24/09/2009

Os vários números de uma sondagem

João Miranda apresentou no Blasfémias os intervalos de confiança para o barómetro da Marktest divulgado no Margens de Erro.

A minha fonte é a Marktest.
Calculo os intervalos a partir dos 'votos' e não da projecção que "encolhe" os votos brancos e nos pequenos partidos.
Outra diferença importante é que a amostra que conta para estes cálculos é de 487 'votantes'. Parece-me que João Miranda não descontou os respondentes que disseram que não votam.

Não chegamos a ter um verdadeiro efeito Diana Mantra, mas esta ligeira diminuição na amostra alarga um pouco os intervalos. Noutras situações, a má qualidade da informação das fichas técnicas pode induzir a maiores erros.

19/09/2009

Foto da semana

A meio da ponte ferroviária sobre o rio Águeda, um sinal informa-nos de que vamos entrar em ESPAÑA. Portugal quer reabilitar para fins turísticos os 28 Km que distam desta ponte à estação do Pocinho. Para compreender a lógica deste investimento, recorro a um texto de Armando Moreira num convite da Liga dos Amigos Douro Património Mundial para um colóquio intitulado O Património Ferroviário do Vale do Douro:
«Assiste-se sem um queixume ao anúncio do pré-afogamento de uma das Linhas mais emblemáticas do sistema ferroviário do Douro, a Linha do Tua. Nem sequer se reivindica, ao que se sabe, qualquer indemnização pela desapropriação daquela via, como se se tratasse de coisa sem préstimo. Assim como ao encerramento, dito temporário e inopinado, das linhas do Corgo e do Tâmega.

«É preciso dizer basta a esta passividade. É preciso que os naturais, os residentes, os amigos do Caminho de Ferro, os amigos do Património, em particular do Vale do Douro, façam chegar a sua voz junto das entidades que têm a responsabilidade de zelar pela preservação e conservação do Património».

As "estrelas" do colóquio eram dois historiadores falando das ferrovias como património - um como património industrial, outro no caso das ferrovias do Douro como Património da Humanidade - e um vice-presidente da Union des Exploitants de Chemins de Fer Touristiques et de Musées, o que indicia que "o sistema ferroviário do Douro" já é visto pelos lobbies locais como um "sistema" de comboios históricos e turísticos.

Para que o "sistema" funcione, é preciso que se reabilite 70 Km do lado de lá, com elevados custos, por causa dos 20 túneis (o primeiro dos quais já ali, naquele morro em frente) e 13 pontes completamente degradados. É aí que Castela torce o rabo: «Ele próprio [o presidente da CCDRN] percebeu, ontem, em Valladolid, que o Governo espanhol luta com "dificuldades de orçamento em áreas como a Saúde, Educação e Segurança Social". Como tal, suspeita de "um certo risco de contenção que possa atrasar a reabilitação da linha espanhola".»

Perceberam? Se Espanha tiver dificuldades orçamentais, pode atrasar um investimento de umas dezenas de milhões. Já Portugal, para honrar compromissos internacionais, não pode atrasar um investimento de milhares de milhões. Aliás, Espanha está-se nas tintas para a electrificação da linha até Fuentes de Oñoro e também não parece muito apressada na ligação à auto-estrada transmontana. Só o AVE é prioritário. Esta notícia d'El Mundo ajuda a perceber porquê!

18/09/2009

Bola na mão ou mão na bola?

O Tribunal de Tabuaço não deu razão a queixa do PS relativa à candidatura de um agente da PJ a um órgão autárquico, entendendo que a PJ é «um órgão de polícia criminal auxiliar na administração da justiça e não uma força de segurança». O Tribunal Constitucional recusa recurso do PS, por este não ter reclamado antes ao Tribunal de Tabuaço.

O Tribunal de Castelo de Paiva proibiu um inspector da PJ de integrar a lista para a Câmara, por entender que ele está ao serviço de uma "força de segurança". O Tribunal Constitucional confirmou esta decisão.

Qual dos tribunais está a fazer o papel de Pedro Henriques?

17/09/2009

Grande mal... pior remédio

«Jerónimo de Sousa, na apresentação do balanço das candidaturas da CDU às Eleições Autárquicas, sublinhou o êxito político que constitui a apresentação de candidaturas a 301 municípios e, sobretudo, a apresentação de 2275 listas às freguesias, o que constitui a mais expressiva presença de candidaturas desde 1989, aproximadamente 45 mil candidatos sendo cerca de 40% independentes.»



Parabéns ao PCP-PEV pelo sistema de colocação de candidatos nas freguesias. Colocar 45 mil candidatos sem conter «mais de dois candidatos do mesmo sexo colocados, consecutivamente, na ordenação da lista» exige um software mais fiável do que o da colocação de professores do ME. Para mais, nalgumas das freguesias, os candidatos devem ser residentes por lá perto. Não é o caso da minha freguesia (ver lista aqui) - nove nomes, nove desconhecidos. Nenhum reside por cá, tem algum conhecido por cá, algum laço familiar que seja. Nem sequer precisaram de cá vir para dar o nome. Mais um mérito do sistema.

11/09/2009

O TGV não faz cá falta


Canas de Senhorim está directamente ligada com todas as linhas ferreas hespanholas que entram em Portugal por Badajoz, Caceres, Villar Formoso, Barca d'Alva e Tuy.
De 15 de maio a 30 de setembro os comboios sud-express e expresso-Medina param em Cannas de Senhorim.

Não se pode admitir que qualquer castelão, galego ou estremenho se venha queixar de que não pode vir a Canas por falta de comboio!

Quem vamos eleger?

Na mesma linha da citação de André Freire num post de ontem, cito hoje dois blogs:

Tomar Partido - «os cidadãos aprestam-se para votar numa eleição que não existe na lei, a de Primeiro-Ministro e não votar na eleição efectivamente prevista na lei, a dos deputados, cujos nomes nem se dão ao trabalho de ler (...)»
«Ninguém se pode sentir representado por quem nem sequer conhece. Ninguém se pode sentir representado por quem não pode responsabilizar pelos seus actos. Na verdade, os eleitores que conscientemente votam em deputados, nem sequer estão a escolher. Estão a escolher entre escolhidos. É a ilusão da democracia representativa.»

Fliscorno - «Elegem-se os deputados que melhor serviram o Partido - daí terem sido reconduzidos - em vez dos que melhor serviram o eleitor.»

Vergonha

Já não sei se é demasiada incompetência ou se é extrema falta de decoro!
Na tag Ai os media tenho apresentado, predominantemente, problemas do jornalismo português no tratamento e na interpretação de números. Destaco casos em que o jornalista procede a cálculos incorrectos (Ex: Marcelino; Lusa) e, sobretudo, casos em que reproduz buzzwords de press releases sem fundamentação numérica ou estatística (Ex: "Inquérito feito pela SurveyShack a pedido da Microsoft").

A um nível superior está o trabalho (!) de Paulo Chitas na Visão. Diz Paulo Guinote que ele «selecciona e retorce estatísticas como bem entende». A intervencionista ERC, tão preocupada com a comunicação não verbal de pivots, não tem nada a dizer sobre este género de trabalhos?
A seguir neste link.