais energia nas instalações hídricas e reduz-se a produção através de fontes combustíveis. Quando chove menos, há que produzir mais nas centrais térmicas. Os dados anualizados da Direcção-Geral de Energia e Geologia mostram que, de Novembro de 2008 a Outubro de 2009 (os últimos que aquele organismo disponibiliza ao público), a percentagem de energia de fontes renováveis (incluindo as menos limpas biomassa com co-geração e a gerada a partir de RSU) foi de 31,5%, muito longe dos 75% que o sr. deputado nos quer vender.
Mostram também os números que, nos últimos 15 anos, 1999 foi o único em que Portugal exportou mais energia eléctrica do que aquela que importou. O deputado Acácio Pinto apresenta a ideia de que a «opção, em boa hora, feita pelos Governos de José Sócrates nas energias renováveis (...) [permite] nos tornar menos dependentes do estrangeiro e das energias fósseis», mas o que os números me dizem é que, durante esse período de governação, se importou mais energia do que no quinquénio anterior. Talvez por culpa do S. Pedro, que dirige a única Entidade Reguladora não controlável - a da meteorologia.
Pós-texto 21-1-2010 22:45 - Aconselho a leitura da resposta que me enviou o deputado Acácio Pinto (aqui) e da minha análise com informação gráfica da produção de electricidade para demonstrar que o que ocorreu em Dezembro de 2009 é excepcional e não pode ser atribuído aos «Governos de José Sócrates» (aqui).
20/01/2010
Posso ter o meu dinheiro de volta?
Já paguei duas multas por excesso de velocidade - uma por "circular" (eu não costumo circular, guio mesmo a direito!) a uns estonteantes 83 Km/h, a outra a uns mais comedidos 77 Km/h. Em nenhum dos casos a minha condução punha em risco peões, o argumento invocado para limitar a "circulação" aos 50 Km/h da praxe, em zonas que são urbanas porque um maluquinho qualquer se lembrou de colocar uma placa com o nome da localidade. Paguei porque não gosto de ficar a dever, mas barafustei com os autuantes, dizendo-lhes que, se tivessem preocupações com a segurança, iriam medir as velocidades para sítios com passadeiras, em vez de o fazerem em rectas no meio do deserto.
Passados alguns anos, finalmente, já tenho um "estudo" para esfregar na cara dos respeitáveis autuantes, ou, melhor ainda, dos respectivos superiores, que confundem meios com objectivos e medem a segurança pelo número de contra-ordenações. Ora, seria da mais elementar justiça que os ditos superiores fossem agora contra-ordenados, i.e. que lhes descontassem dos seus ordenados o valor das minhas multas :p
Senhores autuantes, ponham as fuças a jeito s.f.f.:
«“Mais de metade dos troços rodoviários em Portugal estão com limites de velocidade abaixo do que deviam. É muito recorrente o limite de 50 Km/hora em zonas onde não há casas nem outros conflitos laterais”, disse hoje à Lusa Ana Bastos (...) A especialista em transportes e segurança rodoviárias, docente na FCTUC, frisou que a desadequação do limite de velocidade às características da estrada “viola as naturais expectativas do condutor, que acaba por transgredir” e tem como efeito “o descrédito total” das regras de trânsito.» (i online)
Passados alguns anos, finalmente, já tenho um "estudo" para esfregar na cara dos respeitáveis autuantes, ou, melhor ainda, dos respectivos superiores, que confundem meios com objectivos e medem a segurança pelo número de contra-ordenações. Ora, seria da mais elementar justiça que os ditos superiores fossem agora contra-ordenados, i.e. que lhes descontassem dos seus ordenados o valor das minhas multas :p
Senhores autuantes, ponham as fuças a jeito s.f.f.:
«“Mais de metade dos troços rodoviários em Portugal estão com limites de velocidade abaixo do que deviam. É muito recorrente o limite de 50 Km/hora em zonas onde não há casas nem outros conflitos laterais”, disse hoje à Lusa Ana Bastos (...) A especialista em transportes e segurança rodoviárias, docente na FCTUC, frisou que a desadequação do limite de velocidade às características da estrada “viola as naturais expectativas do condutor, que acaba por transgredir” e tem como efeito “o descrédito total” das regras de trânsito.» (i online)
Gestão por objectivos
Para repor o financiamento das universidades ao nível que estava quando Sócrates chegou a PM (2005), o Governo propôs "contratos de confiança", os quais, segundo o próprio PM, demonstram que as universidades confiam na "linha política de aposta na ciência, na tecnologia, no investimento na inteligência, no ensino superior".
O que foi, então, contratualizado? Que, a partir de agora, as universidades, com maior folga orçamental, só atribuem diplomas a formandos que demonstrem as competências mínimas para o curso que frequentam? Não, as universidades vão passar a dar canudos de forma (ainda) mais expedita.
