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06/01/2011

Lemingues

O suplemento Ecosfera publicou um artigo Reuters, mas resolveu omitir a parte mais interessante, i.e. aquela que realmente acrescenta algo ao meu conhecimento - contra tudo aquilo que eu pensava serem evidências, afinal, vem um sábio norueguês explicar que as mortes em massa de lemingues se devem à falta de alimento!!! E que o alimento é mais escasso no Inverno. Somando 2+2, lá vem a colherada: nunca fiando, «modernas ameaças, como a poluição ou o arrefecimento global as alterações climáticas, podem agravar os factores de stress sobre a vida selvagem».

Sossegados podem ficar "Os Melros", pois alimento é coisa que não lhes falta. A gripe das aves também está descartada, pelo que só têm de voar baixinho para não esbarrarem com algum aerogerador. A não ser que esta hipótese mirabolante seja a correcta: «Among the theories was that a truck had collided with the flock».

Actualização 7-1: «Apesar de as causas ainda estarem a ser investigadas, as temperaturas anormalmente baixas poderão ser a explicação para a maioria dos casos». Aguarda-se uma cimeira para o combate ao arrefecimento global.

08/12/2010

Wong, Barbara

A capa do Público de hoje é enganadora.

Alega a jornalista Bárbara Wong que «Portugal entrou na média da OCDE a Português, Ciências e Matemática», o que é falso!
No teste de leitura os estudantes portugueses têm um resultado médio (489) que não se distingue da média global (493). Pelo contrário, no teste de matemática a pontuação dos portugueses (487) é significativamente inferior à média (496). Também em ciências a média dos portugueses (493) é significativamente inferior à média da OCDE (501).
O relatório da OCDE até apresenta cores diferentes, consoante a média dos países se distingue ou não da média geral, pelo que não se compreende o erro da jornalista!!!

Quanto à manchete, também é muito forçada...
Na leitura, os alunos portugueses "progrediram" 19 pontos desde 2000, um resultado bastante positivo mas abaixo dos "progressos" da Polónia (21), Israel (22) e Chile (40). Na Turquia não há dados para 2000, mas este país subiu 31 pontos de 2003 a 2009. No entanto, se em Portugal compararmos o teste de leitura de 2009 (489) com o de 2003 (478), nem sequer se pode dizer que a média seja significativamente superior (do ponto de vista estatístico - Cf. tabela V.2.9 do relatório Changes in Student Performance since 2000 - Volume V).
No teste de matemática, Portugal melhorou 21 pontos, ao mesmo nível de Grécia e Turquia e significativamente abaixo do México (33), país que continua sendo o mais fraco.
Em ciências só há dados de evolução de 2006 para 2009 (note-se que, em Portugal, os resultados globais de 2006 tinham sido inferiores aos de 2003). Neste caso, apenas a Turquia (30 pontos) subiu mais do que Portugal (19).
Globalmente, o país da OCDE cuja pontuação média mais progrediu foi a Turquia e não Portugal como se escreveu na manchete.

28/08/2010

Pontapés na gramática LUSA

Muitos criticam o treinador do Benfica pela sua tendência para dar pontapés na gramática. Eu critico-o pela sua tendência para escolher frangueiros. No campeonato dos pontapés gramaticais, Jesus está muito atrás dos jornalistas da LUSA. O pontapé de hoje é a troca de lugar das brasas numa expressão que indica a aflição que "o país" vive neste dia. Erro prontamente repetido pelos robots dos media, aqui ilustrados pelo Sol,  pelo Sapo ou pela TSF (estes dois nem sequer identificam a origem da notícia).

23/08/2010

À espera de que o galo cante

Terão os rumores sobre a saída de Roberto fundamento? Num momento difícil, talvez receando não ressuscitar à terceira jornada, Jesus terá dito «se é possível passa de mim este frangueiro» (Mt, 26:39). Segundo o Record online, Jesus negou-o três vezes. Se o galo cantar, Jesus, no papel de Pedro, vai chorar amargamente...

