25/04/2009

O condão do coração

Lugaucho, tiene corazon pero no uso Condom
A posição oficial da Igreja Católica sobre a contracepção tem as suas vantagens. Afinal, se os padres usasem preservativo eu não estaria aqui! No entanto, tendo em conta a posição do "nosso" bispo Ilídio, apetece-me perguntar se as relações de bispos com adolescentes farão parte das «situações individuais e casos concretos» que permitiriam o recurso ao preservativo?

Foto da semana

Esta semana celebrou-se nos EUA o Dia da Terra e o Presidente soprou ventos de mudança: numa encenação socratina :) deslocou-se a um fabricante de aerogeradores para afirmar que a «diversificação dos recursos energéticos poderá significar a criação de milhares de postos de trabalho».

Como já referi aqui, não é certo que, com os mesmos recursos, não se pudessem criar muitos mais "milhares de postos de trabalho". É melhor centrar a questão na dependência geopolítica dos países ricos em combustíveis fósseis, porque na economia há muitas dúvidas.

Neste contexto, a foto da semana é de uma exploração agrícola na ilha do Sal (foto recente). O equipamento está neste estado porque é mais barato bombear a água do poço através de uma motobomba com motor de combustão... e não é por falta de vento!

23/04/2009

As minhas escolhas

Esta semana as escolhas são antecipadas para se celebrar o Dia Mundial do Livro. Escolhi dois exemplos de blogues que viraram livro, de dois bloguistas que constam no meu INDEX. Boas leituras!


A Educação do Meu Umbigo
Porto Editora, 12,8€
Diz Paulo Guinote que «um primeiro-ministro bem vestido e uma equipa no Ministério da Educação com imenso tacto para lidar com os problemas educativos fizeram com que um blogue destinado certamente ao esquecimento se tornasse estranhamente frequentado, comentado e agora publicado em papel e forma de livro».

E Deus tornou-se visível...
Lulu Marketplace, 11,89€ (e-book 1,19€)
De um ex-blogue de Henrique de Sousa, que afirma que «segundo a opinião de alguns comentadores, varia[va] entre a pop-science e o misticismo numérico» :)

22/04/2009

Aos papéis

Paulo Portas pediu hoje "sensibilidade" ao Primeiro Ministro para o caso dos contribuintes reformados que terão de pagar uma multa «não por falharem o pagamento do impostos, mas apenas porque falharam a entrega de um papel».
Sócrates recusou. Percebe-se. Na sua biografia há vários casos de entrega de papéis em duplicado: uma ficha na AR em que é Engº e outra em que é Engº Técnico; um diploma de licenciatura passado a um Domingo e outro da mesma licenciatura passado num dia útil.

21/04/2009

Político & Cavalheiro

«PSD troca homem por mulher» é o título desta notícia do iol Diário, explicitando a TSF que «Uma questão de género originou o afastamento de Duarte Freitas». Uma simples manifestação de cavalheirismo, diria eu: Duarte levantou-se para dar o lugar a uma senhora.
Como se vê pela foto ao lado, os atributos capilares de Duarte Freitas assemelham-se aos de Richard Gere, o que reforça esta associação cavalheiresca ao processo de constituição da lista do PSD às Europeias.
Numa época em que muitas das deferências ao sexo que já não é fraco foram desvalorizadas por serem consideradas sexistas, o sistema de quotas para os cargos políticos é um renovado reduto para os verdadeiros gentlemen da política (supondo que os duelos com arma de fogo não serão recuperados para resolver as picardias pessoais no parlamento).

P.S. Conheci o Duarte há 20 anos, fazia parte da turma que me estreou como professor. Recordo-o como inteligente e simpático... não tenho dúvidas sobre o seu cavalheirismo!

20/04/2009

Peladinha

Num bairro de Espargos, República de Cabo Verde, disputa-se uma peladinha...
É uma modalidade em que alguns correm com um pé calçado e outro descalço
Outros deixam o calçado junto a uma das balizas
Mas todos gostam de posar para a uma imagem que será vista pelo mundo inteiro... quantos dos retratados a verão?

07/04/2009

EDP - Embustes de Portugal

Há embustes bem evidentes, como quando o Governo decide que os meus impostos servem para ajudar a vender um "electrodoméstico" de uma empresa privada, escolhida pelo mesmo Governo - sabe-se lá com base em que critérios! - e tem o desplante de me tentar convencer de que esses meus impostos são muito bem empregues na "causa" do arrefecimento global.

Há outros menos evidentes, que parecem resultar de estratégias de comunicação profissionais. A propaganda criou um grande consenso nacional "em torno" das "energias renováveis", i.e. do financiamento público de projectos insustentáveis que poderão vir a condicionar o futuro de vastas áreas do interior de Portugal.
Os autarcas e as "comunidades" (e.g. comissões de baldios) andam felicíssimos com as "contrapartidas". As organizações ecologistas estrebucham aqui e ali por causa dos impactos destas construções na biodiversidade, mas acabam por ceder face a argumentos como a emissão do CO2 ou o fantasma nuclear. Mas há perguntas chatas que têm de ser feitas: Quem paga a insustentabilidade dos projectos? Quem paga o diferencial de custo na energia cuja produção é mais cara? Quem paga o custo de oportunidade dos empregos que poderiam ser criados noutros sectores com o mesmo financiamento público? Quem paga o desmantelamento dos parques eólicos quando se tornarem obsoletos?

Segundo um artigo de S. Moore no WSJ, o voluntarismo do Gov. Schwarzenegger no combate ao aquecimento global terá contribuído para o arrefecimento da economia californiana. Conclui o autor que as políticas verdes levam as finanças ao vermelho. O que é mais criticável é a ideia de apresentar a "aposta nas renováveis" como um enorme conjunto de benefícios e praticamente sem custos! Não só financeiros, como ambientais e sociais. O que o caso californiano evidencia é que os abundantes "estudos" de custo-benefício da política anti-aquecimento subestimaram os custos com elevada dose de despudor.

Transformar uma área de negócio de alto risco no maior desígnio nacional desde a expansão ultramarina é uma parada alta. A falta de credibilidade das análises custo-benefício não é bom augúrio. A despreocupação do ministro Pino relativamente a todas as perguntas que começam por «Quem paga...» deveria ser fonte de preocupação para os contribuintes. Os custos das viagens Falcon são de somenos. Os custos do pomposamente chamado «New Energy World» (ver Público de hoje) também não têm grande relevo, a não ser pela contradição entre a propaganda que diz que «é uma iniciativa do Ministério da Economia e da Inovação, que apoiado por várias empresas do sector, vai reunir 100 jovens de vários países para conhecerem o que Portugal faz de melhor nas energias renováveis, área em que somos um dos países mais avançados do mundo», e a notícia do jornal, que subtrai 1/5 dos estudantes e não encontra quem pague...
Mas os custos implicados nas minhas perguntas já são muito significativos. Eu ficaria muito mais tranquilo com estudos que estimassem correctamente os custos e governantes que se preocupassem com o respectivo pagamento. Como diz o outro, «Ninguém nos perdoaria se, daqui a 15 ou 20 anos» se verificar que destruimos umas quantas serras e vales em vão.