Ao contrário do investimento no alcatrão ou no TGV, o "investimento na inteligência" tem retorno imediato e perfeitamente quantificável. A taxa de insucesso vai ter uma quebra de 50%. Claro está que esta "confiança mútua" Universidades-Governo, Governo-Universidades não se compadece com a elaboração de sofisticados e complicados - quer dizer, "académicos" - índices de sucesso. Mede-se simplesmente pela "proporção de diplomados num determinado ano, em relação aos inscritos pela primeira vez no 1° ano". "Simplesmente" é uma força de expressão, já que nem todos os diplomados serão capazes de calcular esta taxa.
O que foi, então, contratualizado? Que, a partir de agora, as universidades, com maior folga orçamental, só atribuem diplomas a formandos que demonstrem as competências mínimas para o curso que frequentam? Não, as universidades vão passar a dar canudos de forma (ainda) mais expedita.
Ao contrário do investimento no alcatrão ou no TGV, o "investimento na inteligência" tem retorno imediato e perfeitamente quantificável. A taxa de insucesso vai ter uma quebra de 50%. Claro está que esta "confiança mútua" Universidades-Governo, Governo-Universidades não se compadece com a elaboração de sofisticados e complicados - quer dizer, "académicos" - índices de sucesso. Mede-se simplesmente pela "proporção de diplomados num determinado ano, em relação aos inscritos pela primeira vez no 1° ano". "Simplesmente" é uma força de expressão, já que nem todos os diplomados serão capazes de calcular esta taxa.
13/01/2010
Desanda
Estamos em 2010 e o PS do Carregal do Sal não consegue andar para lá das autárquicas de 2009! Volta e meia, desanda para Outubro de 2009. O regresso mais recente é uma crónica Andante de um crónico dirigente da concelhia (link para o Farol da Nossa Terra).
A tese principal de José Craveiro é a de que a lista do PSD para a AM perdeu votos relativamente à lista para a CM. Pelo enquadramento histórico - que o próprio resumidamente faz, mas que, em devido tempo, foi feito em detalhe por Jorge Saraiva no Defesa da Beira - torna-se difícil estabelecer se a diferença sistemática de votos entre as duas listas do mesmo partido se traduz em perda de votos da AM relativamente à CM ou em ganho de votos da CM relativamente à AM. Muitos dirão que é indiferente, mas não o é, nem para as conclusões e insinuações da crónica Andante, nem para a interpretação dos resultados que eu fiz e publiquei (uma primeira abordagem em 13-10-2009 e uma segunda, em resposta a um trabalho de Lino Dias, em 20-10-2009).
Nesses artigos, sustentei a minha análise em factos que são descortináveis pela inclusão dos resultados para as Assembleias de Freguesia:
Tal como o dito trabalho de Lino Dias, esta crónica Andante aposta no menosprezo do resultado da lista do PSD à AM e pretende insinuar "ironias no destino" na eleição democrática da Mesa da Assembleia, a coberto de uma errada "matemática eleitoral". Conhecimentos básicos de "sociologia eleitoral" permitiriam dar mais crédito à hipótese de que, tal como em eleições anteriores, o presidente recandidato conseguiu mais votos do que a lista do seu partido à AM (a maioria no espaço do CDS, mas também alguns no espaço CDU), em vez dessa hipótese mais conveniente de que os eleitores «recusam o candidato à Assembleia Municipal».
Quanto ao resto, Craveiro comete o mesmo erro de apreciação que já li / ouvi a dois elementos da bancada do PS na AM - uma suposta necessidade de que um candidato (especificamente, o 1.º) da lista mais votada seja o presidente da AM, para que seja respeitada a «vontade dos eleitores». Exponho os meus comentários relativamente a este erro:
A tese principal de José Craveiro é a de que a lista do PSD para a AM perdeu votos relativamente à lista para a CM. Pelo enquadramento histórico - que o próprio resumidamente faz, mas que, em devido tempo, foi feito em detalhe por Jorge Saraiva no Defesa da Beira - torna-se difícil estabelecer se a diferença sistemática de votos entre as duas listas do mesmo partido se traduz em perda de votos da AM relativamente à CM ou em ganho de votos da CM relativamente à AM. Muitos dirão que é indiferente, mas não o é, nem para as conclusões e insinuações da crónica Andante, nem para a interpretação dos resultados que eu fiz e publiquei (uma primeira abordagem em 13-10-2009 e uma segunda, em resposta a um trabalho de Lino Dias, em 20-10-2009).