15/08/2010

Rentrée

No Público, nota-se o regresso à normalidade, com o penalty salvífico do Frutabol Clube do Porto e a habitual aquisição (com a correspondente papelada) de mobiliário pacense para o museu do Sporting. Nada que se compare ao quíntuplo destaque dado ao OE 2011 elaborado por PPC.

28/05/2010

O que se passa com o jornalismo?

Partindo do post de João Miranda, eu generalizo e digo que o problema não é só do Público. João Miranda refere um post meu, cujo foco é a facilidade com que os jornais dão crédito a "estudos" de opinião e transformam press releases disparatadas em títulos surrealistas. Como diz um comentador desse post, «Houve jornais que, com um intervalo de minutos, publicaram uma notícia a dizer que um terço dos tugas fazia férias lá fora e outra a dizer que metade dos tugas fazia férias lá fora.» Até dá para suspeitar que as notícias são colocadas por robots informáticos, mas a notícia que mereceu o meu post foi publicada na versão em papel do DN, por exemplo!

Numa visita aos posts que agrupei na temática "Ai os media", o leitor encontrará uma amostra do péssimo jornalismo que se faz em Portugal, no que respeita a uma área que me preocupa, que é a iliteracia numérica dos jornalistas portugueses. Infelizmente, essa "doença" não se confina a este grupo profissional, mas é aí que tem maior visibilidade.

Numa análise simplista, encontro dois grandes grupos de erros de apreciação numérica:
Um é, para usar uma expressão forte, analfabetismo. Exemplos:
1. Residentes são os principais clientes do turismo português é o título do Público. Os "dados" que o jornal cita dizem que os não residentes são os principais clientes.
2. A LUSA, em trabalho reproduzido pelos principais OCS, diz que 43% dos portugueses bebem álcool diariamente. O relatório que a LUSA cita diz que são 23%.
3. A LUSA, em trabalho reproduzido pelos principais OCS, diz que mais de um terço dos doentes que deram entrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em 2009 morreu no primeiro mês. O relatório que a LUSA cita permite estimar que foram apenas 6%.
4. A LUSA, em trabalho reproduzido pelos principais OCS, diz que Portugal tem taxas de acesso à Internet superiores à média da União Europeia. O "estudo" que a Lusa cita diz que 42% dos portugueses usam net, face a uma média de 61% na UE27.

O outro é a divulgação "automática" dos press releases sem o mínimo esboço de questionar os números apresentados. Pior, com a recorrente inclinação de fazer a manchete com os números implausíveis. Exemplos:
1. Não é preciso estar muito informado para não acreditar que 1/3 (muito menos 1/2!!!) dos portugueses façam férias no estrangeiro. Afinal, 4% é uma estimativa mais próxima da realidade!
2. O Diário Digital titula: Estudo: Portugal é o que tem mais cibernautas online. O "estudo" resulta de respostas de cibernautas online!!! Os inquéritos do Eurobarómetro permitem concluir que Portugal é dos que tem menos cibernautas online.

26/05/2010

Uma enorme falsidade

Já aqui chamei a atenção, num post de Abril, para o facto de estarem a ser divulgados resultados de sondagens "aos portugueses" que, afinal, decorrem de amostras que não são minimamente representativas "dos portugueses". Como referi na altura, os inquéritos feitos via internet, numa base de recrutamento voluntário, não podem ser usados para estimar valores da distribuição de uma váriável na população nacional. É uma absoluta falta de escrúpulo, para não dizer pior, que os principais OCS "noticiem" hoje, a partir de um painel de voluntários, remunerados através de vouchers de uma conhecida cadeia de livrarias, que «mais de um terço dos portugueses continuam a fazer férias fora de Portugal» ou que «ficar em casa durante as férias é a última opção dos portugueses (apenas 5,2% dos inquiridos optam por esta solução radical)».
É também criticável o facto de, entre os OCS consultados, apenas a TVI indicar que «a recolha de informação foi realizada via Internet através de software específico». O i, na versão online, diz apenas que o inquérito foi «levado a cabo em Portugal pela Marktest», enquanto no papel afirma que «O inquérito foi realizado pela Marktest, de 5 a 11 de Maio de 2010, a 400 cidadãos de ambos os sexos, com mais de 25 anos de idade, residentes em Portugal Continental», omitindo o resto do parágrafo que foi publicado pela TVI.

