Peca por tardio e receio que não seja eficaz. A Lusa dá conta de um «comunicado subscrito pelo Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (Fapas), Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Protecção da Natureza, Quercus e Sociedade Portuguesa para o Estudo de Aves», as quais se mostram «escandalizadas com esta campanha que claramente tenta branquear os inúmeros impactes ambientais fortemente negativos e irreversíveis associados à construção das barragens». A exigência destas organizações é que a Embustes de Portugal «em respeito pela verdade e transparência, retire esta campanha».
Efectivamente, é preciso uma lata descomunal para propagandear que o Programa Nacional de Barragens é benéfico para o ambiente. A oposição ao próprio progama, que alterará irreversivelmente a ecologia de grande parte de Trás-os-Montes, não se tem feito sentir, foi preciso esta campanha de desinformação para fazer saltar a tampa aos ecologistas...
Desta vez, a EDP deu-se mal, não conseguiu comprar os ecologistas com «águias de Bonelli, abutres do Egipto, lontras e lobos», como compra os autarcas com «contrapartidas»...
30/04/2009
29/04/2009
Ensino e catequese
No rescaldo das notícias sobre o anunciado alargamento da escolaridade obrigatória até aos 12 anos de escolaridade / 18 de idade, comentei em blogues da área com o seguinte teor (aprox.):
O antigo serviço militar obrigatório vai ser substituido pelo serviço escolar obrigatório.
Há duas diferenças fundamentais entre estes serviços compulsivos:
1. O militar era mais barato e produzia melhores resultados de aprendizagem.
2. No militar a instituição fornecia as armas; no escolar, cada um tem de as levar de casa.
Após a leitura da crónica de Santana Castilho (Público, 29-4-2009, p. 35), apeteceu-me trazer esse comentário para as minhas escolhas. A brincar, digo duas "verdades" com as quais o cronista parece concordar:
1. «os longos percursos de escolaridade desemboca(re)m no desemprego ou serv(ir)em, tão só, para alimentar os call centers»;
2. «acrescentaremos mais violência e mais indisciplina a um ambiente que já é grave».
Talvez o defeito seja meu, mas eu penso que não é preciso ser douto em educação para compreender que o ensino público só se justifica se, em vez de obrigar "os jovens" a estudar, como presidiários, for capaz de os atrair para os processos de ensino/ aprendizagem e de demonstrar (em primeiro lugar, aos alunos e famílias) a sua utilidade como real qualificação e não como certificação por decreto ou assinatura feita a um domingo. Os dirigentes deste país (e não só) estão de tal modo convencidos de que "o sistema de ensino" é incapaz de captar clientes, que já o concebem como catequese convertendo prosélitos pela fé no Estado omnisciente do que é melhor para todo e qualquer cidadão. Só falta regulamentar um Tribunal do Santo Ofício.
P.S. note-se a subtileza do PM ao utilizar o verbo "atrair" para representar um acto compulsivo:
«O que nos resta é atrair 35 mil jovens, porventura os mais difíceis, mas vale a pena não desistir do objectivo».
O antigo serviço militar obrigatório vai ser substituido pelo serviço escolar obrigatório.
Há duas diferenças fundamentais entre estes serviços compulsivos:
1. O militar era mais barato e produzia melhores resultados de aprendizagem.
2. No militar a instituição fornecia as armas; no escolar, cada um tem de as levar de casa.
Após a leitura da crónica de Santana Castilho (Público, 29-4-2009, p. 35), apeteceu-me trazer esse comentário para as minhas escolhas. A brincar, digo duas "verdades" com as quais o cronista parece concordar:
1. «os longos percursos de escolaridade desemboca(re)m no desemprego ou serv(ir)em, tão só, para alimentar os call centers»;
2. «acrescentaremos mais violência e mais indisciplina a um ambiente que já é grave».
Talvez o defeito seja meu, mas eu penso que não é preciso ser douto em educação para compreender que o ensino público só se justifica se, em vez de obrigar "os jovens" a estudar, como presidiários, for capaz de os atrair para os processos de ensino/ aprendizagem e de demonstrar (em primeiro lugar, aos alunos e famílias) a sua utilidade como real qualificação e não como certificação por decreto ou assinatura feita a um domingo. Os dirigentes deste país (e não só) estão de tal modo convencidos de que "o sistema de ensino" é incapaz de captar clientes, que já o concebem como catequese convertendo prosélitos pela fé no Estado omnisciente do que é melhor para todo e qualquer cidadão. Só falta regulamentar um Tribunal do Santo Ofício.
P.S. note-se a subtileza do PM ao utilizar o verbo "atrair" para representar um acto compulsivo:
«O que nos resta é atrair 35 mil jovens, porventura os mais difíceis, mas vale a pena não desistir do objectivo».
28/04/2009
Qual deles é mais Vital?
Diz-se que é Vital para o PS ter um cabeça-de-lista para as Europeias "de esquerda".
O que está mais à esquerda? A liberdade de expressão ou a honra?
De notícia em 2.ª mão, num despacho da Lusa que o candidato poderá corrigir (à la Leite), ressalta a ideia de que é Vital defender a honra (de Sócrates?). Infelizmente, não no sentido japonês da coisa, antes no sentido tuga: «se a Convenção [Europeia dos Direitos do Homem] fosse alterada»...