Nesses artigos, sustentei a minha análise em factos que são descortináveis pela inclusão dos resultados para as Assembleias de Freguesia:
- Historicamente, a votação do PSD para a AM fica sempre entre as votações para a AF e para a CM. No ciclo descendente do PSD (i.e. de 2001 para 2009), a fuga de votos foi menor na AM (812) do que na CM (820) ou nas AFs (968).
- Em 2009, o PSD perdeu claramente para o CDS as votações para a AF nas secções de voto de Fiais e Parada, onde recuperou muitos votos para a AM e ainda mais para a CM.
- Na comparação entre votações para AM e AFs, pode dizer-se que a lista do PSD à AM "ganhou" 205 votos, enquanto a do PS "perdeu" 159 e a do CDS "perdeu" 172.
Tal como o dito trabalho de Lino Dias, esta crónica Andante aposta no menosprezo do resultado da lista do PSD à AM e pretende insinuar "ironias no destino" na eleição democrática da Mesa da Assembleia, a coberto de uma errada "matemática eleitoral". Conhecimentos básicos de "sociologia eleitoral" permitiriam dar mais crédito à hipótese de que, tal como em eleições anteriores, o presidente recandidato conseguiu mais votos do que a lista do seu partido à AM (a maioria no espaço do CDS, mas também alguns no espaço CDU), em vez dessa hipótese mais conveniente de que os eleitores «recusam o candidato à Assembleia Municipal».
Quanto ao resto, Craveiro comete o mesmo erro de apreciação que já li / ouvi a dois elementos da bancada do PS na AM - uma suposta necessidade de que um candidato (especificamente, o 1.º) da lista mais votada seja o presidente da AM, para que seja respeitada a «vontade dos eleitores». Exponho os meus comentários relativamente a este erro:
- A eleição para a AM não exprime a «vontade dos eleitores» em relação ao Presidente da Assembleia. Nos casos da AF e CM, embora votem em listas, os eleitores sabem que estão a escolher também o Presidente. No caso da AM, os eleitores sabem - ou deviam disso ser informados - que estão apenas a votar uma parte (no nosso município, corresponde a 75%, mas há alguns em que corresponde a pouco mais de 50%) dos membros da AM. A outra parte é composta pelos Presidentes de Junta, membros de direito tão pleno quanto o dos eleitos directamente. Dessa igualdade de direitos, decorre imperiosamente que o Presidente só pode ser eleito indirectamente, pelos membros que compõem o órgão.
- A «vontade dos eleitores» (relativamente aos membros eleitos directamente) traduziu-se num resultado de 'apenas' 45% na lista mais votada (considerando apenas os votos nas listas). Os restantes votaram noutras três listas e, seguindo arrazoado semelhante ao de José Craveiro, poder-se-ia dizer que a sua vontade não seria eleger nenhum membro do PS para a Presidência do órgão. O PSD e o CDS congregam 53% dos votos em lista, 52% dos membros eleitos directamente e 54% da Assembleia.
- Os membros da AM, quer os directamente eleitos, quer os Presidentes de Junta, têm o dever de assumir todas as responsabilidades que lhes foram delegadas pelos eleitores. Não foram eleitos para fazer conjecturas sobre alegadas vontades que o voto não permite manifestar. Foram eleitos para, em cada momento, confortáveis com a sua consciência, decidir o que é melhor para a governação do Município. Só pode ter sido isso que fizeram os 28 deputados que votaram entre as duas listas levadas a sufrágio secreto, no acto eleitoral que, volta e meia, desanda no PS.
10/01/2010
04/01/2010
Bonecas
Está explicada a notícia do CM que apontava para o baixo cachet que a Playboy terá oferecido às manas beijodescendentes, Ruth Marlene e Jéssica. Afinal, quem posou para a centerfold não foram as meninas de carne e osso, foram as suas imagens no Museu de Cera. Deixo aqui uma amostra de uma foto que ilustra bem o facto, mas, se o leitor tiver acesso à revista (ou mesmo aos scans que circulam na net), pode comprovar o que digo olhando para as respectivas púbis que são reveladas na foto - nota-se perfeitamente que são de cera.
30/12/2009
Crise de valores
Não me refiro a um conjunto de regras que nos orientam nas nossas decisões quotidianas, refiro-me mesmo a valores monetários. Segundo o Correio da Manhã, a tal «revista dirigida a um leitor sofisticado, que tanto é homem como mulher» só pode mandar despir celebridades por baixos valores. As netas de moleiro beijosense, Jéssica e Ruth Marlene, parece que estão na mó de baixo e aceitam ser fotografadas com pouca roupa por pouco dinheiro. Não dará para encher o sarrão, mas também não deve dar muito trabalho, pois a Ruth já demonstrou grande à vontade a pousar quase despida para as capas da FHM, da J e... dos seus discos :)
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