Para ficarem com uma ideia da enorme falsidade destes resultados, transcrevo o resumo do último estudo do INE a partir do Inquérito à Procura Turística dos Residentes:
«Em 2008, o número de indivíduos que efectuaram pelo menos uma viagem turística, para um local distinto da sua residência habitual, ascendeu a 2,7 milhões de indivíduos, o que representa cerca de 25,5% da população residente em Portugal, traduzindo uma quebra de 2 p.p. face a 2007.»
Ou seja, 3/4 dos portugueses não viajam nem para fora, nem cá dentro! Se considerarmos os que viajam pelo motivo de “Lazer, recreio e férias”, são apenas 19% dos portugueses!
Agora segurem-se bem para ver o número de portugueses que dormiram pelo menos uma noite no estrangeiro pelo motivo de “Lazer, recreio e férias”, segundo a estimativa do INE: 440 mil, o que corresponde a 4% da população!!!!!

Resumindo: O INE diz que cerca de 4% dos portugueses fizeram uma viagem de lazer/ férias para lá da fronteira; o inquérito "levado a cabo em Portugal pela Marktest" permite "concluir" que 34% «dos portugueses continuam a fazer férias fora de Portugal». Descubra as diferenças!

P.S. Ainda mais surrealista é este título: «90% dos portugueses tenciona ir de viagem». Não se explica o que é o Barómetro às Perspectivas de Compra de Viagens dos Portugueses.

22/04/2010

Erros factuais de uma notícia

Às vezes, mais valia transcrever o press release do que fazer interpretações incorrectas.

Vejamos os erros desta notícia do Público com base num destaque do INE.

1. O título "Residentes são os principais clientes do turismo português" é desmentido pelo segundo parágrafo: «36,3 por cento das dormidas registadas em Portugal tiveram origem em hóspedes residentes no país». Isso equivale a dizer que 63,7% foram de residentes no estrangeiro - então, quem são os principais clientes?

2. «2008 foi o ano em que se nota que os portugueses passaram a preferir fazer férias dentro do país». Até parece que antes de 2008 "preferiam" fazer fora!!! Na verdade, os portugueses sempre "preferiram" fazer férias dentro do país. O que se passou foi que, até 2007, estava a aumentar a quota de dormidas dos portugueses no estrangeiro e em 2008 se deu um retrocesso neste índice.

3. «As regiões que registaram mais dormidas de portugueses foram o Algarve e o Norte, com 3597 e 2539, respectivamente». Obviamente, teríamos de multiplicar por mil cada um daqueles números...

4. «Os Açores e a Madeira foram as regiões com menos dormidas geradas pelo mercado interno». Foram "geradas" na Madeira mais dormidas do que no Alentejo.

5. «Os portugueses preferiram ficar maioritariamente alojados em hotéis». Isto não é propriamente um erro factual. Se considerarmos apenas o objecto do relatório citado, i.e os estabelecimentos hoteleiros, então a tipologia dominante são os hotéis. No entanto, é preciso dizer que há muito mais portugueses a fazer férias em alojamento particular do que em hotéis.

