17/09/2009

Grande mal... pior remédio

«Jerónimo de Sousa, na apresentação do balanço das candidaturas da CDU às Eleições Autárquicas, sublinhou o êxito político que constitui a apresentação de candidaturas a 301 municípios e, sobretudo, a apresentação de 2275 listas às freguesias, o que constitui a mais expressiva presença de candidaturas desde 1989, aproximadamente 45 mil candidatos sendo cerca de 40% independentes.»



Parabéns ao PCP-PEV pelo sistema de colocação de candidatos nas freguesias. Colocar 45 mil candidatos sem conter «mais de dois candidatos do mesmo sexo colocados, consecutivamente, na ordenação da lista» exige um software mais fiável do que o da colocação de professores do ME. Para mais, nalgumas das freguesias, os candidatos devem ser residentes por lá perto. Não é o caso da minha freguesia (ver lista aqui) - nove nomes, nove desconhecidos. Nenhum reside por cá, tem algum conhecido por cá, algum laço familiar que seja. Nem sequer precisaram de cá vir para dar o nome. Mais um mérito do sistema.

11/09/2009

O TGV não faz cá falta


Canas de Senhorim está directamente ligada com todas as linhas ferreas hespanholas que entram em Portugal por Badajoz, Caceres, Villar Formoso, Barca d'Alva e Tuy.
De 15 de maio a 30 de setembro os comboios sud-express e expresso-Medina param em Cannas de Senhorim.

Não se pode admitir que qualquer castelão, galego ou estremenho se venha queixar de que não pode vir a Canas por falta de comboio!

Quem vamos eleger?

Na mesma linha da citação de André Freire num post de ontem, cito hoje dois blogs:

Tomar Partido - «os cidadãos aprestam-se para votar numa eleição que não existe na lei, a de Primeiro-Ministro e não votar na eleição efectivamente prevista na lei, a dos deputados, cujos nomes nem se dão ao trabalho de ler (...)»
«Ninguém se pode sentir representado por quem nem sequer conhece. Ninguém se pode sentir representado por quem não pode responsabilizar pelos seus actos. Na verdade, os eleitores que conscientemente votam em deputados, nem sequer estão a escolher. Estão a escolher entre escolhidos. É a ilusão da democracia representativa.»

Fliscorno - «Elegem-se os deputados que melhor serviram o Partido - daí terem sido reconduzidos - em vez dos que melhor serviram o eleitor.»

Vergonha

Já não sei se é demasiada incompetência ou se é extrema falta de decoro!
Na tag Ai os media tenho apresentado, predominantemente, problemas do jornalismo português no tratamento e na interpretação de números. Destaco casos em que o jornalista procede a cálculos incorrectos (Ex: Marcelino; Lusa) e, sobretudo, casos em que reproduz buzzwords de press releases sem fundamentação numérica ou estatística (Ex: "Inquérito feito pela SurveyShack a pedido da Microsoft").

A um nível superior está o trabalho (!) de Paulo Chitas na Visão. Diz Paulo Guinote que ele «selecciona e retorce estatísticas como bem entende». A intervencionista ERC, tão preocupada com a comunicação não verbal de pivots, não tem nada a dizer sobre este género de trabalhos?
A seguir neste link.

10/09/2009

As minhas escolhas

O Dossiê Sócrates
Lulu, 21€ ou PDF gratuito

Dada a reacção de Sócrates ao blogue, o autor recomenda «aos leitores, pelos motivos conhecidos, a precaução de obterem rapidamente o livro (na versão digital gratuita ou na versão impressa paga). Antes que seja tarde...»
Eu já tenho a versão gratuita e comecei a leitura pelo epílogo. Confirmo a ideia que tinha do aluno Sócrates - nunca vi um aluno cujo "processo" académico contivesse tantas rasuras, incoerência de datas, professores a darem notas sem estarem ao serviço da escola... é preciso ser muito azarento!

