19/10/2009

Pouca linha, pouca linha

Diz-se hoje no Público: «A Refer tem vindo a encerrar linhas para efectuar obras, contrariando uma prática centenária em que os trabalhos se realizavam sem interrupção do tráfego ferroviário.
As linhas do Tâmega, do Corgo e do Tua, e os troços Guarda-Covilhã e Figueira da Foz-Pampilhosa, estão fechados e não se sabe ao certo quando reabrirão. Isto porque, em alguns casos, nem sequer há projecto para avançar com as obras.»
A mesma notícia baseia-se numa fonte (da REFER? da CP? da Secretaria de Estado dos Transportes?) para dizer que «Para o Corgo e Tâmega há uma vaga referência ao "início de 2011" para a sua reabertura, mas entre Figueira da Foz, Cantanhede e Pampilhosa não se sabe quando ali voltará o comboio a apitar.»
Em Março e Abril deste ano, postei aqui várias "previsões" sobre a reabertura destas linhas. O Governador Civil de Vila Real começou por dizer que as obras estariam concluídas ainda durante o ano de 2009. Na semana seguinte, a Secretária de Estado dos Transportes adiou a previsão para Setembro de 2010. No entanto, como refere Carlos Cipriano, «para as populações locais subsistem dúvidas sobre se alguma vez o comboio voltará, apesar das promessas em contrário da secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, reforçadas durante as eleições num périplo pelo Norte».
É que o povo já não vai em promessas...

16/10/2009

Mudam-se os tempos, mudam-se os peritos

No post anterior sugeri um top 20 de bens, todos eles muito mais adequados à sujeição a IEC do que o café. Para quem não sabe, um grupo de peritos em fiscalidade contratados pelo Governo, sob uma evidente influência de substâncias que actualmente são sujeitas a IEC, produziu um relatório onde aconselha a criação de um imposto especial sobre o consumo de café. A surpresa de tal sugestão distrai a nossa atenção de outras doutas propostas com as quais o Governo não se quer comprometer. Ainda assim, eu não resisto a perguntar:
- Onde estavam estes peritos quando o Governo considerava o café um produto de primeira necessidade com preço fixado em Diário da República?

14/10/2009

Fiscalistas & fiscais dos costumes

«O grupo de peritos a quem o Governo encomendou um estudo sobre a política fiscal de lançar impostos especiais sobre o consumo (IEC) propõe o aumento do preço do café, refrigerantes, latas, embalagens e sacos de plástico, noticia o Jornal de Negócios.Os peritos defendem que este aumento pode ser um estímulo de hábitos de consumo ambientalmente mais sustentáveis e a necessidade de compensar a perda de receita fiscal.» (i)

Na senda da moralização do comportamento por via fiscal, proponho um top 20 de bens sobre os quais deve incidir o IEC:
  1. Queijo da Serra
  2. Tripas à moda do Porto
  3. Gamelas
  4. Viagens de Elisa Ferreira com destino ao Porto
  5. Super Bock
  6. Queima das Fitas
  7. Semanas Académicas em geral
  8. Espectáculos de Quim Barreiros (com dupla tributação se concidir com 7. e/ou 6.)
  9. Discos de Quim Barreiros
  10. Karaoke de Quim Barreiros
  11. Karaoke em geral
  12. Revistas sobre TV
  13. Receptores de TV
  14. Romances de Júlio Magalhães, Rodrigues dos Santos ou Sousa Tavares
  15. Qualquer publicação dirigida por João Marcelino
  16. Todos os suportes impressos ou electrónicos que veiculem ideias de Al Gore
  17. Todos os suportes impressos ou electrónicos que veiculem imagens de Rui Santos
  18. Gel para cabelo
  19. Gravatas amarelas
  20. Carros amarelos

13/10/2009

Resultados eleitorais - Carregal do Sal


O gráfico acima apresenta o número de votos na eleição dos três órgãos autárquicos e na eleição para a Assembleia da República (AR), no concelho de Carregal do Sal.
Os resultados mostram que muitos eleitores distinguem as votações para os diferentes órgãos, mesmo quando elas se realizam em simultâneo.
No que respeita aos órgãos autárquicos, o PS e o CDS atingiram as votações máximas nas assembleias de freguesia (AF) e as mínimas na Câmara Municipal (CM). Com o PSD, aconteceu precisamente o inverso.

O PSD conseguiu mais 231 votos na CM, relativamente ao resultado da votação para a Assembleia Municipal (AM). A maior parte desses votos (127) "chegou" do CDS - um em cada cinco eleitores que votou CDS para a AM terá votado PSD para a CM. Esta transferência CDS --> PSD foi mais significativa nas secções de voto de Parada, Fiais, Alvarelhos e Travanca.
Em números relativos, a mais significativa transferência registou-se nos votos brancos - houve 175 votos brancos para a AM e apenas 116 para a CM, o que equivale a uma "perda" de 1/3 dos votos brancos, presumivelmente transferidos para a lista do PSD.
A CDU (não representada no gráfico) obteve menos 29 votos para a CM do que para a AM, correspondendo a uma "perda" de 1 em cada 4.
Finalmente, a "contribuição" dos votantes PS na AM para a vitória do PSD na CM é de apenas 24 votos, o que corresponde a 1%.