21/04/2010

Álcool: o copo meio vazio

Os resultados do inquérito do Eurobarómetro sobre as atitudes face ao consumo de álcool dão lugar de relevo a Portugal em dois indicadores:
  1. Os portugueses são os mais abstémios da UE. 42% não consumiram álcool no último ano, valor muito superior à média UE27 (24%) e muitíssimo superior aos dos povos do Norte: Dinamarca 7%; Suécia, 10%; Holanda, 12%.
  2. Dentre os consumidores, os portugueses são os que o fazem com maior regularidade. 43% dos que consumiram no último mês, fizeram-no diariamente, valor bastante superior à média UE27 (14%) e incomparavelmente superior aos nórdicos (1% na Suécia; 3% na Finlândia, p. ex.)
A Lusa preferiu destacar o ponto 2. subvertendo os resultados: «Quatro em cada dez portugueses afirmam beber álcool diariamente, o que deixa Portugal no topo dos 27 países da União Europeia».

Como consegue a Agência Lusa esta proeza? Simplesmente confundindo a população dos consumidores de álcool (58% dos portugueses adultos) com a população portuguesa.

Se quer ter a população adulta como referência, então a percentagem é
58% de portugueses consomem bebidas alcoólicas x
91% consumiram nos últimos 30 dias x
43% dos que consumiram nos últimos 30 dias, fizeram-no diariamente
 = 23%

Não deixa de ser o lugar de liderança europeia neste indicador, mas não assume as proporções que a Lusa lhe atribui.

Além disso, o relatório do Eurobarómetro mostra também que nos países nórdicos se consome maior quantidade de bebida por cada ocasião de consumo. 81% dos consumidores portugueses bebem habitualmente no máximo dois copos. Esse percentagem é superior à UE27 (69%) e bastante superior à Irlanda (34%), Reino Unido (51%), Dinamarca (51%), Suécia (56%) ou Finlândia (56%).

Nota: este post foi escrito após a ingestão de uma pequena quantidade de álcool, ao almoço.

Os press releases, os estereótipos e a realidade

Viagens e férias: a mulher escolhe, o homem paga

É este o título de uma notícia que saíu ontem (dia do turista) na versão online do Público. A leitura do artigo despertou-me imediatamente as dúvidas sobre a correcção do título. Disso falarei a seguir. Antes, deixo uma nota para dizer que na versão em papel (edição de hoje) o artigo encolheu um pouco, tendo omitido o método de amostragem e de recolha da informação utilizado no estudo que serviu de base à notícia.

1. Vamos começar exactamente por este método de selecção da amostra e de recolha de informação. O Público diz que «as questões foram colocadas por correio electrónico». Já o site RH Turismo, refere «questões colocadas online». Admito que a versão do Público seja erro de interpretação do jornalista. Isso não interessa para o caso. O que interessa assinalar é que, de acordo com a American Association for Public Opinion Research, os inquéritos feitos via internet, numa base de recrutamento voluntário, não podem ser usados para estimar valores da distribuição de uma váriável na população nacional  (Relatório em PDF). Numa linguagem simples, devemos dizer que a amostra não é retirada da população para a qual se pretende fazer estimativas.

2. O artigo refere que não se "especifica" o número de casais portugueses, na amostra total de 1437 casais de nove países europeus. Não obstante, apresenta resultados para o "caso dos portugueses". De qualquer modo, a amostra é pequena para fazer estimativas na população, mas isso é algo irrelevante, atendendo ao que referi no ponto anterior.

3. Finalmente, a suposta confirmação do estereótipo: «No caso dos portugueses, a maioria refere genericamente que as escolhas são feitas em conjunto mas quando as opções vão às questões concretas fica claro que são as mulheres a decidir e os homens a pagar a conta», escreveu José Augusto Moreira no Público. Entenderam?
Mesmo sem ter tido acesso ao estudo original, vou tentar explicar, com a ajuda do site RH Turismo. Em princípio, as opções de resposta para a pergunta "Quem escolhe o destino de férias?"seriam "em conjunto", "mulher" e "homem". Sabemos que a categoria "mulher" obteve 15% das respostas e a categoria "homem" obteve 7%. Faltam 78% de respostas, que deverão estar na categoria "em conjunto".
Este resultado não é nada surpreendente, não porque confirme o estereótipo do título, mas antes porque, apesar das deficiências apontadas em 1. e 2., é conforme ao que foi obtido num estudo realizado há 40 anos (link), segundo o qual a escolha das férias é precisamente um dos "produtos" em que existe menor dominância de um dos cônjuges na fase de decisão, i.e. a grande maioria dos casais decide o destino de férias em conjunto. É esse o "estereótipo".