09/09/2009

Governabilidade

Algumas ideias que tenho defendido. Pela escrita de um politólogo - no caso, o André Freire - têm outra relevância. Aqui fica um "roubo" a um ladrão de bicicletas:

«Portugal poderá vir a ter um problema de governabilidade mas ele não resulta do sistema eleitoral: já é mais desproporcional do que a média dos regimes proporcionais europeus. Nem da fragmentação partidária: a concentração nos dois grandes aproxima-nos dos regimes maioritários. Os problemas de governabilidade são políticos, não institucionais. [...] Mas há outras medidas que poderiam reforçar a governabilidade: a moção de censura construtiva (para se derrubar um governo seria necessário propor um alternativo) e medidas equivalentes (uma espécie de “orçamento construtivo”, etc.); incentivos à cooperação entre os partidos. Além disso, o nosso sistema eleitoral induz os deputados a quase só se preocuparem em agradar às lideranças. Para melhorar a representação é preciso dar aos eleitores o poder de escolher os deputados em cada lista.»

08/09/2009

O argumento do respeito por tratados internacionais

Transcrevo o comentário de Carlos Eduardo da Cruz Luna no post "TGV para Olivença":

«ESTRANHOS ARGUMENTOS EM TORNO DO TGV
Não é intenção deste artigo de opinião emitir juízos sobre a construção, ou não, do TGV (Madrid-Badajoz-Elvas-Lisboa), da sua oportunidade, ou outras considerações. Para isso, muito se tem escrito e escreverá, e será óptimo que a opinião pública esteja o mais esclarecida possível.
Há, todavia, um aspecto que deixa qualquer conhecedor de um mínimo de História das relações luso-espanholas algo perplexo. Na verdade, declarações de dirigentes espanhóis, principalmente do Presidente da Extremadura espanhola, não podem deixar, no mínimo, de fazer sorrir alguns portugueses.
Assim, Guillermo Fernández Vara (natural de Olivença) diz não acreditar que Portugal desista do TGV, «rompendo o acordo entre os dois países», pois trata-se de um «compromisso internacional»; acrescenta que «Portugal, à semelhança dos seus dirigentes políticos, é um país sério que sabe até onde tem de caminhar para preparar o futuro(...)». Comentaristas de jornais espanhóis opinam que Portugal não honrará os seus compromissos se desistir do TGV, e que mesmo em termos morais tal atitude é criticável. No dia 1 de Setembro, numa reunião em Elvas entre autarcas portugueses e espanhóis (Cáceres, Mérida, Plasencia, Olivença e Lobón) para apoiar o TGV, Angel Calle, de Mérida, em representação dos alcaides espanhóis, afirmou, entre outras coisas, que «os acordos internacionais são para cumprir(...)».
Ora, há algo nesta indignação que soa a contradição flagrante. Na verdade, todos estes dirigentes políticos parecem esquecer-se de que, para Portugal, há um acordo internacional não cumprido pela Espanha (1814-1815-1817), segundo o qual Olivença deveria ter voltado à posse de Portugal. Razão porque o Estado Português não aceita, até hoje, que Olivença seja território juridicamente espanhol. Curiosamente, em relação à obrigação da devolução, e talvez como ironia suprema face ao que está a acontecer, houve até quem já escrevesse que a Espanha só teria uma obrigação moral, portanto não claramente vinculativa.
Será que todos estes autarcas e políticos em geral têm consciência de como soam a falaciosos, neste contexto, alguns dos seus argumentos? Conheço alguns deles. Penso serem pessoas de bem, e dirigentes que fazem o que podem pelos seus povos, e até que querem mesmo promover a amizade com Portugal. Não questiono esse aspecto, nem os inúmeros argumentos económicos a favor do TGV. Talvez apoie, ou não, alguns deles. Mas, por favor, não usem demasiado o argumento do respeito por tratados internacionais. Não lhes fica bem.»

Estremoz, 02 de Setembro de 2009
Carlos Eduardo da Cruz Luna