28/03/2009

Foto da semana

Foi uma semana recheada de temas quentes, como os incêndios em Março ou as bombas de calor, mas escolho uma foto que tirei do interior da automotora na última viagem que fiz na linha do Tua, há cerca de um ano. Por razões óbvias. A abertura que se vê é a entrada no túnel - este já não tem saída e sobre os outros estou bastante céptico.


Vista da minha varanda

Hoje às 13:08
(clique para ampliar)

27/03/2009

Mais 100 anos de vida

Depois do encerramento à surrelfa, o porta-voz da REFER Governador Civil de Vila Real garante que:
  • A linha do Corgo vai ser objecto de uma intervenção estrutural forte para que complete outros 100 anos de vida;
  • serão gastos cerca de um milhão de euros por cada um dos 25 quilómetros;
  • as obras começarão dentro de quatro meses;
  • deverão estar concluídas ainda durante o ano de 2009;
  • o Sporting conseguirá ganhar uma final nos penalties antes de nova "intervenção estrutural" na mesma linha.

Cá estarei nos próximos 100 para cobrar estas promessas.

Como é que se chama isto?

O trabalho de Margarida Luzio no JN, sobre a visita do Presidente da República a Chaves, contém algumas informações sobre as declarações dos intervenientes que eu gostaria de realçar.

«"Temos que tomar hoje as decisões correctas para que os nossos filhos não tenham que suportar heranças demasiado pesadas", frisou o chefe da nação.» Mas quem pode tomar essas decisões? Aparentemente, o Governo. Portanto, o PR anda a tentar avisar o Governo de que, nas palavras do povo, quem não tem dinheiro não tem vícios.

No entanto, há certos caminhos pelos quais o PR não se quer meter...
«Seguiu-se o descerramento da placa inaugurativa do Centro Cultural de Chaves, que nasceu a partir da antiga estação de comboios. Mas de comboios Cavaco não quis falar. "A condução da política nacional do país cabe ao Governo. O presidente da república não tem instrumentos de política para actuar. O que ele faz é apontar caminhos, procurar que as pessoas não desanimem", respondeu quando questionado pelos jornalistas sobre o encerramento da linha do Corgo e do Tâmega por questões de segurança».

Noutro plano estão as declarações do edil de Chaves. Ele tem duas reivindicações, creio que mais para a comunicação social do que para o PR. A 1.ª é a desintegração do Hospital de Chaves do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes (reivindicação que já foi prontamente atendida, segundo a página web do dito centro). A 2.ª é que o Governo invista no Alto Tâmega «parte das contrapartidas que vai receber da empresa que vai construir nesta sub-região transmontana quatro barragens».
O PR há-de achar justo desde que «os nossos filhos não tenham que suportar heranças demasiado pesadas». E o alcaide, como a esmagadora maioria dos autarcas deste país, todo contente em transformar o Alto Tâmega em REN - Reserva Energética Nacional, desde que sobre espaço para uns investimentos a inaugurar com as recompensas que a EDP paga ao Governo.
Dito em linguagem simples, é assim: os autarcas abrem as pernas à EDP, a qual paga ao Governo, dando este depois uma «parte das contrapartidas» aos autarcas. Não me consigo lembrar de como se classifica este tipo de negócio - alguém me ajuda?

26/03/2009

Para a próxima compro um Audi!

«Isaltino Morais confirmou que entregou ao Estado o montante excedente da campanha para as autárquicas de 2005 por ser "obrigado", mas admitiu que as sobras das campanhas feitas até 2001 ficaram em seu poder porque não havia então qualquer impedimento na lei e porque não conhece "ninguém que as tenha devolvido". »

Essas "sobras" importam em cerca de 400 mil euros e foram depositadas na Suiça. «não fazia sentido declará-las em termos fiscais até porque era para actividades políticas, era a prática comum em todos os partidos, em todos os concelhos» terá dito o réu em julgamento.

O réu admitiu ainda que tinha em casa 80 mil contos guardados numa pasta, algo que até hoje eu só associava a filmes sobre o crime organizado.

«Isaltino Morais admitiu ter fugido ao fisco na compra de uma casa e duas garagens no concelho, na década de 1990 - declarando 32.600 contos mas pagando, posteriormente, mais 11.500 contos»

Hmm, se eu fosse polícia isto dar-me-ia ideias sobre outros políticos que compraram casas abaixo do preço de mercado, sem precisar de emitir cheques nem de fazer transferências bancárias.

Mas o que mais me surpreende e que me faz definitivamente render à capacidade de gestão deste homem é isto: «Isaltino Morais foi também questionado sobre a compra de um carro da marca Audi, que explicou ter comprado por 35 mil euros em numerário e vendido depois por 60 mil». Curiosamente, a minha viatura também me custou 35 mil, mas ninguém me dá mais de 20 mil. Para a próxima compro um Audi!

Estratégias para combater a crise

«"Tenho o exemplo de uma família com três irmãos, todos receberam um computador Magalhães de borla porque pertencem ao escalão social A. Duvido que eles ainda tenham algum em casa", afirmou [uma prof. de Benfica], lembrando que, nalguns casos, quando os professores avisam o dia em que o computador é necessário na aula, os alunos faltam sempre.»

Em tempos de crise (estas famílias do escalão A vivem sempre em crise) é preciso criatividade para gerar rendimento. O sr. Oliveira da Figueira promoveu a marca internacionalmente, pelo que seria de esperar que os computadores atribuídos gratuitamente tenham entrado numa rede internacional de tráfico de Magalhães, em direcção às secretárias dos altos quadros da América Latina.

Disclaimer: este blogue não é escrito num Magalhães, mas numa imitação melhor do que o "original" - Beijalhães

Quem não tem dinheiro não tem vícios

«Este Governo está criminosamente a endividar todos os governos futuros».
João César das Neves, Jornal da Noite, 25-3-2009

O BE encontrou o "principal problema" na origem do "endividamento criminoso". Veja aqui qual é, numa intervenção em que também se fala do assunto do meu post anterior.