07/04/2010

Iliteracia de (cada vez mais) jornalistas

O assunto não é novo neste blogue - veja-se, p. ex:
http://beijokense.blogspot.com/2009/06/dificil-relacao-de-alguns-jornalistas.html
http://beijokense.blogspot.com/2009/06/qualidade-do-jornalismo-tem-baixado-de.html

No entanto, este post de Miguel Botelho Moniz chamou-me a atenção para uma tremenda barbaridade aritmética. Um problema que não é do jornalismo, é do nosso sistema de ensino. Aquilo que a jornalista Helena Neves Marques escreveu - supostamente a partir de um relatório da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, ou de um press release sobre o dito - revela que o ensino básico deixa sair da "rede" pessoas sem as mais básicas competências aritméticas...

A jornalista, citando "o documento", diz que «registaram-se 2779 óbitos, o que representa 13 por cento dos utentes assistidos e 18 por cento (...) do total de doentes que saíram da rede em 2009.» Ora, é muito difícil entender como se passa de uma taxa de mortalidade de «13 por cento dos utentes assistidos» para o título da notícia, desenvolvido no primeiro parágrafo: «Mais de um terço dos doentes que deram entrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em 2009 morreu no primeiro mês de internamento, revela o relatório anual da rede».
Garanto-lhe, cara Helena Neves Marques, o "relatório anual da rede" não revela nada disso! Revela que "deram entrada" na Rede 17.156 doentes e que, como escreveu, morreram 2.779 (não interessa dar uma taxa para estes números, já que alguns dos mortos tinham entrado na rede em 2008 e, por outro lado, alguns dos que entraram em 2009 vieram/ virão a falecer em 2010). O que importa é que, desses 2.779, como você mesma escreve, «36 por cento [morreram] no primeiro mês». Ou seja, morreram no primeiro mês cerca de 1.000 doentes, o que representa aproximadamente 6% dos admitidos.

A jornalista da LUSA conseguiu transformar 6% em mais de um terço e este efeito multiplicador foi seguido por vários OCS, graças ao "diz que disse" travestido de jornalismo:
- A "Redacção" de A Bola escreveu que «O relatório anual da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados revela que mais de um terço dos doentes acolhidos, em 2009, morreu no primeiro mês de internamento». A mesma formulação, ipsis verbis, é usada pela TSF, DN (do Funchal, citando LUSA), etc.
- O Diário Digital, conforme citado pelo Miguel, afirmou o mesmo, mas na formulação original da jornalista da LUSA: «Mais de um terço dos doentes que deram entrada na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) em 2009 morreu no primeiro mês de internamento».


No entanto, nem todos os jornalistas utilizaram o mesmo efeito multiplicador. Houve vários a dar a notícia correctamente, i.e. «Mais de um terço das mortes registadas na Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), em 2009, ocorreu no primeiro mês de internamento, revela o relatório anual da rede». Esta foi a frase utilizada pelo iol, pela TVI, pelo i e pelo Público. Como este último cita a LUSA, deduz-se que a agência tenha entretanto corrigido o despacho original ou disponibilizado outro mais completo que, propositadamente ou talvez não, já não incluía a "barbaridade" original.

13/03/2010

Na rede sem rede

Um jornalista do Público remexeu "o passado na rede" de Castanheira Barros e não encontrou os maravilhosos blogues do mesmo autor que eu referi neste post?!

«It sends us positive notice for the humanity . You can do it through commentaries to each notice or for email to castanheirabarros@clix.pt .»