Caro Vital, na dúvida, vá pela liberdade de expressão. Honra para defender, poucos têm.
O que está mais à esquerda? A liberdade de expressão ou a honra?
De notícia em 2.ª mão, num despacho da Lusa que o candidato poderá corrigir (à la Leite), ressalta a ideia de que é Vital defender a honra (de Sócrates?). Infelizmente, não no sentido japonês da coisa, antes no sentido tuga: «se a Convenção [Europeia dos Direitos do Homem] fosse alterada»...
Caro Vital, na dúvida, vá pela liberdade de expressão. Honra para defender, poucos têm.
A Administração Pública ao serviço de um partido
«Nós tivemos um contacto da tutela, dos representantes do Ministério da Educação aqui no Distrito de Portalegre e na região de Évora, que é onde está a Direcção Regional» para autorizar a captação de imagens que foram passadas num tempo de antena de um partido, afirmou a presidente do Conselho Executivo do agrupamento de escolas de Castelo de Vide.
Aposto que os representantes do Ministério da Educação são do mesmo partido. Logo, por que há-de a presidente do Conselho Executivo presumir que os interlocutores actuaram como representantes do Ministério e não como representantes do partido?
Aposto que os representantes do Ministério da Educação são do mesmo partido. Logo, por que há-de a presidente do Conselho Executivo presumir que os interlocutores actuaram como representantes do Ministério e não como representantes do partido?
27/04/2009
Gestão por objectivos
A confirmar-se, não é caso virgem. Há um surto de definição de objectivos nos diversos organismos da administração pública. A incompetência na definição dos objectivos denota uma preocupação com as quotas de promoções, mais do que com a melhoria dos serviços. Do meu ponto de vista, o principal defeito desta definição é que se confunde meios com resultados. É o mesmo que impor a um "ponta-de-lança" um objectivo quantificado em remates, em vez de quantificado em golos e assistências para golo.
A notícia de hoje é o estabelecimento do número de detenções como objectivo operacional em esquadras de polícia. Já se ouviu coisa semelhante com multas, apreensões e encerramentos de estabelecimentos pela ASAE, por exemplo. Ora, o que deveria ser objectivo seria a diminuição do número de crimes e não o aumento do número de detenções. Como o número de crimes não depende exclusivamente da polícia, o objectivo seria uma redução de uma taxa de criminalidade, comparativamente a outras áreas com níveis de criminalidade semelhante no passado.
Actualização 27-4-2009 20:00
A Direcção Nacional da PSP nega objectivos de detenções. Enquanto a notícia original do JN afirmava que «Contactada pelo JN, a Direcção Nacional (DN) da PSP admite que há "objectivos", mas no bom sentido», o desmentido desta tarde assegura que «A PSP "não impõe números de detenções mínimos", critério que "não faria sentido"». Portanto, esclareça-se o comentador Al Gema: não há objectivos no mau sentido; só há afirmações (da Direcção Nacional? do porta-voz? do jornalista?) sem sentido.
Em concordância com o meu post original (lol), «A PSP diz ainda que definiu para o ano de 2009 "a diminuição da criminalidade" através de um "incremento da actividade operacional a nível nacional".» Um bocado confuso, uma vez que se diz que o número de detenções «"não depende apenas da proactividade policial", mas sim de "outros factores a jusante da própria actividade policial"»... então e a criminalidade, depende apenas da «proactividade policial»?
A notícia de hoje é o estabelecimento do número de detenções como objectivo operacional em esquadras de polícia. Já se ouviu coisa semelhante com multas, apreensões e encerramentos de estabelecimentos pela ASAE, por exemplo. Ora, o que deveria ser objectivo seria a diminuição do número de crimes e não o aumento do número de detenções. Como o número de crimes não depende exclusivamente da polícia, o objectivo seria uma redução de uma taxa de criminalidade, comparativamente a outras áreas com níveis de criminalidade semelhante no passado.
Actualização 27-4-2009 20:00
A Direcção Nacional da PSP nega objectivos de detenções. Enquanto a notícia original do JN afirmava que «Contactada pelo JN, a Direcção Nacional (DN) da PSP admite que há "objectivos", mas no bom sentido», o desmentido desta tarde assegura que «A PSP "não impõe números de detenções mínimos", critério que "não faria sentido"». Portanto, esclareça-se o comentador Al Gema: não há objectivos no mau sentido; só há afirmações (da Direcção Nacional? do porta-voz? do jornalista?) sem sentido.
Em concordância com o meu post original (lol), «A PSP diz ainda que definiu para o ano de 2009 "a diminuição da criminalidade" através de um "incremento da actividade operacional a nível nacional".» Um bocado confuso, uma vez que se diz que o número de detenções «"não depende apenas da proactividade policial", mas sim de "outros factores a jusante da própria actividade policial"»... então e a criminalidade, depende apenas da «proactividade policial»?
Este não descancia
«com uma intensa e pouco frequente combinação de arrogância, inabilidade e impreparação, com uma chuva de processos, o Primeiro Ministro do décimo sétimo governo constitucional fica indelevelmente colado à imagem da censura em Portugal, 35 anos depois de ela ter sido abolida no 25 de Abril».
Mário Crespo no JN.
Mário Crespo no JN.
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