01/02/2010

Alienistas no Governo

A ser verdade aquilo que Mário Crespo queria ter publicado num jornal do amigo Oliveira:
«fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”)»
os citados ministros, incluindo o primeiro, parecem partilhar com os ilustres alienistas do PRP a visão segundo a qual só um problema psíquico pode impedir alguém de ver os benefícos das nossas ideias e práticas políticas (ler o meu post de 31 de Janeiro sobre este assunto).
Está quase concluída a fase do empastelamento, o grande desafio que agora se enfrenta é a construção de manicómios com capacidade suficiente para tratar bloggers, jornalistas, comentadores, raters, investidores, alguns deputados da oposição e candidatos presidenciais.

P.S. e, a propósito do PRP, qual a diferença entre este caso do JN e estoutro do Primeiro de Janeiro?

Sócrates não dorme

Não, caro leitor, não é outra vez a história da insónia por causa do desemprego. Sócrates não dorme enquanto não conseguir limpar a classe dos jornalistas.

26/01/2010

Os outros que cumpram as regras

A DECO costuma ser muito exigente com todos os agentes económicos para que estes cumpram à risca todas as regras que delimitam as respectivas actividades. Por exemplo, está sempre a exigir mais informação na exposição de produtos, na rotulagem, etc. Mas quando se trata da sua própria actividade, a informação não abunda...
Vem este meu comentário a propósito de uma notícia veiculada hoje - veja-se o exemplo do Público, que exibe praticamente verbatim o que consta no sítio da DECO - segundo a qual «6 em cada 10 famílias tiveram dificuldade em seguir tratamen­tos médicos devido a problemas financeiros, revela um inquérito da DECO PRO­TESTE a 1639 famílias portuguesas.»
Para eu poder acreditar que são mesmo 6 em cada 10 famílias e não 6 em cada 7 ou 6 em cada 30, mais importante do que saber que foram inquiridas 1639, seria saber, por exemplo:
  • pelo teor da notícia, presume-se que o Universo são todas as famílias portuguesas - isso é mesmo assim?
  • como foi seleccionada a amostra?
  • as 1639 inquiridas correspondem a que % de 'tentativas de inquirição'?
  • qual foi o método de recolha de informação?
  • quais foram as perguntas utilizadas para determinar a tal proporção de famílias que «tiveram dificuldade em seguir tratamen­tos médicos devido a problemas financeiros»?
Omitindo esta informação, a DECO está no mesmo plano, por exemplo: dos bancos que não revelavam convenientemente o modo de cálculo das taxas de referência; dos fabricantes de lâmpadas que não colocam no rótulo informação sobre o fluxo luminoso; dos fornecedores de VOIP que têm «informação importante sobre taxas e custos espalhada por diferentes locais» em vez de concentrada numa página de fácil acesso.

P.S. O tratamento, digamos, com muito boa vontade, jornalístico deste press release é o habitual - transcrição. É, por isso, curioso que o i coloque aspas em duas frases - como se as restantes não tivessem sido transcritas! :)

21/01/2010

Bravo, Pato!

Entre as escutas agora divulgadas no youtube que estão a fazer furor nos media, está aquela que Ricardo Araújo Pereira referia n'A Bola no passado mês de Março. Cito RAP:
«O caso explica-se depressa: o, digamos, jornalista Tavares-Teles escrevia uma coluna chamada O Pato no jornal O Jogo. Certo dia, o bem informado Pato sugeriu que Deco abandonaria a Selecção se fosse injustamente castigado pelo acto corriqueiro e inofensivo de ter atirado uma bota a um árbitro. A escuta da conversa telefónica entre o, digamos, jornalista Tavares-Teles e Pinto da Costa era precisamente sobre esse texto. Cito o jornal Correio da Manhã de 24 de Julho de 2007: «Pelo que se pode ler da transcrição da referida escuta telefónica percebe-se (…) que, além de ter sido combinado, o teor do texto era falso, já que, conforme assumiu Pinto da Costa noutra conversa telefónica, servia apenas como forma de pressão e de chantagem para com os elementos do Conselho Disciplinar da Liga de Clubes».

Ora, convém não esquecer que é também fresca a notícia de que o STJ confirmou a condenação do presidente de um clube rival «na sequência de um processo por injúrias e atentado ao bom nome» ao autor do Pato. O presidente injuriou-o, nomeadamente quando o acusou de «de escrever artigos de opinião "encomendados"».

17/11/2009

Faroleiros de terra*

Como escrevi no dia 1 de Novembro, um comentário de Paulo Batista, dizendo que «o meu nome se encontra mal escrito» num artigo de Acácio Santos, resultou num pedido de desculpas do Farol pelo "descuido" do Acácio. Foi esse comentário assinado por "Farol da Nossa Terra" que me levou a escrever o post de 1 de Novembro, fazendo notar que havia outros "descuidos" mais importantes no artigo e que também Lino Dias se descuidara num outro.
Imediatamente após a publicação do meu post, fiz um comentário no Farol e enviei um email ao Acácio Santos. Como se vê na figura abaixo, o comentário continua, passadas duas semanas, a aguardar aprovação. O Acácio nunca respondeu ao email.



No entanto, o mesmo Acácio Santos fez questão de publicar, no DB de 6 de Novembro, uma «Correcção» à notícia, repondo o verdadeiro Paulo Jorge, em vez do errado João Paulo. Tal leva-me a supor que o Acácio ainda não percebeu os "descuidos" mais importantes da notícia. Aqui fica uma ajuda.

O que Acácio Santos escreveu O que se passou
Faltou à chamada o cidadão do PSD senhor Nuno Machado, mas este cidadão deixou escrito que se ia ausentar durante um mês e que depois regressava. Nuno Henrique Pais Machado apresentou um pedido de substituição nos termos do artigo 78.º da Lei n.º 169/99 ["Os membros dos órgãos das autarquias locais podem fazer-se substituir nos casos de ausências por períodos até 30 dias."]
(...) senhor Victor Manuel Coelho Peixeira Marques, votado com cinco votos sim e quatro não. A votação para o vogal em causa resultou em cinco votos a favor, três votos contra e um voto nulo.
Seguidamente foi chamado mais um cidadão do PSD para ocupar o lugar de Tesoureiro, o felizardo foi João Campos Moura. João Campos Moura foi chamado para ocupar, na Assembleia de Freguesia, o lugar de Victor Peixeira, que acabara de ser eleito Secretário da Junta.
(...) foi eleita a lista A com cinco votos sim e a lista B recebeu três votos não e um voto nulo. O resultado foi: A cinco votos; B três votos; um voto nulo.

*Esta designação resultou de uma 'conversa' com Alexandre Borges.

06/11/2009

A Vara e o pântano

Tendo em conta isto (também aqui), espero que o «salto à vara sobre o pantâno» proposto por Ana Gomes inclua o homem que segura a Vara.
Foto do Público postada por Ademar Santos em 23-3-2008

Actualização 7-11-2009 17:00
"Confirmou o i junto de fonte da investigação" que «As escutas às conversa telefónicas mantidas entre Armando Vara e José Sócrates (...) foram consideradas "criminalmente relevantes"». Ainda segundo o i, o simples facto de as escutas terem sido transcritas implica que os investigadores tenham considerado os indícios de «crime grave com uma moldura penal aplicável acima de cinco anos de prisão».
Diz a mesma notícia que «Os investigadores suspeitam que o negócio das sucatas de Godinho e a alegada corrupção de gestores e funcionários de empresas do sector empresarial do Estado, está relacionado um esquema de financiamento ilegal de estruturas partidárias, a nível nacional e local. E as suspeitas não se reduzem ao Partido Socialista

Enquanto o tema de conversas com o amigo Vara, divulgado ontem, se limitava à TVI, hoje surge em cena o amigo Joaquim, patrão do moço de recados Marcelino e de mais uns amigalhaços que costumam ser convidados da Mosca Morta na Edição da Noite.